Estudando trocar de partido para poder candidatar-se a prefeito de Vitória em 2020, o deputado estadual Sergio Majeski, hoje no PSB, participou de um evento da Rede Sustentabilidade neste domingo (10): a Conferência Municipal do partido, realizada na Câmara de Vitória. No encontro, o convite de filiação a Majeski na Rede foi reforçado pela ex-senadora Heloísa Helena (AL), uma das principais líderes nacionais do partido fundado pela também ex-senadora Marina Silva.
“Heloísa Helena convidou Majeski publicamente e disse que torce para essa dobradinha dar certo”, contou o vereador Roberto Martins (PTB), que já se decidiu a migrar para a Rede na próxima janela para trocas liberadas pela Justiça Eleitoral, a ser aberta em março de 2020.
O convite a Majeski também foi reforçado por alguns dos principais líderes estaduais da Rede, como o prefeito da Serra, Audifax Barcelos, e o ex-deputado estadual Roberto Carlos.
Majeski se disse muito contente e satisfeito com o convite, mas não deu nenhuma resposta aos dirigentes da Rede, até porque não pode ainda, como ele mesmo recordou em conversa com a coluna nesta segunda-feira (11). A janela de março é válida somente para vereadores em fim de mandato. Não contempla, portanto, deputados.
Assim, se Majeski quiser sair do PSB para ser candidato a prefeito de Vitória, ele estará sujeito à perda do mandato na Assembleia Legislativa, que poderá ser requerido em ação junto à Justiça Eleitoral pelo próprio PSB ou pelo primeiro suplente da coligação pela qual Majeski se elegeu em 2020: Eustáquio de Freitas, atualmente exercendo mandato no lugar do deputado eleito Bruno Lamas, licenciado desde fevereiro para chefiar a Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social.
De todo modo, Majeski está mesmo flertando com a ideia de trocar de partido. Em recente conversa na Assembleia, perguntei a ele se sua pré-candidatura a prefeito de Vitória estava firme. Ele respondeu que sim. Perguntei-lhe, então, o que fará se o PSB não lhe der legenda.
“Aí vamos ter que partir para o plano B”, respondeu o deputado, entre risos.
Para sair sem correr o risco de ter o mandato cassado, Majeski teria que ter tudo muito bem negociado com a direção estadual do PSB – passando, inclusive, pelo governador Renato Casagrande –, com garantias de que nem a direção estadual do partido nem o primeiro suplente vão pedir a vaga.
ROBERTO MARTINS NA REDE
Ao contrário de Majeski, o vereador Roberto Martins, de oposição ao prefeito Luciano Rezende (Cidadania), está livre para mudar de agremiação sem risco de perda do mandato na janela de março e já bateu o martelo. Eleito em 2016 pelo PTB, partido onde está até hoje, Martins já anunciou que disputará a eleição do ano que vem pela Rede e, assim como Majeski, compôs a mesa de autoridades do evento do partido na Câmara de Vitória, no domingo.
“Já está confirmado que vou me filiar à Rede na janela partidária, em março. Estou me disponibilizando a ser pré-candidato a prefeito de Vitória e também, se for da preferência da Rede, a vereador.”
Se Majeski decidir se filiar mesmo à Rede e quiser ser candidato a prefeito, Martins diz estar disposto a abrir mão da candidatura majoritária em favor do deputado. “O que a Rede achar melhor.”
Assim como Heloísa Helena, Roberto Martins já pertenceu ao PSOL, antes da migração para o PTB e da iminente transferência para a Rede. O vereador diz ter a ex-senadora como uma de suas principais referências na política.
Antes de migrar para o PSOL, Martins também pertenceu ao PCdoB. E recorda: “Admiro demais a Heloísa Helena. Quando saí do PCdoB, eu estava desanimado com a política. Quando ela puxou aquele movimento para fundar o PSOL, eu acompanhei, achei muito bacana, então também por conta dela fui para o PSOL. E também por conta dela agora vou para a Rede”.