Se os juros elevados têm dificultado o acesso à casa própria por meio do financiamento, morar de aluguel também está pesando no bolso dos brasileiros. De acordo com o Índice FipeZap, os preços para novos contratos de locação residencial subiram 5,97% nos primeiros sete meses de 2026, quase o dobro da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumulou alta de 3,44% no mesmo período. Em 12 meses, a diferença é ainda mais expressiva: enquanto o IPCA avançou 4,44%, os aluguéis tiveram alta de 9,28%.
Apesar da alta no preço dos aluguéis, o Brasil atingiu em julho o menor nível de inadimplência do aluguel dos últimos três anos, com taxa de 3,05% – queda de 0,15 ponto percentual em relação a junho. Este é o menor índice desde junho de 2023, quando registrou 3,03%. Já na comparação com julho de 2025 (3,76%) a queda foi de 0,71 ponto percentual. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, plataforma de soluções para os mercados condominial e imobiliário.
Segundo Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, “a queda na inadimplência em julho reflete um alívio para as famílias no período, mas ainda é cedo para avaliar se esse respiro se manterá nos próximos meses. O cenário ainda exige atenção, pois juros e inflação podem impactar a renda familiar e, em consequência, o pagamento, em dia, do aluguel”.
Na análise por valor, os imóveis comerciais de até R$ 1 mil apresentaram queda de 0,13p.p., mas ainda preocupam pois concentram a maior taxa de inadimplência, de 7,27%, bem acima da média nacional. A mesma faixa de preço nos imóveis residenciais também é a maior na categoria, com 5,99%.
A maioria das faixas analisadas apresentou queda em julho. Nos imóveis residenciais, um dos maiores recuos ocorreu entre os aluguéis acima de R$ 13 mil, cuja taxa caiu 0,58 ponto percentual, chegando a 4,84%. Nos comerciais, a faixa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil passou de 3,90% em junho para 3,77% em julho. As menores taxas do mês foram registradas nos imóveis residenciais entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com 1,74%, e nos comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,42%.
A taxa média nacional de inadimplência ficou em 3,24% no primeiro semestre de 2026, após atingir 3,71% no segundo semestre de 2025. O resultado também ficou ligeiramente abaixo dos 3,30% registrados nos primeiros seis meses do ano passado.
A maioria das regiões acompanhou esse movimento, com alta na segunda metade de 2025 e recuo no início deste ano. A exceção foi o Norte, onde a inadimplência caiu nos três períodos analisados: de 4,83% no primeiro semestre de 2025 para 4,59% no segundo e 4,33% nos primeiros seis meses de 2026.
No primeiro semestre deste ano, o Nordeste apresentou a maior taxa média entre as regiões, de 4,83%, seguido pelo Norte (4,33%), Centro-Oeste (3,16%), Sudeste (3,10%) e Sul (2,69%).
A procura pelo consórcio imobiliário também cresce. Somente nos primeiros sete meses de 2026, as vendas aumentaram 40,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O número de participantes ativos chegou a 3,32 milhões, alta de 35,5%, enquanto os créditos comercializados avançaram 33,1%.
“Para quem ainda paga aluguel, o consórcio permite planejar a compra do imóvel de forma gradual. O consumidor participa de um grupo, realiza pagamentos mensais e, quando contemplado por sorteio ou lance, tem acesso à carta de crédito. E, olhando para o bolso do consumidor, o valor pago no consórcio é consideravelmente menor que o de um financiamento, com parcelas que podem ser mais acessíveis para o brasileiro”, explica Bruno Borges, Chief Marketing Officer (CMO) do Mycon, fintech de consórcios digitais.