“Pertencimento” é uma palavra que ganha ainda mais significado durante o Mês do Orgulho. Em um período dedicado ao debate sobre diversidade e inclusão, celebrar em espaços onde as pessoas, especialmente as da comunidade LGBTQIAPN+, possam se sentir seguras, respeitadas e acolhidas faz toda a diferença.
Pensando nisso, HZ conversou com frequentadores e representantes de casas de show para entender como a cena noturna capixaba tem se tornado mais receptiva à comunidade queer.
Conhecidos por promoverem festas em que o preconceito não tem espaço, esses estabelecimentos apostam em ambientes inclusivos, onde a diversidade é celebrada e o respeito é regra.
Bolt - Vitória
Sem dúvida, uma das baladas mais conhecidas pelo público LGBT capixaba é a Bolt. Localizada em Jardim da Penha, a casa de shows conta com uma programação que acontece de quinta a domingo, e possui festas temáticas da cultura pop.
Os temas podem ser gerais de músicas que estão bombando, ou específicas de um gênero musical, lançamentos de artistas ou comemorações para assistir reality shows, dentre outros rolês.
Henrique Albino é um dos frequentadores da Bolt. A primeira vez que foi à casa aconteceu em 2023 e, desde então, voltou diversas vezes por enxergar o espaço como um ambiente voltado à comunidade LGBTQIAPN+, onde se sente acolhido para estar com os amigos e aproveitar a música.
O estudante conta que já fez novas amizades na balada e destaca que, por ser um espaço pensado para o público queer, sempre se sentiu seguro para curtir a noite sem receio de sofrer preconceito.
Ela (Bolt) é uma das poucas boates queer que temos na região metropolitana da Grande Vitória, então ela carrega um papel importante para manutenção da comunidade LGBT capixaba
Henrique Albino Estudante
Outro consumidor de casas que concorda com esse pensamento é o analista Jhonatan Merlo.
Eu já fui no RJ, SP, e fiquei surpreso que por lá a comunidade LGBT+ tem muitas opções, e não se resume somente a baladas. Mas trazendo para realidade política do ES, eu nem imagino os desafios de realizar eventos para comunidade, e ainda fazer a comunidade participar
Jhonatan Merlo. Analista
Selva - Vitória
Outra casa conhecida pela comunidade é A Selva. Localizado no Centro de Vitória, o espaço é conhecido por ser uma das principais opções de eventos no bairro. Aberta em 2023, a casa além de realizar as festas, também atua na cena de produção cultural capixaba, surgindo desde o início com o intuito de criar um espaço de respeito à comunidade da região.
Os eventos que acontecem na Selva seguem no estilo mais procurado pelo público LGBT, com festas de temas pop, temáticas de artistas, funk, eletrônico, karaokê, além de contar com seu clássico karaokê. E foi justamente esse espaço de música que atraiu um dos seus frequentadores assíduos.
Pedro Augusto Dias é estudante e, sempre que pode, vai em rolês na Selva. Morador do Centro de Vitória, ele conta que a primeira vez decidiu ir na casa de shows foi logo após o período de quarentena.
São sempre experiências muito boas. Fora as amizades que você acaba levando, sabe? Porque querendo ou não, no dia a dia, a gente trabalha muito. Então são nesses momentos que dá para relaxar um pouco
Pedro Augusto Dias Estudante
Para Daniel Temponi, produtor da A Selva, ser um espaço onde o público LGBTQIAPN+ se sinta pertencente significa garantir que essas pessoas não precisem estar em constante estado de alerta durante uma noite de diversão.
"Significa poder demonstrar afeto sem medo, vestir o que quiser, ser chamado pelo nome com o qual se identifica e saber que existe uma equipe preparada para garantir que a diversão aconteça com segurança. Nós não apenas 'aceitamos' o público LGBTQIAPN+; este é um espaço construído por eles e para eles", afirma o produtor.
Correria Music Bar - Vila Velha
Um caso diferente acontece em Vila Velha. A casa que fica na Praia da Itaparica nasceu com intuito de abranger o público rockeiro e alternativo em 2008, e devido a pouca quantidade de espaços que abraçassem esse nicho, a comunidade queer interessada nesse estilo sentiu que ali estaria segura para frequentar o Correria.
As festas de rock e alternativas continuam sendo o carro-chefe do estabelecimento, porém outros tipos agora fazem parte da programação da casa, como anos 2000, funk, pagode, musicais, forró, eletrônica e outros.
Paulo César Carvalho, dono do Correria, comenta que mesmo o espaço nascendo com o objetivo de atrair os amantes do rock, o estabelecimento nunca foi pensado em atender apenas esse público, e vê de forma muito positiva que durante o tempo o público LGBT abraçou também a casa.
“Eu fico feliz. Bom que a galera se sente bem aqui, se está frequentando é porque se sente bem aqui”, comenta o proprietário.
E um dos novos frequentadores da casa é justamente Jhonatan Merlo, que já mencionamos na matéria. Ele comenta que foi pela primeira vez na balada neste ano, e revelou que, logo de início, teve um certo receio em curtir no Correria.
Apesar da primeira impressão, acabou gostando do espaço justamente no momento que percebeu que não existe em sua concepção “rolês só de hétero” ou “só LGBT”.
Foi legal fazer amizades no Correria. Era um local que nunca imaginei ir. Esses eventos atípicos unem principalmente o público LGBT+ da região de Vila Velha. Se quisermos dançar, fazer amizades e flertar, temos que ir a lugares que nos sentimos bem
Jhonatan Analista