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Boa notícia

Estado terá investimentos que somam R$ 57,3 bilhões até 2023

Desse total, 66,2% (ou R$ 37,9 bilhões) estão em andamento. A indústria é a grande concentradora de investimentos, com R$ 55,3 bilhões

Publicado em 09 de Dezembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

09 dez 2019 às 04:00
Angelo Passos

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Angelo Passos

Perspectiva do Porto Central, em Presidente Kennedy, Sul do Espírito Santo Crédito: Porto Central/Divulgação
O crescimento econômico enfrenta sérios desafios, mas os investimentos avançam. Atualmente, a carteira de projetos no Espírito Santo soma R$ 57,3 bilhões (512 empreendimentos) anunciados no Estado no período 2018-2023. Desse total, 66,2% (R$ 37,9 bilhões) estão em andamento. A indústria é a grande concentradora de investimentos, com R$ 55,3 bilhões. Destacam-se as atividades extrativas (principalmente petróleo e gás) e de transformação, além da construção civil - termômetro clássico do andamento do PIB .
Estas informações são do Instituto Jones dos Santos Neves. Foram apresentadas no seminário "Investimentos Anunciados para o Espírito Santo: perspectivas atuais e futuras", realizado na semana passada. Vários fatores confluem para o empreendedorismo na porção capixaba do Brasil. O grau de competitividade do Estado é relevante. O ambiente de negócios é bom. Reflete políticas de Estado e governança pública.
O equilíbrio fiscal é evidenciado com a conquista da nota A pela Secretaria do Tesouro Nacional, desde 2012. Em outra avaliação do Tesouro Nacional, o Espírito Santo ficou em segundo lugar em relação à qualidade das informações contábeis e fiscais das unidades da federação. Já o Ranking de Eficiência dos Estados, elaborado pela "Folha de S. Paulo", coloca o Espírito Santo entre os cinco primeiros do país. Também merece referência o papel de grande importância desempenhado pelo movimento empresarial Espírito Santo em Ação na mobilização e articulação de atores de diversos segmentos econômicos.
O Espírito Santo é um gigante petrolífero. Possui 70 campos abundantes em plena produção. Em terra, são 369 poços produtores e 90 poços injetores. No mar, 52 poços produtores e 22 poços injetores, com 475 km de gasoduto, de acordo com o documento do Fórum Capixaba de Petróleo & Gás. Aliás, os investimentos em petróleo e gás – em execução e previstos até 2021 - somam R$ 18,8 bilhões no Estado. A Petrobras lidera a injeção de recursos: R$ 10 bilhões, a maior parte no Parque das Baleias, no Sul capixaba. O Espírito Santo abocanhou R$ 160,7 milhões com o megaleilão realizado no mês passado, para retirar óleo das reservas do pré-sal, o que mostra a relevância do Estado neste contexto.
Mas existem graves gargalos infraestruturais que precisam resolvidos. É fundamental resolver o impasse sobre o processo de licenciamento ambiental para a obra na BR 101 no Norte do Estado. O pedido feito em 2014 pela Eco 101, e negado em 2018 pelo Ibama, por afetar a reserva biológica de Sooretama, permanece até agora travando a melhoria da rodovia.
Já a BR 262 chega aos 50 anos de existência longe de atender convenientemente as demandas da economia capixaba, tanto no transporte de cargas quanto no de passageiros. As condições precaríssimas da pista constituem, inclusive, sério risco à vida humana. Neste ano, registraram-se 474 acidentes, até outubro. Um absurdo. A viabilidade da modernização em todo o trecho estadual estaria na transferência ao setor privado. De preferência com um modelo de contrato que não dê brecha para entraves, como tem sido visto na BR 101.
Por fim, a logística de transportes também exige o redesenho do sistema portuário do Estado. Espera-se que avance com menos morosidade a implantação das unidades previstas: os portos da Petrocity Portos, em São Mateus, o da Imetame, em Aracruz, e ainda o Porto Central, em Presidente Kennedy. Este não pode prescindir de interatividade com a estrada de ferro prevista para o Sul do Estado.
Não devemos esquecer que a crise hídrica é um desafio permanente para o Espírito Santo. Os prejuízos no campo se repetem periodicamente e ainda não encontramos caminhos para reduzir ao mínimo os seus efeitos.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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