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Luta

Outra abolição precisa acontecer com protagonismo da mulher negra

Quando uma mulher negra ocupa espaços de poder, corre o risco de ser interrompida à bala. Contudo, isso não intimidará uma mudança que já está em curso

Publicado em 23 de Novembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

23 nov 2019 às 04:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Mulheres negras e a luta contra o preconceito e o racismo Crédito: Divulgação
O dia 20 de novembro é uma efeméride para lembrar a luta do povo negro contra o racismo e desigualdade, por ser o dia da morte de Zumbi dos Palmares. Pioneiro da resistência negra, organizou a luta contra o maior tipo de violação que uma pessoa pode sofrer, a escravidão. Esta que subjuga a essência humana, coisifica o ser e legitima violências.
O legado dessa monstruosidade é suportado até hoje, em que as diferenças, ainda abissais, produzem marcas e perpetuam cicatrizes. Deixando Zumbi de lado, fazemos memória de Dandara, a guerreira, que restou invisibilizada em uma estrutura, que ainda hoje asfixia socialmente a mulher negra, de acordo com Sueli Carneiro.
Acostumou-se a ouvir somente um lado da história. Pouco se sabia o que realmente acontecia na escuridão das senzalas. A história sempre branca, machista e hétero, sufocava outras histórias. A história, permeadas pela dor e regadas pelo sangue, começa a ser desvela para que toda humanidade compreenda o que uma pessoa é capaz de fazer com outra pessoa. Para aqueles que advogam que não existe dívida histórica, sugere-se singrar por outras leituras “à contrapelo”, imitando o arguto Benjamin.
Como se não bastasse, ainda há um aspecto mais recôndito nessa história. Trata-se da questão da mulher negra, que ocupou um lugar ainda mais reducionista do que o homem negro. Djamila Ribeiro, citando Kilomba, apresenta sofisticada percepção sobre a mulher negra, enquanto, “o outro do outro”. As mulheres brancas são mulheres, mas são brancas. Os homens negros são negros, mas são homens. As mulheres negras carregam um pesado fardo de violações sistêmicas e estruturais, de ser a outra dos outros.
Outro tipo de abolição precisa acontecer, desta vez sem encenação pasteurizada, mas com protagonismo legítimo, daquela que detém as rédeas da vida. É chegada a hora de assumir o lugar no Direito, na Ciência, na Literatura, na Academia, na Política e na Igreja, até agora reservado ao homem branco. Consciente de que, quando uma mulher negra ocupa espaços de poder, corre o risco de ser interrompida à bala. Contudo, isso não intimidará uma mudança que já está em curso.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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