Vinte anos depois da estreia de “Se Eu Fosse Você”, a franquia está de volta aos cinemas. “Se Eu Fosse Você 3” chega às salas brasileiras nesta quinta-feira (8) com uma nova geração no centro da confusão que marcou os dois primeiros filmes. Durante coletiva de imprensa realizada com o elenco, Glória Pires, Tony Ramos, Cleo Pires e Rafael Infante falaram sobre o desafio de revisitar personagens conhecidos e renovar a história.
Desta vez, a troca de corpos acontece entre Bia, interpretada por Cleo Pires, e Aquiles, vivido por Rafael Infante. Filha de Helena e Cláudio, personagens de Glória e Tony, Bia enfrenta com o marido uma situação semelhante à vivida pelos pais nos filmes anteriores.
O conflito do novo casal passa, entre outras questões, pelo desejo de Aquiles de ter um filho, enquanto Bia vive um momento profissional importante. A troca acontece enquanto Helena e Cláudio estão longe da filha, em uma viagem de segunda lua de mel.
A proposta, porém, não é simplesmente repetir a fórmula dos dois primeiros longas. Para Tony Ramos, a entrada de Cleo e Rafael foi fundamental para dar continuidade à história sem depender apenas da nostalgia. “Cleo e Rafael são o oxigênio novo”, afirmou o ator ao falar sobre a nova fase da franquia.
Dirigido por Anita Barbosa, “Se Eu Fosse Você 3” também parte de uma mudança na maneira de abordar a premissa conhecida pelo público. Segundo a diretora, a equipe procurou não fazer da troca de corpos o único centro da narrativa.
“Quisemos tratar de trocar de lugar, não trocar de corpo”, explicou Anita. A ideia, segundo ela, foi construir uma história sobre comportamento, experiências e vivências diferentes.
Porque, mesmo se fosse uma troca entre duas mulheres, e um dia pode vir a ser, não é fácil. Você desempenhar secretamente o papel do outro é muito complicado
A diretora acompanhou a franquia desde os primeiros filmes, quando trabalhou como assistente de direção. A experiência, segundo ela, foi importante para assumir agora o comando do terceiro longa.
“Eu agradeço muito à vida por ter me dado essa oportunidade de ter passado por aquele processo e chegar aqui já não tão crua para essa história. Porque, da parte da direção e da atuação, esse filme não é um filme fácil”, contou.
Apesar da mudança de protagonistas, a mensagem que acompanha a franquia desde 2006 permanece. Para Glória Pires, a empatia é uma das razões pelas quais a história continua encontrando espaço duas décadas depois.
“É muito importante compreender que uma mesma situação pode ser percebida de maneiras completamente diferentes quando vivida por outra pessoa”, afirmou a atriz.
A ideia de acolhimento e de se colocar no lugar do outro também aparece nas relações entre homens e mulheres retratadas pela franquia.
A nova história também permite discutir a independência feminina por meio de Bia. Para Glória, existe uma riqueza particular em personagens femininas que assumem o controle das próprias escolhas e são donas da própria vida.
Cleo Pires já conhecia o universo da franquia, mas agora assume uma posição central na história. Para construir Bia depois da troca, a atriz precisou observar Rafael Infante e incorporar características específicas de Aquiles.
O desafio, segundo ela, não era simplesmente interpretar um homem, mas reproduzir o personagem construído pelo colega sem transformar a atuação em uma imitação exagerada.
O processo também foi uma oportunidade de voltar à comédia.
Eu adoro fazer comédia. Eu sou muito feliz fazendo comédia, me deixa em um lugar mais leve, mais tranquilo
Rafael enfrentou o mesmo desafio. Para interpretar Bia após a troca, observou os gestos e comportamentos de Cleo e procurou encontrar os detalhes que ajudariam o público a reconhecer a personagem por trás da transformação.
O ator buscou uma atuação que deixasse evidente a mudança provocada pela troca, mas sem transformar a personagem em uma caricatura. A experiência também dialoga com a maneira como Rafael encara a profissão.
“Mesmo tendo uma trajetória mais ligada à comédia, eu procuro buscar com humildade cada novo personagem, e sempre tem a sensação de estar começando algo completamente novo”, conta o ator.
A experiência de Tony Ramos com a troca de corpos começou ainda no primeiro filme. Para construir Cláudio depois de assumir o corpo de Helena, o ator passou cerca de três semanas em ensaios, observando atentamente os detalhes da atuação de Glória Pires. Ela fazia o mesmo com ele.
A preocupação era encontrar o “espírito” do outro personagem. “A gente queria o espírito feminino”, lembrou Tony ao falar sobre a preparação para o primeiro longa.
No terceiro filme, o ator entende que repetir exatamente a dinâmica dos filmes anteriores não seria o melhor caminho. A presença de Cleo e Rafael permite que a franquia preserve sua essência, mas encontre novas situações e conflitos.
Lançado em 2006, “Se Eu Fosse Você” acompanhava a inesperada troca de corpos entre Helena e Cláudio. A sequência chegou aos cinemas em 2009 e novamente colocou o casal diante da mesma situação.
Agora, 17 anos depois do segundo filme, a confusão passa para a geração seguinte. Helena e Cláudio dão espaço para que a filha, Bia, e o marido, Aquiles, enfrentem os efeitos de ocupar o corpo um do outro.
Para Cleo, o intervalo de duas décadas também permite olhar para a própria trajetória. Ao ser questionada sobre o que mudou desde o primeiro filme, a atriz destacou uma relação diferente com as próprias emoções.
Eu acho que hoje eu estou mais paciente, conversando melhor com os meus impulsos
“Se Eu Fosse Você 3” chega aos cinemas brasileiros em 8 de outubro, com direção de Anita Barbosa e roteiro de Leandro Soares.