Números recordes fazem da Lava Jato a maior cruzada contra a corrupção já realizada no país. Exibe balanço grandioso, quatro anos após o seu início: 72 acusações criminais contra 289 pessoas; 103 mandados de prisão preventiva; 118 mandados de prisão temporária; 227 mandados de condução coercitiva; 954 mandados de busca e apreensão; 179 acordos de colaboração premiada; 181 condenações, e R$ 11,5 bilhões previstos em devoluções aos cofres públicos.
Ainda assim, as crises ética e moral persistem. E com vigor. Em 2017, o Brasil teve forte piora no ranking de percepção da corrupção no setor público, divulgado pela Transparência Internacional. Caiu 17 posições em relação ao ano anterior, recuando para o 96° lugar em 180 países. Esse baque evidencia enraizamento e resistência de redes de falcatruas, e reforça o sentimento de que deve ser permanente a luta contra o saque criminoso de recursos dos cofres estatais.
A Lava Jato destruiu a blindagem de autoridades ou corruptores do colarinho branco, mas a possibilidade do fim da prisão após condenação em segunda instância representa grave ameaça à efetividade da operação, segundo o seu coordenador em Curitiba, Deltan Dallagnol. Há muita pressão para a queda dessa pena. Se aprovada, seria mudança de posição do próprio STF, estabelecida há apenas um ano e meio. Beneficiaria diretamente o presidente Lula, evitando a sua prisão.
A Lava Jato faz do combate à corrupção na política tema obrigatório das eleições deste ano, mas também é necessário de que se dissemine no país a consciência de que cada cidadão deve ser zeloso no seu comportamento.
Malfeitos não são ervas daninhas cultivadas apenas nos porões do poder. Muitas vezes estão presentes no dia a dia, abertamente, nas relações das pessoas, e praticados como “coisa normal”.