Publicado em 27 de junho de 2024 às 11:43
A casa de praia é um refúgio, proporcionando um local relaxante para descansar e desfrutar das maravilhas do mar. No entanto, o ambiente marítimo pode causar danos significativos aos elementos da casa, desde a estrutura principal até os detalhes decorativos. >
“As casas de praia, constantemente expostas aos efeitos corrosivos da maresia, à intensidade dos raios solares e aos ventos fortes, característicos do litoral, demandam escolhas e soluções arquitetônicas e decorativas que envolvam durabilidade e estética”, explicam as arquitetas Ieda e Carina Korman, à frente do escritório Korman Arquitetos. >
Construir uma casa de praia é um exercício de equilíbrio entre estilo e funcionalidade, estética e obstinação. Para Carina Korman, com uma especificação cuidadosa é possível conceber uma morada que não apenas encantará aos olhos, mas que também enfrentará os desafios impostos pelo ambiente marítimo. Entre eles, ela pontua alguns: >
Sob o calor implacável do sol, a exposição prolongada pode causar danos aos materiais de construção como descoloração, deterioração prematura e até mesmo comprometimento estrutural. Carina Korman reforça que pinturas e revestimentos da superfície externa são especialmente os mais vulneráveis à ação dos raios UV. >
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“Com o passar do tempo, as cores perdem seu brilho original, da mesma forma que a madeira não tratada pode rachar e deformar”, explica. Além disso, o impacto dos raios solares resulta no ressecamento e possível quebra de materiais plásticos e móveis externos – quando não apresentam os atributos certos. >
Para tanto, a profissional da Korman Arquitetos diz que para minimizar os efeitos é importante selecionar materiais com propriedades UV resistentes e aplicar revestimentos protetores que ajudem a preservar a integridade estética dos elementos construtivos. >
Quando houver madeira, é preferível comprar do tipo tratada e coberturas protetoras como vernizes e selantes. “Essas são medidas preventivas essenciais para prolongar a vida útil”, diz Carina. Ela também recomenda evitar o uso de vidro comum, materiais não oxidáveis, como latão e cobre, e materiais plásticos baratos, como PVC e polímeros. >
Outra preocupação está relacionada ao aumento da temperatura interna da casa. “Superfícies escuras, como telhados e pavimentos de concreto, tendem a absorver mais calor solar, ocasionando ambientes internos desconfortavelmente quentes”, alerta a arquiteta Carina Korman. Por isso, ela dá como solução a instalação de telhados refletivos e o emprego de materiais de pavimentação de cor clara. >
Definitivamente, um dos maiores problemas de quem vive em casa de praia. À mercê da proximidade com o mar, a corrosão e a umidade viram inimigos constantes e Carina Korman explica que ambos são processos naturais decorrentes da água salgada do mar. >
Na corrosão, ela atua como agente oxidante nos metais e resulta em ferrugem, corrosão galvânica e outros tipos de deterioração que comprometam a integridade dos materiais, sendo o ferro e aço os mais atingidos. No caso da umidade, pode levar ao crescimento de mofo, bolor e fungos, além de provocar danos estruturais em paredes, pisos e tetos por meio de rachaduras e fissuras. >
Para combater esses efeitos, a arquiteta recomenda a aquisição de materiais resistentes como aço inoxidável, alumínio e ligas de bronze, que são menos suscetíveis à oxidação, além de técnicas de impermeabilização eficazes durante a construção e a manutenção da casa, como selantes de silicone, tintas impermeabilizantes e sistemas de drenagem para direcionar o escoamento da água. >
Móveis planejados também exigem atenção especial. Para a composição dos armários, a melhor opção é o MDF náutico, que suporta a umidade, ou madeira maciça.“Já desenhamos um armário aberto em uma espécie de mini closet com prateleira para os sapatos, gavetas, cabideiro e até um maleiro superior. É uma solução prática, principalmente para quem tem medo de perder móveis em razão disso. Além do mais, recomendamos deixar os planejados afastados do piso e que sejam suspensos ou sobre bases de alvenaria”, orienta a arquiteta. >
Outro problema são os ventos fortes e tempestades tropicais. Dependendo da região, a profissional sugere o reforço da estrutura com concreto armado e madeira tratada. “Gosto de investir em janelas grandes para permitir a circulação de ar, trazer a luz natural e a beleza externa”, compartilha Carina Korman. >
Pensando nas melhorias e investimentos que uma residência litorânea pode ter, a arquiteta Ieda Korman lista dicas em arquitetura e decoração: >
Para quem busca um visual rústico e acolhedor, a madeira é a escolha mais popular . Encontradas no mercado, Ieda Korman destaca as madeiras sintéticas e as certificadas como a melhor opção. “A certificação é tratada e vem de fontes sustentáveis que não apenas preservam o meio ambiente, como garantem maior resistência e durabilidade. A sintética é natural, mais calorosa e com resistência aprimorada para decks e varandas”, comenta. >
Para um visual moderno e elegante, cerâmicas e porcelanatos são os mais indicados para o piso, pois são laváveis e aguentam bem a umidade e a maresia do litoral. Mas a arquiteta sugere o emprego de pedras naturais para conquistar um espaço ainda mais charmoso e durável. “Além de serem duráveis e fáceis de limpar, contamos com uma variedade que se adapta perfeitamente ao ambiente praiano”, afirma. >
Ótima escolha para fugir do calor no interior da residência, esses tipos de telhado proporcionam isolamento térmico e acústico e são uma alternativa eco-friendly para casas de praia. Além de reduzirem o impacto ambiental, propiciam conforto durante todo o ano. Para tanto, é preciso considerar o clima local, a exposição ao sol, a disponibilidade de água e as condições do solo. >
Em geral, as plantas que se adaptam às condições de alta salinidade são a grama-sal e junco marítimo; plantas de beira-mar, como agerato e crista-de-galo; plantas resistentes à seca, como agave, lavanda, suculentas e cactos; e plantas ornamentais tropicais, como hibiscos, palmeiras, buganvílias e dracenas. >
Para lidar com as águas pluviais e prevenir a erosão costeira, a incorporação de sistemas de drenagem integrados ao projeto arquitetônico é fundamental. Estes sistemas canalizam eficientemente a água longe da casa, preservando não apenas a integridade da estrutura, mas também o ambiente ao redor. >
Em casas de praia, a paleta de cores transmite o frescor e a leveza litorânea. Então, as clássicas apostas estão: azul, branco, verde, amarelo e tons de areia. “O azul-marinho ou oceano, o branco para refletir luz e a sensação clean, o verde-água para lembrar a natureza , amarelo suave para lembrar o pôr do sol, são opções perfeitas”, reflete Ieda Korman. Tons suaves são a chave para um ambiente convidativo à beira-mar. >
Em casas de férias, que acabam ficando fechadas durante grande parte do ano, a dupla alerta sobre a relevância de pensar em soluções para amenizar a pouca ventilação e o excesso de umidade. Armários com portas de veneziana, por exemplo, podem ser uma boa opção, além de desumidificadores e a atenção de cobrir aparelhos eletrônicos como a TV. >
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