Doze candidatos no pleito deste ano no Espírito Santo informaram à Justiça Eleitoral não possuir bens. Nas eleições de 2022, eles haviam declarado valores de até R$ 400 mil como patrimônio.
Os nomes que surgem com bens zerados em 2026 disputam vagas de deputado federal e estadual. É o caso do candidato Dr.Humberto (PSD). Concorrendo a cargos eletivos desde 2004, sem nunca ter conseguido se eleger, ele declarou em 2022 ser dono de uma casa de três andares, em Guarapari. O imóvel estaria avaliado em R$ 400 mil.
Quem também aparece com bens zerados nas eleições deste ano, conforme declaração à Justiça Eleitoral, é o deputado estadual Fábio Duarte (PDT), que tenta a reeleição. Já no pleito de 2022, o então candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) informou ter R$133 mil em bens. A quantia estaria relacionada a um carro avaliado em R$ 63 mil e R$ 70 mil em espécie.
O levantamento que aponta mudanças nas declarações de bens apresentadas pelos candidatos em 2022 e 2026 foi feito com base em informações disponibilizadas na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com atualização até a tarde da última terça-feira (25).
Veja abaixo a lista com quem aparece sem bens nas eleições deste ano:
O advogado Hélio Maldonado, especialista em Direito Eleitoral, afirma que a declaração de bens é obrigatória para o registro da candidatura, além de garantir transparência perante o eleitor.
Ainda de acordo com o especialista, a ausência de bens entre uma eleição e outra não necessariamente configura ato irregular por parte do candidato.
“O candidato deve apresentar uma relação atual de seus bens no CANDex. Se alguém declarou patrimônio em 2022 e aparece com zero em 2026, isso não significa automaticamente irregularidade: os bens podem ter sido vendidos, doados ou deixado de integrar seu patrimônio”, afirma Hélio Maldonado.
Também conforme o especialista, o dado divulgado pela Justiça Eleitoral é uma declaração do próprio candidato, e não uma certificação de que ele não possui patrimônio.
“Se ficar demonstrada uma omissão deliberada de bens existentes, pode haver retificação e, conforme o caso concreto e a existência de dolo, até apuração por falsidade ideológica eleitoral”, ressalta o advogado.
A reportagem procurou os candidatos sobre a diferença entre as declarações de bens em 2022 e 2026. Marcel Carone (Podemos), que concorre a vaga na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), disse que a mudança nos valores relacionados a sua declaração de bens tem a ver com o fato de ele ter deixado o quadro societário de uma empresa familiar.
O ex-deputado Sérgio Majeski (MDB), por sua vez, afirmou que em 2022, o valor de R$ 16,5 mil declarado à Justiça Eleitoral foi calculado com base em um automóvel que ele tinha à época.
"O único bem que declarei foi um carro, vendi faz tempo e não comprei mais", disse o emedebista.
Até o fechamento deste texto, os candidatos Fábio Duarte (PDT), Isamara da Farmácia (União), Miro Vilarim (União) e Doutor Gotardo (Agir) não haviam encaminhado resposta para os questionamentos feitos na tarde desta terça-feira. A reportagem não conseguiu localizar os demais candidatos. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.