O mercado imobiliário brasileiro alcançou um marco histórico. No segundo trimestre de 2026, a intenção de compra de imóveis atingiu 52%, o maior índice já registrado pela série histórica de pesquisas do setor. O dado foi o principal destaque da sétima edição do Talk Imóveis, evento promovido pelo site A Gazeta nesta sexta-feira (21).
O encontro reuniu especialistas e representantes do setor para um bate-papo dinâmico sobre inteligência de mercado, viabilidade e desenvolvimento de produtos baseados em dados. A mediação ficou a cargo dos jornalistas Karine Nobre e Abdo Filho, em painéis que debateram as novas transformações e o perfil do consumidor atual.
Durante o evento, o sócio da Brain Inteligência Estratégica, Marcelo Gonçalves, apresentou os números que indicam o aquecimento contínuo do setor e, ao final, concedeu entrevista para detalhar a metodologia, o comportamento do comprador e as perspectivas para o futuro do mercado.
Confira a entrevista:
Se trata de uma pesquisa quantitativa, pra ela ter valor amostral, você precisa fazer um cálculo estatístico base: eu pego um universo, que é a quantidade de pessoas e transformo ele numa amostra.
Nesse caso específico, precisávamos de pouco mais de mil pessoas e entrevistamos 1.200, trabalhando com uma margem de 10% a 12% sobre a amostra necessária. Nessa estratificação, incluímos diferentes regiões, rendas e gerações, porque precisamos atingir todos os públicos para que a amostra seja representativa do universo.
Eu tenho a obrigação de fazer isso pra ter uma realidade da amostra pertencente ao universo. Senão, eu faço uma enquete, só entrevisto quem eu quero, do jeito que eu quero, e não é isso.
A gente tem muitos fatores envolvidos, né? O que é importante falar em nível de intenção é que ela mostra que o brasileiro continua querendo comprar o imóvel, mesmo que ele fale o seguinte: “Ah, vai ser mais que dois anos”. Mais de dois anos, ele não tá planejando, ele acha.
O que eu quero mesmo é trazer essa realidade para aquelas pessoas que estão mais preparadas. Por que alguém compra o imóvel na planta? Porque é um imóvel de planejamento. Normalmente você tem 30% do valor do imóvel a pagar até as chaves.
Mas o que é importante é que você planeje alguma coisa. Então a planta serve pra isso.
A gente faz pesquisas trimestrais quantitativas e aí eu faço as pesquisas para incorporadoras. Então eu diria que uma pesquisa que você coloca comportamento dá um prazo, mas esse prazo hoje é curto, porque as mudanças são muito rápidas.
E, além de tudo, a gente não pode esquecer o que a gente viveu nos últimos seis anos. Depois de uma pandemia que mudou a nossa visão, você imagina o seguinte: tinha gente que não conhecia onde morava. Trabalhava o dia inteiro, chegava, tomava banho, dormia, acordava, chegava no final de semana e ia viajar ou passear.
De repente, me vejo dentro do imóvel, não posso sair. Aí eu vejo que ali tem uma mancha, ali tá caindo, o ralo está entupido. E é aí que eu conheço o meu imóvel de maneira qualitativa. Quais são as coisas boas e as coisas ruins?
Exatamente por isso e pela busca de mais qualidade de vida, os últimos seis anos foram tão aquecidos no mercado imobiliário. As pessoas buscaram alterações, mudanças, coisas novas. Então o nosso mercado, nos últimos seis anos, ele não tem nada pra reclamar. Ao contrário de alguns mercados que, no ápice da pandemia, sumiram.
Eu espero, nos próximos anos, que a gente consiga ter um Brasil que traga oportunidade pras pessoas comprarem imóveis. A gente pode falar o que a gente quiser do Brasil. Tem uma coisa que funciona nesse país: se chama Minha Casa, Minha Vida.
O programa trouxe dignidade do imóvel próprio para milhões de pessoas. Então, sem sombra de dúvida é um programa funcional. E, de julho de 2023 pra cá, só cresce em nível de vendas de recursos do Fundo de Garantia, e eu não tenho dúvida nenhuma que isso vai continuar acontecendo.