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Queda de juros e mais dinheiro da Caixa vão aumentar demanda por imóveis no país

Queda de juros e mais dinheiro da Caixa vão aumentar demanda por imóveis no país

Análise do Cofeci prevê tendência de abertura de novo ciclo de lançamentos estruturais e oportunidades no setor de imóveis logísticos e industriais

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Yasmin Spiegel

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Publicado em 30 de março de 2026 às 11:55

 - Atualizado há 2 horas

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Novo momento do país projeta cenário de aumento na demanda por imóveis Crédito: Shutterstock

O mercado imobiliário brasileiro entrou em um novo ciclo de expansão estrutural no primeiro trimestre de 2026, afirma o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Sistema Cofeci-Creci). Entre os motivos estão o acordo Mercosul-União Europeia, o corte da Selic projetado para 12,13% até o final de 2026, de acordo com o Boletim Focus, e a injeção de R$ 250 bilhões pela Caixa Econômica Federal.

Para o presidente do Sistema Cofeci-Creci, João Teodoro, a resposta imediata ao aquecimento econômico é a profissionalização contínua do setor e o desenvolvimento de ferramentas de análise de dados mais robustas.

Uma delas é o Observatório Imobiliário Brasileiro (OIB), inédito na América do Sul, que iniciou a coleta de dados este ano pela Fundação de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (FEPESE/UFSC). Com previsão de lançamento em abril, o website irá contar com índices como o de déficit habitacional, a absorção de estoque e a viabilidade de projetos em tempo real.

"O cruzamento de dados do novo OIB dará segurança ao investidor nacional e ao internacional, impulsionado também pela recente abertura comercial com a Europa", avalia Teodoro.

Momento atual

No momento, a injeção de R$ 13,6 bilhões em investimentos, projetados pelo tratado comercial do governo federal com a União Europeia, encontrará um setor pronto para expansão de lançamentos, visto que o tratado europeu corta a zero as tarifas de importação de insumos e maquinário pesado, o que pode minimizar a alta do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

Para Teodoro, a redução de custos operacionais deve destravar projetos de alto padrão e acelerar o desenvolvimento de galpões e negócios imobiliários nas áreas industrial e logística.

"O tratado comercial elimina progressivamente as tarifas sobre 95% dos bens industriais europeus, barateando a aquisição de equipamentos pesados, geradores e sistemas automatizados. Como o impacto nos índices de custos de construção é, em grande parte, em função da mão de obra, a facilidade de entrada de maquinário de alta precisão pode reduzir a dependência de métodos construtivos artesanais e acelerar a adoção de obras modulares no país”, explica.

Simultaneamente, o afrouxamento da política monetária tem impulsionado o financiamento. Estimativas da Câmara Brasileira da Industria da Construção (CBIC) apontam que, a cada 0,5 ponto percentual de queda na Selic, 215 mil novas famílias são qualificadas para a tomada de crédito, o que consolida o volume de lançamentos amparado pela liberação de R$ 250 bilhões da Caixa Econômica Federal.

O orçamento para o ano atende as faixas do programa Minha Casa, Minha Vida e impulsiona operações com recursos da poupança, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

“Com essas projeções de órgãos oficiais, a curva de juros insere mais de 1,2 milhão de novos compradores no sistema bancário até dezembro. A liquidez de vendas encontra lastro no orçamento da Caixa para o ano. O fluxo de caixa nos canteiros, que serão balizados pelas diretrizes de Big Data do futuro Observatório Imobiliário, mitiga o risco de vacância e atrai cotistas institucionais para o mercado brasileiro além de oportunidades para o profissional corretor de imóveis”, analisa.

O setor também passa por um processo de maior profissionalização já que, recentemente, o Brasil ultrapassou a marca de 700 mil corretores de imóveis ativos, consolidando o segundo maior mercado do mundo em número de profissionais, atrás apenas do Estados Unidos (EUA). “Hoje mais de 60% dos corretores possuem diploma de ensino superior, contra cerca de 14% há duas décadas. Isso reflete um mercado mais qualificado e preparado para lidar com decisões cada vez mais complexas”, finaliza o presidente do Cofeci.

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