O número de candidaturas negras no Espírito Santo registrou recorde nas Eleições 2022. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pretos e pardos somam 51,45%, enquanto os brancos representam 47,89% dos candidatos neste ano.
Esse é o maior percentual contabilizado no Estado em eleições gerais – quando os eleitores escolhem os representantes nos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual – pelo menos desde 2014, quando o recorte dos dados passou a ser detalhado pela Justiça Eleitoral.
Em números absolutos, dos 758 candidatos registrados no TSE, 129 (17,02%) são pretos, 261 (34,43%) são pardos e 363 (47,89%) são brancos. Há ainda três indígenas e dois da raça amarela. Os dados correspondem ao número de candidatos que constavam no sistema do TSE até segunda-feira (22).
Ao analisar somente o número de candidatos autodeclarados pretos, o percentual subiu seis pontos percentuais em relação às duas últimas eleições gerais, em 2018 e 2014, quando a porcentagem estava na casa dos 11%.
Cabe ressaltar que a cor é uma informação autodeclaratória, isto é, é o próprio candidato, ou um membro do partido responsável por realizar o registro de candidatura, que informa o dado.
As informações do TSE apontam que 66,67% dos autodeclarados pretos são candidatos a deputado estadual, 25,58% concorrem a deputado federal, 2,33% tentam a cadeira de senador. Na disputa pelo Palácio Anchieta, consta apenas um candidato preto, capitão Vinicius Sousa (PSTU).
66,67%
dos autodeclarados pretos no ES são candidatos a deputado estadual
ELEIÇÕES ANTERIORES
Em 2018, os pretos e pardos já eram maioria, representando 50,66% dos candidatos, enquanto os brancos eram 48,98%, o que já apresentava uma mudança no cenário de cor e raça entre os candidatos do Estado.
Em 2014, quando o TSE começou a apresentar dados de raça, o número de candidatos que se autodeclaram pretos e pardos chegava a 44,19% e os brancos eram 55,43%.
A comparação entre os pleitos não considera as eleições municipais, quando são escolhidos vereadores e prefeitos, visto que há muita diferença no número de candidatos. Nas eleições de 2020, por exemplo, havia 12.578 pessoas concorrendo.
REPRESENTATIVIDADE
Para a professora do Departamento de Educação, Política e Sociedade do Centro de Educação da Ufes e pesquisadora do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da Ufes Patrícia Rufino, o aumento no número de candidaturas negras é importante para dar mais representatividade à população preta e parda, que corresponde a mais de 50% da população brasileira.
"Temos feito um movimento forte, principalmente em relação às mulheres, para que tenhamos mais representantes femininas pretas na política. Queremos incentivar mais mulheres pretas para que elas possam se empoderar para ocupar também esse espaço"
Para garantir a equidade social e racial no Brasil, Patrícia destaca ainda que, mais importante do que o aumento no número de candidaturas negras, é o aumento de negros eleitos . “Antes havia muitos negros que se candidatavam para cumprir a cota do partido e hoje temos muitos candidatos preparados e conscientes para cumprir o mandato”, defende.
QUASE 40 CANDIDATOS "MUDARAM DE COR"
Quase 40 candidatos no Espírito Santo declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), neste ano, uma raça ou cor diferente do registro feito nas últimas eleições majoritárias, em 2018.
Dos 168 candidatos que participaram dos dois pleitos, 37 “mudaram de cor”. Deles, 12 deixaram de ser brancos e se autodeclararam pardos, pretos ou indígenas. Os outros 25 fizeram o caminho contrário.