É comum ainda hoje ouvir a frase: “jogador não pode fazer sexo antes do jogo.” Uma crença que atravessa gerações e continua sendo repetida por torcedores, principalmente nessa época em que o futebol está tão em evidência. Mas será que ela faz sentido?
Como também existe a ideia de que o desejo acaba depois dos 40 anos, ou idosos não tem mais libido e até aquela bem antiga que se o adolescente se auto estimular muito vai crescer pêlo na mão. Vamos lá entender o que é mito e o que é verdade.
Sobre a abstinência sexual antes das competições, essa prática realmente já foi adotada por algumas equipes e atletas. Com o passar do tempo, porém, especialistas e treinadores perceberam que ela não interfere no desempenho esportivo.
Mito: Pesquisas mostram que manter relações sexuais na noite anterior a uma competição não reduz força, potência, resistência ou desempenho físico.
O que pode prejudicar a performance são noitadas com privação de sono, consumo de álcool e desgaste físico decorrentes de uma rotina inadequada — e não o sexo em si. Em alguns casos, inclusive, a atividade sexual pode favorecer o relaxamento e melhorar a qualidade do sono. Essa conclusão é reforçada por duas revisões sistemáticas publicadas nas revistas científicas Frontiers in Physiology (2016) e Scientific Reports (2022), que não encontraram evidências de prejuízo ao desempenho esportivo em decorrência da atividade sexual antes das competições.
Em alguns casos, inclusive, a atividade sexual pode favorecer o relaxamento e melhorar a qualidade do sono. Esse exemplo ilustra como muitos mitos sobre a sexualidade permanecem vivos no imaginário popular, apesar das evidências científicas e podem na verdade prejudicar a saúde.
Vamos dar mais exemplos do que é mito e o que é verdade.
Mito: A adolescência é a fase de maior libido. E cresce pêlos nas mãos quando se tocam.
Parcialmente falso. As alterações hormonais aumentam o interesse sexual nessa fase sim, mas fatores emocionais, autoestima, educação sexual, ansiedade e experiências individuais também exercem grande influência sobre o desejo. Mas a parte de crescer pelos nas mãos é um Mito bem cabeludo.
Verdade: A libido muda durante toda a vida.
Sim. O desejo sexual acompanha as mudanças do corpo, da mente e dos relacionamentos. E fases de estresse, maternidade, paternidade, menopausa, envelhecimento, problemas de saúde e até mudanças na rotina podem aumentar ou diminuir a libido temporariamente.
Mito: Depois que casa o desejo desaparece.
Falso. Muitas pessoas relatam exatamente o contrário. Com maior intimidade, segurança emocional e comunicação com o parceiro, homens e mulheres frequentemente experimentam uma sexualidade mais satisfatória nessa fase da vida. O que acaba é a expectativa que criaram para o casamento, a fantasia diminui com a realidade mas dá espaço para a criatividade.
Verdade: A saúde mental influencia diretamente na libido.
Ansiedade, depressão, estresse crônico, burnout e alguns medicamentos podem reduzir significativamente o desejo sexual. O desejo nasce na imaginação e não no corpo e essas doenças bloqueiam o imaginário. Por isso, cuidar da saúde emocional também significa cuidar da saúde sexual.
Mito: Depois dos filhos não existe mais desejo.
Falso. A queda da libido costuma ser temporária e está relacionada às mudanças hormonais, ao cansaço, à sobrecarga e à adaptação à nova rotina. Quando o casal consegue reorganizar o tempo para a intimidade, divisão de tarefas com o filho, o desejo tende a reaparecer.
Mito: Idosos não têm vida sexual.
Falso.O desejo não tem prazo de validade, lembra que eu falei que ele nasce na cabeça? Mente saudável, desejo ativo, embora ocorram mudanças naturais do envelhecimento, homens e mulheres podem manter uma vida sexual ativa e satisfatória durante toda a vida.
Ao contrário do que muitos imaginam, a libido não depende apenas dos hormônios. Ela é resultado da interação entre fatores biológicos, emocionais, psicológicos, relacionais e sociais.
O que realmente influencia na libido:
*Sono de qualidade
*saúde física
*equilíbrio emocional
*autoestima
*qualidade do relacionamento
*uso de medicamentos
*estilo de vida exercem
*crenças e educação sexual.
* hormônios.
A diminuição da libido merece investigação quando provoca sofrimento, conflitos ou mudanças bruscas. Procure um especialista para te ajudar com essa tarefa. O desejo sexual não segue regras universais nem desaparece com o tempo. Ele se transforma ao longo da vida e reflete muito mais a saúde integral da pessoa.
Sirleide Stinguel é colunista de HZ. As opiniões, análises e recomendações expressas em seus textos são de sua exclusiva responsabilidade e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial de HZ ou da Rede Gazeta.