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Após debochar de Preta Gil em missa, padre faz acordo com MPF e evita ação

O padre Danilo César, denunciado por intolerância religiosa por conta de uma fala sobre Preta Gil durante uma missa transmitida online

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 10:17

Padre citou Preta Gil após sua morte e ironizou religiões de matriz africana em 2025
Padre citou Preta Gil após sua morte e ironizou religiões de matriz africana em 2025 Crédito: Reprodução/ UOL

O padre Danilo César firmou um acordo com o Ministério Público Federal para não responder criminalmente por intolerância religiosa com Preta Gil. Ele foi denunciado no ano passado após questionar, durante uma missa no Agreste da Paraíba, "por que os orixás não teriam ressuscitado Preta Gil".

De acordo com a homologação da juíza federal Cristiane Mendonça Lage, obtida pela reportagem, o pároco assinou um termo de confissão sobre a conduta considerada discriminatória. Com isso, comprometeu-se a cumprir uma série de medidas educativas para evitar a retomada do processo.

Entre as exigências estão a realização de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa e a produção de resenhas sobre obras relacionadas ao tema. Ele ainda fará o pagamento de uma prestação pecuniária de R$ 4.863, destinada a uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes.

O acordo também determina que o padre participe de um ato inter-religioso, ao lado de representantes da Igreja Católica e de religiões de matriz africana, com a presença de integrantes da família de Preta Gil, em João Pessoa.

Caso descumpra as condições, o documento assinado no acordo com a MPF poderá ser usado como prova em uma eventual reabertura da ação penal.

Além da atuação do MPF, Gilberto Gil enviou uma notificação extrajudicial à Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia de Areial, e ao padre Danilo César, cobrando uma retratação pública pelas declarações.

A reportagem entrou em contato com a defesa do padre e a Diocese de Campina Grande para colher um posicionamento. O texto será atualizado assim que houver manifestação.

CONFIRA OS COMPROMISSOS FIRMADOS PELO PADRE EM ACORDO COM O MPF

- Produzir resenhas manuscritas das obras "A Justiça e a Mulher Negra" (Lívia Santana) e "Cultos Afro-Paraibanos" (Valdir Lima) e do documentário Obatalá, o Pai da Criação;

- Concluir 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, com certificados reconhecidos, inclusive a distância;

- Entregar as três resenhas e comprovar ao menos 20 horas de cursos até o fim de junho;

- Efetuar o pagamento de R$ 4.863 à AACADE, por Pix, no prazo de cinco dias;

- Participar obrigatoriamente de um encontro inter-religioso, articulado com o MPF, com representantes de diferentes crenças e familiares de Gilberto Gil.

ENTENDA O CASO

Durante a pregação da homilia em julho de 2025, o padre puxou discurso de que "Deus sabe o que faz" de melhor aos fiéis. Para confirmar sua declaração, ele menciona Preta Gil, que morreu no último dia 20 de julho, com teor irônico as religiões de matriz africana.

"Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?", disse o padre.

O sacerdote ainda declarou que torce para que "o diabo leve" os cristãos que procuram "coisas ocultas."E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte, quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer".

"Tem gente que não vai aqui, mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha", afirmou o padre.

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