Após a maior parte dos manifestantes bolsonaristas desocuparem a área do parque da Prainha, em Vila Velha, a prefeitura começou a fazer a limpeza para reestruturar a área na tarde de terça-feira (3). O trabalho consistiu na retirada de paletes, madeira, barraca e limpeza de toda a área, o que exigiu muitas viagens de caminhões para transportar o material.
A Prefeitura de Vila Velha também terá de tratar o solo e replantar mais de 6 mil metros quadrados de grama para devolver o parque para a população. Esse serviço de recuperação deve levar mais 60 dias. Mas, afinal, quem vai pagar essa conta? Segundo a prefeitura, o cálculo do custo dessa operação está sendo feito a pedido do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). As planilhas serão encaminhadas ao órgão em cinco dias.
O secretário de Serviços Urbanos de Vila Velha, Rogério Mattos, explicou que todo o lixo será pesado e todas as despesas com a limpeza e revitalização da área serão calculadas. "Estamos fazendo o levantamento a pedido do Ministério Público e calculando o custo para o município. Nos compete fazer a planilha e encaminhar às autoridades", explicou.
Prejuízo por destruição na Prainha deve ser cobrado de líderes de atos
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Cível de Vila Velha, informou que solicitou à Prefeitura de Vila Velha que comunique, no prazo de cinco dias úteis, as providências adotadas para limpeza da Prainha, inclusive apresentando levantamento do gasto despendido pelo poder público, após a saída dos manifestantes que ocupavam o local.
Questionada sobre de quem cobrará os prejuízos, a Prefeitura de Vila Velha informou que isso será definido após o levantamento das despesas. O MPES investiga lideranças por trás da organização e do financiamento dos atos, que poderão ter que arcar com os gastos do município.
O que será calculado
- Custo dos caminhões usados para a retirada dos entulhos (a reportagem flagrou pelo menos cinco carregamentos);
- Custo do processamentos do lixo gerado, calculado em cima do peso em toneladas;
- Processamento do solo antes do replantio da grama, o que gera custos, inclusive de mão de obra;
- Plantio de 6 mil metros quadrados de grama.
MPES já havia pedido liberação das ruas
O Ministério Público já tinha se manifestado a respeito dos atos bolsonaristas no início de novembro, logo após o início da ocupação da Prainha. O órgão pedia, em uma notificação recomendatória, que a prefeitura tomasse providências para desobstruir as vias públicas, calçadas e os demais espaços públicos no sítio histórico, bem como coibisse o estacionamento irregular e adotasse medidas contra poluição sonora.
Questionada sobre o motivo de só ter começado a limpeza do local agora, mais de um mês depois do pedido do MP, a administração municipal informou que a postura foi adotada para não haver enfrentamento com manifestantes. E ressaltou ainda que recomendações foram atendidas, como o ordenamento do trânsito, acrescentando que não houve prejuízo para a circulação dos moradores e manifestantes.
O secretário de Serviços Urbanos, Rogério Mattos, informou que garis da prefeitura chegaram a ser ameaçados pelos manifestantes que ficavam no local e a situação chegou a ser registrada em boletim de ocorrência.
Mesmo com a saída da maior parte dos manifestantes da área do parque da Prainha, um grupo ainda permanece em frente à entrada do 38° Batalhão de Infantaria.