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Opinião

“O Último Azul”: crítica exalta Rodrigo Santoro, mas o filme é muito mais do que ele

O longa anuncia Santoro como chamariz, mas é Denise Weinberg quem entrega uma atuação brilhante e conduz uma história de amizade e reinvenção na velhice
Aline Almeida

Publicado em 06 de Setembro de 2025 às 11:00

Cena do filme ‘O Último Azul’
 ‘O Último Azul’ é uma obra de beleza visual e potência simbólica rara Crédito: Guillermo Garza / Desvia / Divulgação
Gabriel Mascaro, cineasta conhecido por explorar os limites entre corpo, desejo e política em “Boi Neon” (2015) e “Divino Amor” (2019), entrega em “O Último Azul" uma obra de beleza visual e potência simbólica rara. Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, o filme se passa em uma distopia amazônica onde idosos são isolados pelo Estado. É nesse cenário que acompanhamos Tereza (Denise Weinberg), 77 anos, em fuga para realizar um sonho.
O filme surpreende logo pela fotografia exuberante: a Amazônia não é apenas pano de fundo, ela faz parte da história. Os rios, a floresta, a paleta de cores e os sons criam uma atmosfera incrível na narrativa. A direção transforma a paisagem em espelho da protagonista: sinuosa, resistente, cheia de curvas e desvios.
Denise Weinberg em cena do filme 'O Último Azul'
Denise Weinberg em cena do filme 'O Último Azul' Crédito: Vitrine Filmes / Reprodução
Denise Weinberg entrega uma atuação memorável. Sua Tereza não é caricatura da fragilidade, mas sim de um corpo inquieto, curioso, desejante, que encara desafios e se lança em aventuras improváveis. O filme recusa a visão estereotipada da velhice como decadência ou nostalgia e aposta em uma história de redescoberta, aprendizado e transformação.
Muito se falou sobre Rodrigo Santoro, que, de fato, impressiona com uma interpretação diferente de todos os seus trabalhos anteriores. O problema é que o marketing do filme concentrou os holofotes sobre sua participação, dando a impressão de que seria protagonista. Na prática, ele aparece pouco e sua função é mais de chave narrativa do que de centro dramático. Isso acaba ofuscando outras relações fundamentais da trama, como a que Tereza estabelece com Roberta (Miriam Socarrás).
As atrizes Denise Weinberg e Miriam Socarrás em 'O Último Azul'
As atrizes Denise Weinberg e Miriam Socarrás em 'O Último Azul' Crédito: Vitrine Filmes / Reprodução
A amizade entre Tereza e Roberta é talvez o ponto mais bonito do filme e, infelizmente, pouco destacado pela crítica. As duas criam uma parceria linda, quase de sobrevivência, que mostra como a amizade também salva, que o amor da nossa vida pode ser um amor não romântico, pode ser o amor de uma amizade. Roberta encontra em Tereza uma alegria de viver que já havia perdido, e juntas elas constroem uma força que dá sentido à fuga e à jornada.
Esse eixo entre mulheres é essencial para compreender o gesto político e afetivo de O Último Azul. O filme fala sobre etarismo, mas vai além: mostra que envelhecer não significa se conformar, e sim manter a capacidade de desejar, reinventar-se e seguir aberto à vida.
Ao final, o voo de Tereza transcende o literal: é metáfora de emancipação. Não se trata apenas de um futuro distópico, mas de um desvio do presente que vivemos, um alerta para os mecanismos de controle e exclusão que já estão entre nós. Mascaro entrega uma obra lírica, dura e vital, que celebra a resistência e a capacidade de sonhar em qualquer idade.

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