Publicado em 29 de janeiro de 2025 às 12:40
- Atualizado há um ano
A associação que representa as montadoras de veículos está avaliando acionar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) para que sejam apuradas suspeitas de dumping (concorrência desleal a partir de preços abaixo do padrão de mercado) na atuação das montadoras chinesas que vendem para o Brasil.>
A medida deve abrir uma nova rodada de pressões das montadoras para conter o avanço das chinesas, especialmente de BYD e GWM, ambas instaladas no Brasil e com previsão de iniciar a produção local de seus veículos elétricos ainda neste ano.>
Márcio de Lima Leite, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), disse em nota que existem estudos em andamento e que a entidade defende "a livre concorrência e a prevenção de práticas que prejudiquem o mercado automotivo brasileiro".>
Já o Mdic, em nota, afirma que ainda não recebeu nenhuma petição relacionada ao assunto. Além disso, diz que as investigações sobre prática antidumping são iniciadas e conduzidas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), uma pasta do ministério, e que a eventual aplicação de medidas será decidida por colegiado interministerial.>
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A Anfavea representa as companhias mais tradicionais, como Volkswagen, Toyota, Volvo, Stellantis (dona da Fiat), Ford e GM, algumas das quais também vêm investindo no desenvolvimento de carros elétricos e híbridos. Os veículos movidos a eletricidade e os híbridos com outro tipo de combustível então no centro do negócios de BYD e GWM.>
Para Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a tentativa, se for voltada para os veículos eletrificados, estará limitada pelo início da produção local pelas chinesas. A GWM (da qual Bastos é diretor de assuntos institucionais) começa a produção na fábrica de Iracemápolis (interior de São Paulo) em maio deste ano. No segundo semestre, a BYD prevê iniciar a produção em Camaçari, na região metropolitana de Salvador (BA).>
"Se a medida [em estudo pela Anfavea] for contra eletrificados, a ABVE vai se posicionar", afirma Bastos. "Medidas antidumping são apresentadas contra empresas ou contra países. A China é um importante parceiro comercial do Brasil.">
A chegada de carros elétricos chineses importados ao Brasil mexeu com o mercado automotivo, levando as empresas a mexerem até nos preços de seus similares. A movimentação política da Anfavea por algum tipo de barreira comercial não é nova. No fim de junho do ano passado, a associação pediu formalmente ao governo a elevação imediata da alíquota de importação de veículos híbridos e elétricos para 35%.>
No fim de 2023, ficou definido um escalonamento desse imposto, que chegará a 35% em 2026. Esse aumento gradual foi previsto no programa Mover (Mobilidade Verde e Sustentabilidade), do governo federal.>
A BYD afirma, em nota, que nega "categoricamente qualquer prática de dumping na venda" de seus veículos no mercado interno. "A BYD é agora uma empresa brasileira", diz, ao citar a construção da fábrica na Bahia. A companhia também defende que "por décadas" o setor "foi deixado em segundo plano pelas montadoras tradicionais que tentam de todas as formas utilizar artimanhas para esconder a falta de competitividade".>
A GWM diz ver "a ação com tranquilidade, pois segue estritamente as regras internacionais e a legislação brasileira para comércio exterior" e a afirma ter aumentado o ritmo de contratações no Brasil para dar conta do início da produção local.>
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