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Com Bolsa Família

Vereadora do ES é investigada por tentativa de estelionato

A Polícia Civil indiciou Andressa Aparecida Ferreira Siqueira pela prática e também por abuso de poder e constrangimento ilegal; vereadora diz que acusações foram forjadas
Aline Nunes

Publicado em 

10 abr 2026 às 17:01

Publicado em 10 de Abril de 2026 às 17:01

Andressa Aparecida Ferreira Siqueira/Andressa Siqueira - vereadora de São Domingos do Norte
Andressa Siqueira nega as acusações e diz que vai provar sua inocência no caso Crédito: Redes sociais
Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) indiciou a vereadora Andressa Aparecida Ferreira Siqueira (MDB), de São Domingos do Norte, no Noroeste do Espírito Santo, por tentativa de estelionato, abuso de autoridade e constrangimento ilegal. Primeira secretária da Mesa Diretora da Câmara Municipal, a parlamentar teria tentado forçar uma servidora municipal a incluir, de maneira indevida, uma nova beneficiária do programa federal Bolsa Família. A vereadora diz ter provas de que as acusações contra ela foram forjadas.
Conforme investigação conduzida na Delegacia de São Domingos do Norte, Andressa teria tentado obrigar uma servidora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município, responsável pelo cadastro da população em programas sociais, a incluir uma contratada da prefeitura no Bolsa Família, mesmo sem o preenchimento dos requisitos legais pela candidata.  
O delegado Valdimar Chieppe afirma, em nota da PC, que a vereadora compareceu ao Cras no dia 22 de dezembro do ano passado e, de forma insistente e exigente, solicitou a inclusão da beneficiária no Cadastro Único (CadÚnico), alegando que queria que o procedimento fosse realizado em seu favor.
“A servidora esclareceu que a concessão do benefício não dependia de vontade pessoal, mas de critérios estabelecidos pelo governo federal, destacando que a pessoa indicada tinha renda e não se enquadrava nas exigências do programa”, pontua o titular da delegacia. 
Ainda assim, conforme consta no relato da vítima à polícia, a vereadora insistiu na solicitação, o que gerou constrangimento e fez a servidora realizar o cadastro por receio de possíveis consequências. O procedimento foi posteriormente reprovado pelo sistema, justamente pelo não atendimento dos critérios legais.
“Um entrevistador do Cadastro Único da prefeitura presenciou a situação e confirmou que a vereadora adotou postura intimidatória durante a abordagem. A própria beneficiária indicada também confirmou que foi orientada a procurar o cadastro, mesmo ciente de que não teria direito ao benefício”, diz o delegado, acrescentando que Andressa Siqueira, mesmo após ser alertada de que a beneficiária não teria direito, insistiu para a realização do cadastro. 
A Polícia Civil destaca, ainda, que levantamentos da equipe de São Domingos também apontaram o nome da vereadora em situações recorrentes de conflito, entre as quais uma nota de repúdio na Câmara Municipal, expressando descontentamento oficial do Legislativo diante de desrespeito proferido por Andressa Siqueira contra funcionários públicos em uma unidade de saúde da cidade. Em outra ocorrência, registrada em abril de 2025, durante agenda em Brasília, houve um desentendimento em que a vereadora teria ofendido outra parlamentar do município.
Após o indiciamento, o inquérito foi enviado pelo delegado à Justiça Federal. 

O que diz a vereadora

Em conversa com a reportagem de A Gazeta, a vereadora negou os crimes e disse que tem provas que indicariam que toda a acusação foi forjada. Segundo Andressa Siqueira, são áudios e prints que comprovariam que ela não forçou a servidora municipal a realizar cadastro indevido no Bolsa Família. 
A vereadora não quis compartilhar o material com a reportagem, alegando que vai usá-lo no processo na Justiça. Questionada se apresentou os áudios e prints à polícia durante as investigações, Andressa Siqueira disse que não.  Para ela, as acusações que lhe foram imputadas são resultado de sua atuação na Câmara. "Aqui, eu sofro muita perseguição. Sou simplesmente uma vereadora, busco fazer o meu trabalho. E vou continuar a sofrer retaliação porque vou seguir fiscalizando." Depois, ela divulgou uma nota à população. Confira:

Nota da vereadora Andressa Siqueira

A vereadora vem a público se manifestar sobre as recentes informações divulgadas a seu respeito e, de forma clara e objetiva, nega veementemente a prática de qualquer irregularidade ou conduta ilícita. 

As alegações que vêm sendo divulgadas não correspondem à realidade dos fatos e serão devidamente esclarecidas nas instâncias competentes, onde prevalecerão a verdade e a justiça. 

Ressalta-se que não há qualquer condenação ou decisão judicial contra a parlamentar, tratando-se, neste momento, de procedimento investigativo ainda em fase inicial, no qual serão respeitados todos os direitos constitucionais, especialmente o contraditório e a ampla defesa. 

A vereadora reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência, valores que sempre nortearam sua atuação pública e sua trajetória pessoal. Destaca, ainda, que os fatos mencionados não possuem qualquer relação com o exercício de seu mandato parlamentar. 

Não se pode ignorar que sua atuação firme, independente e voltada à fiscalização dos atos do Poder Executivo tem gerado desconforto em determinados setores, o que pode explicar a tentativa de distorção e antecipação de julgamentos. 

Por fim, reafirma sua confiança na Justiça e na correta apuração dos fatos, permanecendo à disposição para todos os esclarecimentos necessários, enquanto segue exercendo seu mandato com responsabilidade, dedicação e respeito à população.

O presidente da Câmara, vereador Sérgio Tamanini (Podemos), afirmou que o ofício comunicando sobre o indiciamento chegou nesta quinta-feira (9) ao Legislativo e o assunto estará em pauta na próxima sessão, na terça-feira (14), para que os parlamentares possam deliberar sobre procedimentos a serem adotados. 

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