O cantor e compositor jamaicano Jimmy Cliff, um dos nomes mais influentes da história do reggae, morreu aos 81 anos, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira (24) em sua conta oficial no Instagram. Em 1984, o artista viveu um momento inesquecível no Espírito Santo: desembarcou em Vitória e foi recebido pela banda de congo Amores da Lua, com quem caiu na dança ainda no saguão do aeroporto, chegando até a arriscar tocar triângulo. Na época, um dos integrantes do grupo disse à TV Gazeta que o músico deu um show de simpatia.
A nota sobre a morte, assinada pela esposa, Latifa, informa que Jimmy Cliff “cruzou para o outro lado após uma convulsão seguida de pneumonia”. No comunicado, ela agradece familiares, amigos, artistas, colegas de trabalho e fãs que acompanharam a trajetória do músico.
“Seu apoio foi sua força ao longo de toda a carreira. Ele apreciava profundamente cada fã”, escreveu. Latifa também mencionou o trabalho do Dr. Couceyro e da equipe médica que cuidou do cantor durante o período crítico.
Toda essa empolgação na verdade deu ainda mais ânimo para os fãs do Espírito Santo, e de outros lugares do Brasil, que estavam ansiosos para o show do jamaicano em terras capixabas. Foi no dia 1º de fevereiro que esse dia entraria para a história, afinal, cerca de 15 mil pessoas foram curtir muito reggae no Ginásio Álvares Cabral, em Vitória.
E antes das duas horas de show prometidas por Cliff, a banda Paralamas do Sucesso foi a grande responsável por abrir o evento. Na época, os donos do hit “Uma Brasileira” ainda estavam começando sua trajetória. E claro, deixaram a noite ainda mais animada.
Depois foi a vez de Jimmy Cliff envolver os capixabas com seus maiores sucessos, como “Love Is All”, “She’s a Woman”, “Black Bless” e “Reggae Night”. O cantor, que tinha 41 anos na época, ainda cantou clássicos do reggae, como “No, Woman, No Cry”, do eterno Bob Marley, e também a versão de “Roots Radicals”, da banda Rancid.
Um dos pontos altos do show foi quando Jimmy cantou com a camisa do time de futebol capixaba Rio Branco. Quem acompanhou o músico durante a turnê no Brasil foi a banda Oneness. Hoje, Cliff tem 80 anos e conta na bagagem de sucesso com 31 álbuns, sendo um deles intitulado “Jimmy Cliff in Brazil”, de 1968.
SOBRE JIMMY CLIFF
Nascido James Chambers em 1º de abril de 1944 em St. James, na Jamaica, Jimmy Cliff é um dos maiores ícones do reggae mundial. Com sua voz inconfundível e letras que misturam espiritualidade, protesto e celebração da vida, ele ajudou a levar a música jamaicana a uma audiência global, tornando-se um dos pilares do gênero ao lado de Bob Marley.
Desde jovem, Cliff mostrou talento para a música, compondo suas primeiras canções ainda na adolescência. Ele foi descoberto pelo produtor Leslie Kong, e seu primeiro sucesso, "Hurricane Hattie", lançado em 1962, abriu as portas para sua carreira internacional. Mas foi nos anos 1970 que ele alcançou fama mundial, com a trilha sonora do filme "The Harder They Come", no qual também atuou como protagonista. O álbum trouxe clássicos como "You Can Get It If You Really Want" e a icônica "Many Rivers to Cross", consolidando-o como uma estrela global.
Além de sua carreira musical, Cliff tem um papel significativo como embaixador cultural. Ele foi um dos primeiros artistas jamaicanos a popularizar o reggae fora do Caribe, influenciando movimentos musicais como o ska e o rocksteady. Sua música transcende fronteiras culturais e gerações, abordando temas de amor, liberdade e justiça social.