Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • HZ
  • Viver Bem
  • Muito além da frequência: o que realmente faz uma vida sexual ser saudável no casal
Sirleide Stinguel

Muito além da frequência: o que realmente faz uma vida sexual ser saudável no casal

Frequência sexual não é sinônimo de satisfação: entenda o que realmente importa para construir uma relação íntima saudável

Publicado em 28 de Setembro de 2026 às 10:50

Publicado em 

28 set 2026 às 10:50
Sirleide Stinguel

Colunista

Sirleide Stinguel Sirleide Stinguel
O que realmente faz uma vida sexual ser saudável no casal
O que realmente faz uma vida sexual ser saudável no casal Shutterstock

Mais do que contar quantas vezes um casal transa, é pensar como está o desejo, a intimidade, a comunicação e o prazer dentro dessa relação. Pois o ato pode ser mecânico e não prazeroso para muitos que pensam em quantidade. A inquietação que sempre vejo nos casais vem com a questão de: quantas vezes por semana um casal deveria fazer sexo? A pergunta parece simples, mas tem tantas camadas que pode estar mirando para o lugar errado.


Já percebeu que frequência sexual costuma ser tratada como uma espécie de termômetro do relacionamento? Se o casal transa muito, está tudo bem. Se transa pouco, tem algum problema. E a sensação é que relação é só pautada em sexo e mesmo que fosse, a sexualidade a dois é mais complexa do que uma contagem semanal.


Não existe uma frequência sexual universal que determine se um relacionamento é saudável. Casais podem ter ritmos diferentes ao longo da vida — e até dentro da própria relação. Filhos, trabalho, estresse, alterações hormonais, envelhecimento, problemas de saúde, medicamentos e mudanças na dinâmica do relacionamento podem modificar o desejo e a frequência sexual.


“Uma vida sexual saudável não é necessariamente uma maratona de atividades sexuais. É aquela em que existe espaço para desejo, prazer, consentimento, intimidade e comunicação. O problema aparece quando a vida sexual passa a ser fonte de sofrimento, cobrança ou obrigação”.

A dificuldade persistente ou a ausência de orgasmo, mesmo diante de estímulos adequados, é uma disfunção sexual e se chama anorgasmia
Não existe uma frequência sexual universal que determine se um relacionamento é saudável. Shutterstock
A quantidade não conta toda a história

Uma pesquisa publicada no Journal of Sexual Medicine, com 126 casais jovens, investigou justamente a relação entre frequência sexual, comunicação e satisfação. Os pesquisadores encontraram associação entre frequência sexual e satisfação sexual, mas, quando o assunto era satisfação com o relacionamento, a comunicação sexual teve papel mais importante do que a frequência.


Isso ajuda a desmitificar a ideia : de que existe uma quantidade ideal de sexo que todos os casais deveriam alcançar. Na prática, dois casais podem ter frequências completamente diferentes e, ainda assim, apresentar uma vida sexual satisfatória. O que faz diferença é se os dois estão confortáveis com essa dinâmica.

Imagem Edicase Brasil
Um dos desafios mais comuns dentro dos relacionamentos aparece quando os parceiros possuem níveis diferentes de desejo Shutterstock
E quando os desejos não estão na mesma sintonia?

Um dos desafios mais comuns dentro dos relacionamentos aparece quando os parceiros possuem níveis diferentes de desejo. Um quer mais frequência. O outro, menos. Um gostaria de experimentar coisas novas. O outro prefere manter os mesmos hábitos. Um sente falta de intimidade; o outro não percebe que existe um problema.


A diferença de desejo, é algo comum e por si só, não significa que exista algo errado com um dos parceiros. O problema pode surgir quando essa diferença não consegue ser negociada e passa a produzir rejeição, cobrança, culpa ou mágoa.


O casal não precisa necessariamente ter o mesmo nível de desejo o tempo inteiro. O importante é conseguir conversar sobre a diferença sem transformar o parceiro que deseja menos em ‘problemático’ ou aquele que deseja mais em ‘tarado”.


Quando a relação sexual acontece por prazer, desejo, curiosidade, conexão ou vontade de compartilhar uma experiência, ela tende a ser vivenciada de maneira diferente daquela que acontece por medo de perder o parceiro, para evitar uma discussão ou simplesmente para cumprir uma obrigação. Isso não significa que todo encontro sexual precise começar com um desejo intenso. O desejo pode mudar durante a aproximação e a intimidade. Mas existe uma diferença importante entre dar espaço para o desejo aparecer e sentir-se pressionado a fazer sexo.


