Repórter / [email protected]
Publicado em 23 de setembro de 2024 às 14:32
Mais da metade dos prefeitos eleitos no Espírito Santo em 2020 tenta seguir no comando de suas respectivas cidades por mais quatro anos. É o que mostram dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne todas as informações sobre as candidaturas no pleito deste ano.>
Em 42 dos 78 municípios capixabas há chefes do Executivo tentando um segundo mandato consecutivo. O número é 31,2% maior que o registrado na disputa eleitoral de quatro anos atrás, quando 31 prefeitos disputaram a reeleição.>
Conforme o professor de História Filipe Savelli, pesquisador e membro do Laboratório de História das Interações Políticas Institucionais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o aumento no volume de candidaturas visando à continuidade de mandatos no Executivo dos municípios é decorrente da renovação pela qual a maioria das prefeituras capixabas passou nas eleições de 2020. >
Savelli também lista alguns aspectos que tornam o pleito de 2024 diferente da última disputa municipal. "As eleições de 2020 foram atípicas, pois estávamos na pandemia. Era a primeira eleição em que o bolsonarismo tinha nome, rosto e forma de agir. Já na atual disputa vivemos um outro cenário, em que candidatos, em sua maioria, estão buscando se posicionar ao lado de quadros estaduais para se promover", pontua.>
>
O professor da Ufes chama a atenção para os pontos que considera positivos na reeleição de prefeitos, como a sequência de projetos de melhoria e desenvolvimento das cidades. Entretanto, Savelli frisa que é preciso fazer uma análise criteriosa de cada um dos casos a fim de evitar a perpetuação de um único grupo político na gestão municipal. >
Filipe Savelli
Pesquisador e membro do Laboratório de História das Interações Políticas Institucionais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)Veja abaixo os municípios em que os prefeitos tentam se reeleger:>
Quando o recorte analisado é o número de candidatos à reeleição por partido, o PSB, legenda do governador do Estado, e o Podemos, presidido pelo deputado federal Gilson Daniel, lideram. Cada uma das legendas tem nove candidatos disputando a permanência no comando das prefeituras.>
Os partidos MDB, PP e Republicanos, com seis candidatos à reeleição cada um, estão em segundo lugar no total de candidaturas visando à sequência da gestão. União (2), PSDB (2), MDB (1) e Cidadania (1) fecham a lista das siglas com postulantes ao segundo mandato.>
O número de candidaturas objetivando a reeleição é, também, reflexo do trabalho feito pelos dirigentes partidários em território capixaba, por meio das tradicionais articulações políticas para a consolidação das chapas.>
É o que relata o presidente do PSB estadual, Alberto Gavini Filho. O socialista ainda afirma que a preparação em torno das candidaturas que disputam a reeleição neste ano começou ainda no ano passado. "O PSB vem preparando seus candidatos há muito tempo. Os nossos candidatos foram estimulados a manter sua candidatura, para que a gente possa continuar tendo o PSB em diversos municípios", afirma Gavini.>
Empatado com PSB no quantitativo de prefeitos candidatos à reeleição, o Podemos foi procurado para comentar os dados do TSE, mas não enviou resposta até o fechamento deste texto. >
O PP tem um total de seis candidatos buscando a permanência nas prefeituras capixabas. O deputado federal Da Vitória, que preside o partido no Espírito Santo, ressalta que a legenda apostou em quadros qualificados para seguir no comando das cidades. >
"Pela identidade que nosso partido tem e o trabalho realizado no Brasil, aliado à nossa relação e dos membros do diretório, trouxemos quadros qualificados para reforçar ainda mais o Progressistas nesta eleição", frisa Da Vitória. >
O Republicanos, presidido pelo ex-deputado estadual Erick Musso, também tem seis nomes que querem ser reeleitos. A legenda também não enviou reposta à reportagem.>
Para João Paulo dos Santos, professor de História e mestre em História Social das Relações Políticas pela Ufes, as reeleições servem, em sua avaliação, como caminho para a solidificação do que chama de "poder local". >
João Paulo dos Santos
Professor de História e mestre em História Social das Relações Políticas pela UfesNotou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta