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De olho no Hexa

Japão: 4 curiosidades sobre o adversário do Brasil no mata-mata da Copa

Muito além dos animes e da culinária, a terra do sol nascente guarda histórias, curiosidades e ligações únicas com o Brasil
Da Redação*

Publicado em 29 de Junho de 2026 às 12:55

Vista do pôr do sol do pagode do templo de Kiyomizu dera emoldurado por flores de cerejeira em Quioto, Japão.
Vista do pôr do sol do pagode do templo de Kiyomizu dera emoldurado por flores de cerejeira em Quioto, Japão. Shutterstock

Depois de vencer a Escócia por 3x0 e se classificar em primeiro lugar no Grupo C, o Brasil volta a campo nesta segunda-feira (29), às 14h (de Brasília), em Houston, no Texas, para enfrentar o Japão na primeira fase do mata-mata da Copa do Mundo de 2026. Embora a culinária, os animes e a tecnologia já sejam velhos conhecidos dos brasileiros, esse país a mais de 17 mil km de distância do Brasil tem curiosidades que vão desde o vínculo com um ídolo do futebol brasileiro a uma história de imigração ainda pouco conhecida por aqui.

O país que dorme sobre um dos territórios mais instáveis do mundo

Monte Fuji, no Japão
Monte Fuji, no Japão Shutterstock

“Geografia e cultura se entrelaçam de forma poética e implacável em solo japonês. O Monte Fuji, como é conhecido o pico mais alto do Japão, é a prova viva de que uma montanha pode carregar o peso de séculos de devoção. Com seus 3.776 metros, o Fuji não é apenas o ponto mais alto do arquipélago, mas um símbolo sagrado que vem inspirando artistas e peregrinos ao longo dos séculos”, explica o professor de geografia Eduardo Berkenbrock Lopes.


E, embora sua beleza seja muito cantada por turistas e japoneses, o Fuji é também um vulcão adormecido e tem, portanto, também um forte potencial de destruição. Sua última erupção registrada foi em 1707, expelindo 800 milhões de m³ de cinzas, que cobriram vastas áreas, além de causar deslizamentos, inundações, crise alimentar e problemas de saúde em uma grande parte da população japonesa. É uma lembrança silenciosa de que o país inteiro repousa sobre o Círculo de Fogo do Pacífico, a região mais instável da crosta terrestre.

Climas para todos os gostos

Imagem Edicase Brasil
Na primavera, o Japão é dominado pelas sakuras, também conhecidas como cerejeiras em flor  Sean Pavone | Shutterstock

A geografia do Japão não se resume ao seu famoso vulcão. O país é, na verdade, um arquipélago de mais de 6,8 mil ilhas, que se estende por 2,8 mil km de norte a sul. “No norte, Hokkaido, por exemplo, enfrenta invernos rigorosos. Essa região é muito próxima à Rússia e, por isso, já chegou a registrar temperaturas de -41ºC. Enquanto isso, no sul, cidades como Okinawa são conhecidas por seu clima subtropical, com média anual de 22°C, o que mostra os muitos contrastes da geografia local”, pontua Lopes.


Mais de 70% do território japonês são cobertos por florestas e montanhas, o que o torna uma das nações mais arborizadas do mundo. Já a população está majoritariamente concentrada em poucas planícies costeiras, como a de Kanto, onde está situada a megalópole de Tóquio, capital japonesa. 

O navio russo que trouxe os primeiros japoneses ao Brasil

O navio Kasato Maru, que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil
O navio Kasato Maru, que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil Fonte: Agência Senado / Domínio público

Quando a primeira grande leva de imigrantes japoneses chegou ao Brasil, em 1908, o navio que os trouxe não era japonês. O Kasato Maru era um navio a vapor russo, batizado Kazan, que foi usado como navio-hospital durante a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Ao final do conflito, a embarcação foi entregue ao Japão como parte da indenização de guerra, e, anos depois, viraria o símbolo da ligação entre os dois países, ao desembarcar 781 imigrantes japoneses no porto de Santos.


"É uma curiosidade que diz muito sobre como a história é feita de acasos. Uma embarcação de guerra russa, que era parte de um conflito asiático, terminou sendo decisiva para a formação de uma das maiores comunidades de imigrantes do Brasil. Hoje, abrigamos a maior população de descendentes japoneses fora do Japão, e boa parte dessa história começou justamente por esse fato inusitado. Um navio que não era nem russo, nem japonês, nem brasileiro, mas que uniu as três histórias", conta o especialista em história Juliano Costa.

Zico e o futebol japonês

Em “Zico, o Samurai de Quintino”, a trajetória do ídolo revela os bastidores de uma carreira histórica no futebol (Imagem: Reprodução digital | Downtown Filmes)
Em “Zico, o Samurai de Quintino”, a trajetória do ídolo revela os bastidores de uma carreira histórica no futebol Imagem: Reprodução digital | Downtown Filmes

Ídolo do Flamengo, tetracampeão brasileiro, vencedor da Libertadores e de um Mundial de clubes. A genialidade de Zico é indiscutível e sua influência não se resume apenas aos títulos que conquistou. 


Quando chegou ao Japão, em 1991, para jogar pelo Kashima Antlers - que, na época, se chamava Sumitomo Metal -, o futebol local ainda era semi-amador, muito diferente do profissionalismo que já era realidade na Europa e na América do Sul. Zico já havia se aposentado, mas aceitou o desafio de jogar na equipe japonesa, onde atuou como jogador até 1994 e ajudou a plantar a semente daquela que viria a ser a J-League, criada em 1993.


Mais tarde, assumiu como técnico do clube e, em 2002, passou a ser técnico da seleção japonesa, cargo no qual ficou até 2006, com conquistas importantes como a Copa da Ásia, em 2004, e a classificação para a Copa do Mundo de 2006. 


A importância de Zico, no entanto, transcendeu as linhas do campo: ele introduziu uma mentalidade profissional, uma seriedade tática e uma cultura de trabalho no futebol que eram desconhecidas para os japoneses. Sua influência foi tão profunda que, até hoje, ele é reverenciado como “Sakka no Kami-sama” (o Deus do Futebol) e sua estátua em frente ao estádio do Kashima é um testemunho eterno de um legado que inspirou gerações de craques japoneses e colocou o país no mapa do futebol mundial.

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