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Celebração do outono: período é favorável para colheita interior

Estação lembra que a verdadeira fartura não está apenas no que recebemos, mas no que aprendemos

Publicado em 20 de março de 2026 às 11:54

Celebração Mabon simboliza equilíbrio, gratidão e o fechamento de um ciclo de crescimento (Imagem: Nakaya | Shutterstock)
Celebração Mabon simboliza equilíbrio, gratidão e o fechamento de um ciclo de crescimento Crédito: Imagem: Nakaya | Shutterstock

Na Roda do Tempo, chega mais um outono em nossas vidas. Período em que, novamente, luz e escuridão se equilibram. Neste ano de 2026, acontece na quinta-feira, 20 de março, às 11h46. É um momento em que o dia e a noite têm a mesma duração, simbolizando equilíbrio, gratidão e o fechamento de um ciclo de crescimento. É também o início do ano astrológico, com o Sol entrando em Áries.

Uma inspiração da mitologia celta galesa, nomeia esta data em celebração com o nome “Mabon”, em que encontramos a figura de Mabon ap Modron — cujo nome significa “Filho da Mãe”. Conta-se que ele foi retirado de sua mãe logo após o nascimento e mantido cativo até ser finalmente resgatado. Sua história carrega a força simbólica do Sol jovem, da fertilidade e da colheita , representando o eterno movimento entre nascimento, ausência e retorno.

Esse mito ecoa o próprio mistério do ciclo da vida, tornando-se uma chave simbólica para compreender a celebração de Mabon. É um lembrete de que toda luz, mesmo quando parece ausente, prepara seu momento de retorno.

Segunda grande colheita

No outono, temos a segunda grande colheita. Se na primavera plantamos intenções e no verão vimos o auge da luz, agora contemplamos aquilo que amadureceu. Os campos oferecem seus frutos, as árvores começam a liberar suas folhas e a Terra começa seu recolhimento silencioso.

É o tempo da maturidade. O instante em que a natureza nos ensina que a última colheita antes do inverno é sagrada, e que preparar-se para o tempo de pouca luz que virá faz parte do equilíbrio cíclico da natureza.

Cada fruto carrega não apenas alimento, mas memória: o calor que o fortaleceu, as chuvas que o sustentaram, o tempo que o moldou. Assim também somos nós: tudo o que vivemos deixa marcas, ensinamentos e sabores.

Ao celebrarmos o outono, honramos a dança contínua entre abundância e entrega, crescimento e recolhimento, luz e sombra (Imagem: ju_see | Shutterstock)
Ao celebrarmos o outono, honramos a dança contínua entre abundância e entrega, crescimento e recolhimento, luz e sombra Crédito: Imagem: ju_see | Shutterstock

Uma tradição ancestral de gratidão

A celebração do período de colheita é ancestral em diversas culturas. Povos antigos honravam esse momento como tempo de agradecimento pela abundância recebida e de preparação para o período de introspecção que se aproximava.

A Terra começa a recolher-se, e nós também podemos nos voltar para dentro. É tempo de agradecer o que floresceu, aceitar o que não prosperou e reconhecer a sabedoria adquirida. O outono fala de responsabilidade, maturidade e consciência. Fala da beleza que existe na transição, no desapego sereno, na preparação silenciosa.

Assim, ao celebrarmos o outono, honramos a dança contínua entre abundância e entrega, crescimento e recolhimento, luz e sombra. É um lembrete de que cada ciclo traz sua colheita — e que a verdadeira abundância não está apenas no que recebemos, mas naquilo que aprendemos ao longo do caminho.

E você? Já reconheceu quais frutos amadureceram em sua vida? Já agradeceu pelas colheitas visíveis e invisíveis? O que está pronto para ser recolhido — e o que precisa ser deixado cair como folha ao vento? Os ciclos da natureza estão dentro de nós e, em última instância, somos seus frutos.

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