Reeleita deputada federal pelo Espírito Santo com 142.187 votos, Jack Rocha (PT) afirma que o resultado das urnas representa uma responsabilidade que vai além de sua trajetória individual. A votação fez da parlamentar a mulher mais votada da história do Estado para a Câmara dos Deputados, superando a marca anterior, de 141.578 votos, registrada por Sueli Vidigal (PDT) em 2010.
Para Jack, o resultado está relacionado à atuação construída durante o primeiro mandato, tanto no Congresso Nacional quanto nos municípios capixabas. Ela destaca a presença em diferentes regiões do Estado e a interlocução com movimentos sociais como parte desse trabalho.
“Mandato não é só Brasília. Mandato também é fazer o território do Espírito Santo. Essa divisão das agendas entre Brasília e a presença aqui no Espírito Santo, em cada território, seja no campo ou na cidade, fortalecendo os movimentos de mulheres, faz parte desse resultado”, afirma.
Primeira mulher negra eleita deputada federal pelo Espírito Santo, em 2022, Jack também ocupa atualmente a coordenação da bancada feminina da Câmara dos Deputados, após ser eleita por unanimidade pelos partidos. Durante o primeiro mandato, relatou a lei de igualdade salarial e remuneratória, participou da organização da bancada negra e foi vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos no primeiro ano.
Para a deputada, a reeleição representa a continuidade de uma trajetória que envolve diferentes grupos e movimentos políticos e sociais.
Esse resultado não é uma vitória individual. É uma responsabilidade coletiva. É uma vitória de diversos segmentos e movimentos que querem continuar debatendo a política do Estado e do Brasil.
Jack Rocha deputada federal
Entre as prioridades apontadas por Jack para o novo mandato estão políticas voltadas às mulheres empreendedoras, o fim da escala 6x1 e o combate à violência contra mulheres.
A deputada defende que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho considere também a sobrecarga de atividades domésticas e de cuidados enfrentada pelas mulheres. Ela cita ainda a situação de mães atípicas e a necessidade de ampliar as condições de autonomia econômica.
O combate à violência contra as mulheres também deverá permanecer entre as pautas. Jack defendeu investimentos em prevenção e o fortalecimento das redes de atendimento, como Cras, unidades básicas de saúde e escolas.
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“Não é só a gente apresentar a Lei Maria da Penha, mas dialogar com as Casas de Leis também, tanto no âmbito do Congresso Nacional, onde sou autora do projeto que criou o Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência a Mulheres e Meninas, com a possibilidade de destinar R$ 15 bilhões em dez anos. Então, é a gente buscando onde tem recurso para investir em prevenção”, observa.
A deputada também cita outras áreas que pretende abordar no segundo mandato, como saúde, cultura, agroecologia, meio ambiente, políticas de proteção social para pessoas idosas e desenvolvimento econômico.
Entre as propostas mencionadas por ela estão a discussão sobre tarifa zero, valorização do salário mínimo, os impactos da reforma tributária e o turismo de base comunitária como alternativa de geração de renda nos territórios.
Com a eleição presidencial e a disputa pelo governo do Espírito Santo encaminhadas para o segundo turno, Jack afirma que participará da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
A deputada disse que integra a direção nacional do PT e foi convidada por Lula para participar de um grupo de conjuntura após o primeiro turno. Ela também destaca que participará de uma reunião no diretório nacional para discutir a nova etapa da campanha.
Estarei ao lado do presidente Lula nessa nova etapa, não só aqui no Espírito Santo, mas ajudando a organizar outros eventos a nível nacional também.
Jack Rocha deputada federal
De acordo com Jack, temas como o fim da escala 6x1, o combate à violência contra as mulheres e os efeitos das apostas esportivas estarão entre os assuntos que pretende levar para essa etapa da campanha.
A reeleição também foi abordada por Jack sob a perspectiva da presença de mulheres negras em espaços de poder. Ela comenta que, além de chegar ao Congresso, considera importante garantir a permanência e a participação política desse grupo.
“Não basta só chegar ao poder. É preciso ter condições de permanecer. O nosso mandato demonstra uma capacidade de ampliação de diálogo em relação à primeira votação para que possa apresentar um programa para as pessoas”, afirma.
Na avaliação da deputada, a nova votação amplia a responsabilidade do mandato e abre espaço para discutir temas que vão além das políticas públicas já existentes.
Ao falar sobre o significado pessoal da reeleição, Jack volta a destacar a trajetória construída ao longo de diferentes disputas eleitorais e funções partidárias. Ela já foi candidata ao governo do Estado e à vice-prefeitura, além de ter presidido o PT no Estado.
Para a deputada, o resultado de 2026 representa a continuidade desse percurso político e a participação das pessoas que acompanharam sua trajetória.
“Ser uma mulher negra e ser reeleita na Câmara dos Deputados, carrega um significado que vai além da minha própria história. Recebo cada voto com muita gratidão, sobretudo com muita responsabilidade. Vou seguir trabalhando muito para que o Espírito Santo e o Brasil tenham mais dignidade.”