O desejo precisa de espaço e infelizmente é comum achar que o desejo sexual precisa aparecer espontaneamente para que o sexo seja bom. Ele pode ser construído, incentivado e até mesmo empurrado. Com conversas, fantasias, leituras, filmes mais sensuais…etc. Em relacionamentos longos, nem sempre o desejo surge espontaneamente. Talvez ele precise de ajuda para aparecer como o contato, o carinho, a conversa, o beijo ou outras formas de intimidade que a pessoa se identifique.


No meu consultório trabalho uma ferramenta com os casais chamada “mapa erótico” onde identifica quais gatilhos ativam psicologicamente cada um dos parceiros e como estimulam. Geralmente o gatilho de um não é o gatilho do outro. 


Também ajuda com a comunicação sexual que na maioria é falha e isso é ótimo, pois temos a oportunidade de compreender que desejo e excitação podem funcionar de maneiras diferentes e que a sexualidade não precisa seguir sempre a mesma sequência. É importante diferenciar ‘não estou com vontade agora, mas tenho abertura para me aproximar e descobrir como me sinto’ de ‘não quero e estou me sentindo pressionada’. São situações completamente diferentes.


Ter uma vida sexual movimentada, saudável não significa necessariamente buscar experiências cada vez mais ousadas e nem transar todos os dias. Significa ter conexão, intimidade suficiente para perguntar ao parceiro o que ele gostaria de experimentar. Falar sobre uma fantasia. Mudar a rotina. Criar um momento de intimidade sem esperar que ele aconteça espontaneamente. Redescobrir o próprio corpo. Experimentar novas formas de carinho.

Imagem Edicase Brasil
Uma vida sexual saudável não é aquela que parece perfeita por fora. GoodStudio | Shutterstock
Afinal, o que caracteriza uma vida sexual saudável?

Mais do que uma determinada frequência, alguns elementos aparecem como importantes para a qualidade da vida sexual:


  • Consentimento: os dois podem escolher participar ou não.
  • Comunicação: existe liberdade para falar sobre sexo.
  • Prazer: o encontro sexual não é centrado apenas na obrigação de satisfazer o outro.
  • Respeito aos limites: fantasias e desejos podem ser conversados sem pressão.
  • Intimidade: existe espaço para conexão emocional e física.
  • Flexibilidade: o casal consegue adaptar a sexualidade às diferentes fases da vida.
  • Curiosidade: existe abertura para descobrir e redescobrir o que funciona para os dois.
  • Ausência de cobrança por uma “performance” sexual: sexo não precisa ser uma prova de amor nem uma obrigação conjugal.


No fim, talvez a pergunta mais interessante não seja “quantas vezes vocês fazem sexo?”, mas sim:


“A vida sexual que vocês têm hoje é a vida sexual que os dois gostariam de ter?”


Se a resposta for não, a questão deixa de ser simplesmente aumentar a frequência. Pode ser necessário entender o que mudou, quais são as necessidades de cada parceiro e o que está impedindo que o casal construa uma sexualidade mais satisfatória.


E, em alguns casos, conversar com um profissional especializado pode ajudar o casal a sair do ciclo de cobrança e encontrar novas formas de negociar desejo, intimidade e prazer.


Porque uma vida sexual saudável não é aquela que parece perfeita por fora.


É aquela em que os dois conseguem encontrar espaço para desejar, conversar, escolher, experimentar, colocar limites e sentir prazer juntos.

Caro leitor

Sirleide Stinguel é colunista de HZ. As opiniões, análises e recomendações expressas em seus textos são de sua exclusiva responsabilidade e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial de HZ ou da Rede Gazeta.

Veja Também 

Vícios silenciosos dentro do relacionamento

Vícios silenciosos dentro do relacionamento: quando o celular, o sexo ou a pornografia ocupam o lugar da intimidade

Casais jovens estão buscando mais terapias de casal

Terapia de casal deixa de ser último recurso e ganha espaço entre os jovens

A dificuldade persistente ou a ausência de orgasmo, mesmo diante de estímulos adequados, é uma disfunção sexual e se chama anorgasmia

Dia Mundial do Orgasmo: entenda a anorgasmia, condição em que o prazer dá lugar ao sofrimento

Sirleide Stinguel Sirleide Stinguel

Sirleide Stinguel

Sirleide Stinguel é especialista em sexualidade humana, pós graduada em terapia sexual na saúde e educação. Graduanda em Psicologia.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Quaest: Lula tem 39% e Flávio, 34% no 1º turno; os dois empatam no 2º turno
Operação aconteceu no Córrego da Cerejeira, zona rural do município
Dois são presos com pistola, drogas e munições em operação em Jaguaré
Mítico relembra infância em Vila Velha e mostra praias e bairros nas redes sociais
Mítico, do Podpah, volta ao ES e relembra infância em Vila Velha nas redes sociais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados