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Morre Béla Tarr, mestre do cinema húngaro e diretor de 'Sátántangó', aos 70 anos

Diretor teve diversas parcerias com o vencedor do Nobel László Krasznahorkai

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 11:11

O cineasta húngaro Béla Tarr, em 2016
O cineasta húngaro Béla Tarr, em 2016 Crédito: Fadel Senna/AFP

Morreu nesta terça-feira, aos 70 anos, o cineasta húngaro Béla Tarr, um dos maiores do seu país, conforme anunciou o diretor Bence Fliegauf à agência de notícias MTI, em nome da família.

O mestre do cinema húngaro, que morreu após enfrentar uma longa doença, é conhecido por suas obras complexas e sombrias. Com um preto e branco que destaca as nuances de luz e sombra, ficou célebre pelo seu ritmo lento e melancólico. A filmografia de Tarr enfoca o indivíduo sob as forças de opressão, da política à natureza, e traduz seu pessimismo na forma de quadros vivos de sufocante beleza.

O destaque na sua obra vai para "Sátántangó", de 1994, um filme de sete horas sobre o colapso do comunismo na Europa Oriental e seu declínio material e espiritual a partir da vida num vilarejo em ruínas.

O longa é uma adaptação do romance de mesmo nome, de 1985, do ganhador do Nobel de Literatura do ano passado, László Krasznahorkai, com quem Tarr colaborou em diversas ocasiões.

Com vários habilidosos planos-sequência —isto é, de tomadas sem cortes, que podem se estender por vários minutos—, Tarr absorveu e traduziu a linguagem complexa do escritor e a recriou no cinema com seu estilo particular. Sagrou-se como um dos grandes pensadores do plano cinematográfico, daquilo que se vê entre dois cortes.

Depois de "Sátántangó", o livro "The Melancholy of Resistance" —ou a melancolia da resistência, sem tradução no Brasil— rendeu o filme "A Harmonia Werckmeister", de 2000. Em 2007, colaboram juntos em "O Homem de Londres", adaptando dessa vez um romance do belga Georges Simenon. Com Tilda Swinton no elenco, o filme acompanha o controlador de uma estação de trem que presencia um assassinato e, sem querer, assusta o criminoso ao abrir uma porta e se depara com uma mala de dinheiro.

A última parceria entre os dois foi em "O Cavalo de Turin", de 2011, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, e que Tarr anunciou, à época, como sua aposentadoria. No filme, há um homem, o dono do cavalo, que mora com sua filha numa casa isolada. Eles vivem quase sem contato com a humanidade e parecem esperar alguma coisa.

Mas ele —considerado um dos maiores cineastas dos últimos 40 anos, e reverenciado por nomes como Gus Van Sant e Susan Sontag— seguia produzindo longas e curtas de outros diretores, além de ter montado a videoinstalação "Missing People", em 2019, na Berlinale.

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