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Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 12:00
Imagine a cena: uma casa de praia, o clima festivo de ano novo e, no centro da cozinha, uma disputa culinária que escalou para um debate sociopolítico de proporções históricas. >
No videocast "Não Importa", Gregório Duvivier relembrou ao apresentador João Vicente uma verdadeira "torta de climão" (ou melhor, uma moqueca de climão) que presenciou entre duas amigas, uma baiana e uma de Vitória, durante um Réveillon. >
A confusão começou quando decidiram preparar uma moqueca. Sem saber que a outra amiga era capixaba, a baiana disparou críticas pesadas à versão do prato feita no Espírito Santo. >
Segundo o relato de Gregório, ela descreveu a moqueca capixaba como uma "moqueca branqueada", alegando que a ausência de dendê seria um reflexo de um suposto apagamento cultural em um estado que ela classificou como "mais branco e italiano".>
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Gregório, que sabia da origem da amiga capixaba, assistiu a tudo de camarote, prevendo a explosão iminente enquanto a baiana chamava o prato capixaba de "negócio sem dendê".>
A resposta da amiga capixaba não tardou e veio carregada de argumentos históricos e linguísticos. Ela defendeu que a verdadeira moqueca é a do Espírito Santo, pois a palavra deriva do termo indígena "moquém", que significa "assar”. >
O argumento central foi uma reviravolta histórica: o dendê, ingrediente indispensável na Bahia, não existia no Brasil antes da chegada dos portugueses, sendo uma "espécie invasora" trazida da África para a monocultura. Assim, a moqueca capixaba seria a herdeira direta da tecnologia indígena, anterior à influência europeia e africana no prato.>
No meio desse fogo cruzado, Duvivier admitiu que, embora entenda a defesa histórica da etimologia indígena, seu paladar ainda prefere o lado da Bahia. Para ele, o dendê é o sabor característico que define o que ele entende por moqueca, admitindo que a versão capixaba é "mais leve" e muitas vezes chamada pejorativamente pelos baianos de apenas uma "peixada". >
Apesar da preferência sensorial, Gregório concluiu com uma reflexão sobre a importância de celebrar o "moquém" como um legado indígena, reconhecendo que tanto a cultura africana quanto a indígena sofrem fortes apagamentos no Brasil.>
A história repercutiu nas redes sociais e arrancou muitas risadas nos comentários. Discutir a moqueca entre Bahia e Espírito Santo é como debater sobre Vasco e Flamengo. Mas, como bom capixaba, HZ fica do lado da moqueca verdadeira (a do ES, é claro rs). >
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