Publicado em 19 de dezembro de 2022 às 17:51
BUENOS AIRES, ARGENTINA - O dia seguinte ao título mundial da Argentina foi de ressaca para torcedores em Buenos Aires. Um grupo passou a noite no Obelisco, epicentro das comemorações na capital argentina. Alguns tomaram a decisão porque, na madrugada de segunda-feira (19), já não havia mais transporte público nem táxis para levá-los de volta.>
Há relatos de famílias inteiras e grupos caminhando mais de 70 minutos durante a madrugada até suas casas ou até pontos em que podiam tomar uma carona para outras cidades da província.>
Outros ficaram no Obelisco para guardar lugar, pois a previsão inicial era de que o ônibus com os jogadores campeões, vindos do Catar, chegaria ainda nesta segunda às 19 horas à Argentina. Logo, todos foram frustrados por carros da polícia de trânsito e de limpeza da prefeitura. Teriam de sair.>
Tanto melhor. O voo atrasou e as comemorações de rua com os jogadores ocorrerão apenas a partir da madrugada de terça-feira (20).>
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Além disso, era preciso consertar a porta do Obelisco, quebrada por torcedores mais violentos, limpar as pichações que poluíam o principal monumento da cidade e restabelecer o trânsito na cidade.>
Tirando os que voltavam dali ou de bares que ficaram abertos até tarde, em geral ainda meio bêbados, as ruas estavam completamente vazias nas primeiras horas da manhã.>
Os tradicionais quiosques, que abrem cedo, assim como os cafés esperavam um pouco mais do que o habitual para abrir. "Um pouco é por segurança, mas também porque todo mundo celebrou até tarde ontem", disse Meylin Zhau, dona de um mercado chinês no bairro da Chacarita.>
Houve relatos de alguns incidentes. Lixões de rua revirados ou danificados porque torcedores subiram neles para celebrar. E gente visivelmente alterada seguia nas ruas, às vezes sem perceber que caminhava pelo meio da via, causando desvios e quase acidentes.>
Na região nobre dos arredores do Shopping Alto Palermo, algumas pessoas do bairro tomavam café como se já tivesse passado a euforia. A dona do local, porém, tinha a maquiagem toda borrada. Havia trabalhado o dia inteiro e, sem poder ir para casa, dormiu atrás do balcão. >
"Faltaram garçons ontem [domingo] por causa do jogo, e hoje não estão se animando a vir. Parece que vou ter de ficar aqui o dia todo hoje outra vez", afirmou Susana Carnero, 52 anos. O curioso é que ela não falava com raiva, e sim com um sorriso no rosto e a brilhantina branca e celeste ainda grudada na pele.>
Uns minutos depois, a calma do café se alterou. Três rapazes aparentemente bêbados e tresnoitados subiam a rua aos empurrões e gritos. Um deles correu até uma das mesas e agarrou uma faca, começou a ameaçar os outros, ele sangrava. Os clientes deram um salto para trás, algumas mulheres protegendo bebês. A dona do bar gritou, e o rapaz, sangrando, saiu correndo.>
Quem despertou com o mesmo ânimo festeiro do dia anterior começou a rumar para Ezeiza, ainda sem saber como será o acesso aos jogadores quando chegarem. Organizadores falam numa provável saudação ainda na pista do aeroporto, por volta das 2h. Daí, sairiam em ônibus até o edifício da AFA.>
O debate ainda estava aberto, porque alguns jogadores manifestaram que não queriam fotos "políticas", nem com o presidente da associação, muito menos com o presidente Alberto Fernández, que os convidou à Casa Rosada.>
O mandatário afirmou que se houvesse festejo diante da sede de governo, poderia declarar feriado nacional nesta terça-feira (20). Porém, frente à resistência da equipe de cumprimentar o presidente, a ideia pode não avançar.>
Não havia representantes do governo argentino na partida, apenas o ex-presidente opositor, Mauricio Macri, que tem pretensões de voltar a disputar em 2023. Do lado francês, estava Emmanuel Macron. Fernández não quis ir para não abrir um flanco para críticas de uma viagem caríssima do presidente em meio a uma crise econômica intensa e a inflação chegando aos 100%.>
Uma alternativa que debatida no começo da tarde era que os jogadores fossem direto ao Obelisco, num ônibus aberto, e daí a suas casas.>
Mas mesmo a perspectiva de não ve-los nos corredores do aeroporto não afastou os torcedores, que foram chegando com bandeiras e ocupando o hall do aeroporto. Funcionários de Ezeiza começavam a separar a área de embarque das demais, para que a chegada de uma multidão não atrapalhasse os passageiros com voos nesses horários.>
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