O Partido Liberal (PL) decidiu pela expulsão do prefeito de Santa Maria de Jetibá, Ronan Zocoloto, o Ronan Fisioterapeuta, e do vice dele, Rafael Pimentel, eleitos pela legenda em 2024. O pedido de cancelamento da filiação dos dois políticos foi encaminhado à Justiça Eleitoral e confirmado à reportagem nesta terça-feira (4) pela presidência do PL no município, situado na Região Serrana do Espírito Santo.
Segundo Bruno da Silva Louzada, presidente do PL em Santa Maria de Jetibá, a exclusão do prefeito e do vice foi motivada pelo afastamento de ambos dos projetos políticos que interessam à sigla atualmente.
“Isso (afastamento) vem desde a posse do prefeito. Ele vem trabalhando em prol da esquerda. Em todos os eventos, ele fica enaltecendo o atual governo. Isso não é certo, porque quando ele se candidatou, não era nem conhecido na cidade”, afirmou o dirigente partidário.
Perguntado sobre mais detalhes acerca da suposta aproximação do chefe do Executivo com representantes da esquerda no Espírito Santo, o presidente do PL em Santa Maria de Jetibá disse se referir à relação que Ronan estaria estabelecendo, desde 2024, com o grupo liderado pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB) e pelo governador Ricardo Ferraço (MDB).
O movimento feito pelo prefeito e por seu vice teria desagradado o senador Magno Malta, presidente do PL em território capixaba.
A crise, no entanto, teria sido agravada por dois outros episódios envolvendo o mandatário, ocorridos em junho deste ano. No primeiro deles, Ronan teria deixado de comparecer a uma agenda de Magno no município visando à apresentação da publicitária Maguinha Malta (PL), filha do senador, como pré-candidata ao Senado.
Já o segundo impasse envolve uma ação judicial movida pelo prefeito contra a vereadora Eliza Ramlow Soares (PL), que teria criticado publicamente a ausência de Ronan em agenda promovida por seu próprio partido.
“Um dos fatores que agravou a situação foi ele entrar com processo na Justiça contra a vereadora do partido. Isso foi aumentando o desgaste, até o senador decidir romper definitivamente com ele”, disse Bruno da Silva Louzada.
Consulta feita pela reportagem na página de tramitação processual do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) mostra que a ação sobre o cancelamento das filiações foi protocolada na segunda-feira (3) e ainda está pendente de decisão.
O prefeito foi procurado para comentar a definição de seu partido, mas não havia retornado os contatos da reportagem até a conclusão deste texto. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.