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Arte

Do hobby à profissão: ilustradores capixabas falam sobre criação e seus desafios

Com trabalhos que vão de livros infantis a projetos autorais, artistas constroem carreira e transformam referências culturais em narrativas visuais
Julia Galter

Publicado em 22 de Março de 2026 às 09:01

Lisye tem seu trabalho influenciado pelo universo infantil
Lisye tem seu trabalho influenciado pelo universo infantil Crédito: Lisye Freire / Acervo pessoal

"Muitas pessoas enxergam a ilustração apenas como um desenho bonito". Assim a ilustradora capixaba Lisye Freire destaca parte da sua profissão, ressaltando que por trás de cada imagem existe pesquisa, conceito, tempo de desenvolvimento e experiência profissional.

Seja em meio a papéis cheios de rabiscos, tablets com canetas digitais ou em murais que colorem a cidade, a ilustração tem conquistado cada vez mais espaço no Espírito Santo. Por trás dos traços estão artistas que transformam referências do cotidiano, da cultura pop e da própria identidade capixaba em imagens que circulam pelas redes sociais, exposições e projetos culturais.

Para muitos ilustradores, o caminho até transformar a arte em profissão mistura paixão e persistência. O processo criativo costuma começar com referências variadas, e a partir daí surgem personagens, cenários e narrativas visuais que refletem tanto influências globais quanto elementos locais.

Lisye conta que sempre teve fascínio pela arte, mas por muito tempo o desenho era só um hobby, já que a ilustração não era tão reconhecida como profissão. Foi na pandemia que sua trajetória mudou.

A infância da minha filha e seu universo acabaram me guiando naturalmente para a literatura infantil, e a partir daí decidi retornar ao desenho com mais seriedade, transformando essa habilidade em profissão

Hoje, o foco principal de Lisye é a ilustração de livros infantis, tendo seu trabalho marcado por cores intensas, texturas e técnicas que combinam o tradicional e o digital. Para ela, é isso que mantém o aspecto tradicional em suas produções.

Processo criativo de Lisye começa com leitura de interpretação, para que ela entenda bem sobre a história a ser produzida
Processo criativo de Lisye começa com leitura de interpretação, para que ela entenda bem sobre a história a ser produzida Crédito: Lisye Freire / Acervo pessoal

Apesar do crescimento da cena, os ilustradores ainda enfrentam desafios. A valorização profissional, a precificação do trabalho artístico e a busca por oportunidades no mercado são temas recorrentes entre quem atua na área.

"O espaço ainda é limitado"

Já para a ilustradora Bárbara Satler, o espaço ainda é limitado. Ela acredita que, apesar de marcas e estabelecimentos contratarem artistas para algumas produções, apenas os mais conhecidos ocupam esses locais.

Alguns clientes não entendem a complexidade de um trabalho manual, tratam como se fosse um simples prompt de IA, mas dependendo da etapa do projeto, qualquer 'ajuste' significa refazer todo o trabalho
Ilustrações de Bárbara
Ilustrações de Bárbara Crédito: Bárbara Satler / Acervo pessoal

Por outro lado, com o avanço das redes sociais, os ilustradores conseguem oportunidades no exterior, por exemplo. "Divulgar o nosso trabalho se torna mais uma tarefa, mas ainda assim vale muito a pena. O lado negativo é que esse ambiente também facilita a comparação", contou.

Para a artista, que tem um estilo mais vintage e influenciado por papéis de carta que colecionava quando criança, os projetos que mais procuram ilustradores hoje em dia são publicidades, criação de livros e redes sociais. Ela ainda reforça que há presença de ilustradores na criação de estampas para roupas, identidade de marca e rebranding, por exemplo. 

Mais do que apenas imagens, as ilustrações carregam histórias, emoções e pontos de vista. Em cada traço, os artistas capixabas seguem mostrando que a criatividade também é uma forma de narrar o mundo.

Conheça ilustradores capixabas

Lisye Freira (@lisyefreireink)
Bárbara Satler Amorim (@barbsatler)
Léo Vargas (@leowv)
Brenda Moreira (@brendismoreira)
André Nucci (@andrenucci84)
Julia Paternostro (@juliapasternostro)
Rayan Casagrande (@rayancasagrande)

- As indicações não traduzem, necessariamente, a opinião de HZ.

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