A menos de 60 dias para as eleições de 2026, a disputa começa a ganhar contornos mais claros, com os partidos já tendo definido seus candidatos que se preparam para o início da campanha eleitoral.
A partir de domingo (16/08), os candidatos poderão pedir votos, divulgar suas propostas e realizar atos de campanha, como comícios e carreatas.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando os eleitores irão às urnas para escolher representantes para cinco cargos, entre eles o de presidente da República.
Na disputa pelo Palácio do Planalto, 12 nomes foram oficializados durante as convenções partidárias. Eles têm até o dia 15 de agosto para registrar as candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre os candidatos estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa sua sétima eleição presidencial, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os dois aparecem em primeiro e segundo lugar, respectivamente, nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento.
Lula terá o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) novamente como companheiro de chapa. Já Flávio escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vice-presidência.
A BBC News Brasil preparou um guia com as principais informações da eleição de 2026.
Quando será a eleição de 2026?
O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado em 4 de outubro. Se houver segundo turno, a votação será realizada em 25 de outubro.
O segundo turno pode ocorrer para presidente e governador quando nenhum dos candidatos alcançar mais da metade dos votos válidos no primeiro turno. Nesse caso, os dois candidatos mais votados disputam o segundo turno.
Quais cargos estarão em disputa nas eleições de 2026?
Os eleitores vão votar para cinco cargos nestas eleições:
- Deputado estadual ou distrital;
- Deputado federal;
- Senador;
- Governador;
- Presidente da República.
Em 2026, estarão em disputa dois terços das cadeiras do Senado, então cada eleitor terá dois votos para senador.
Quando começa a campanha eleitoral?
A campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente no domingo, 16 de agosto.
A partir dessa data, os candidatos poderão pedir votos e realizar atividades de campanha dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Já a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto e segue até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno.
Quem são os candidatos à Presidência?
As 12 chapas oficializadas durante as convenções partidárias são:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — vice: Geraldo Alckmin (PSB);
- Flávio Bolsonaro (PL) — vice: Alfredo Gaspar (PL);
- Ronaldo Caiado (PSD) — vice: Gilberto Kassab (PSD);
- Romeu Zema (Novo) — vice: Eduardo Girão (Novo);
- Renan Santos (Missão) — vice: Aroldo Medina (Missão);
- Augusto Cury (Avante) — vice: Júlio Delgado (Avante);
- Hertz Dias (PSTU) — vice: Vanessa Portugal (PSTU);
- Samara Martins (UP) — vice: Raquel Bricio (UP);
- Clariana Barão (DC) — vice: Fabiana Torquato (DC);
- Rui Costa Pimenta (PCO) — vice: Antônio Carlos Silva (PCO);
- Edmilson Costa (PCB) — vice: Cleusa Santos (PCB);
- Leonardo Avalanche (PRTB) — vice: Tenente Dalma (PRTB);
Quem tem mais tempo de TV?
No caso da disputa presidencial de 2026, Lula terá o maior tempo, seguido por Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Apenas esses quatro candidatos devem ter direito à propaganda gratuita em rádio e televisão.
Outras candidaturas que têm pontuado nas pesquisas eleitorais, como Romeu Zema (Novo), devem ficar de fora porque suas siglas não alcançaram a cláusula de desempenho — uma quantidade mínima de deputados federais eleitos e de votos para a Câmara em diferentes regiões do Brasil no pleito de 2022.
O tempo é calculado principalmente de acordo com a representação dos partidos e federações na Câmara dos Deputados, seguindo os critérios da legislação eleitoral e os dados de representatividade divulgados pelo TSE.
Quando acontecem os debates presidenciais?
Estão previstos quatro debates presidenciais no primeiro turno. O primeiro confronto entre os presidenciáveis será realizado em 23 de agosto, em um pool formado por Band, TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan.
A participação dos candidatos depende das regras eleitorais e dos acordos firmados entre partidos e emissoras.
Quem está à frente nas pesquisas?
O presidente Lula parece à frente nas estimativas de intenção de voto para presidente no primeiro e no segundo turno.
Lula ultrapassou Flávio no segundo turno em maio, após a revelação da ligação entre o filho de Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A pesquisa mais recente da Quaest divulgada em agosto mostra Lula com 44% das intenções de voto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem 39% em um eventual segundo turno.
Já no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula aparece com 46%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 42% no segundo turno, de acordo com os resultados das pesquisas nacionais divulgadas até a quarta-feira (12/08).
As pesquisas não têm o objetivo de prever resultados. Elas buscam capturar o que o eleitor está pensando no instante em que ele é entrevistado.
Entre o momento da pesquisa e a hora do voto, muita coisa pode acontecer. Entenda por que as pesquisas eleitorais podem "errar", como elas são feitas e o que seus resultados realmente significam.
Onde verificar informações sobre os candidatos?
A fonte oficial é o DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O sistema reúne informações pessoais dos candidatos que solicitaram registro à Justiça Eleitoral, declaração de bens, doações, contas eleitorais, incluindo receitas e despesas da campanha.
Um candidato pode ser substituído durante a campanha?
Sim. A candidatura pode ser substituída em casos como renúncia, indeferimento, cancelamento ou cassação do registro. Em regra, o pedido de substituição deve ser apresentado à Justiça Eleitoral até 20 dias antes da eleição. Para o primeiro turno de 2026, isso significa até 14 de setembro.
A principal exceção é o falecimento do candidato: nesse caso, a substituição pode ocorrer mesmo dentro dos 20 dias anteriores à votação, desde que o pedido seja feito em até dez dias contados do óbito.
Os candidatos podem usar IA?
Para este ano, o TSE aprovou alterações na resolução que trata da propaganda eleitoral para regulamentar, entre outros pontos, o uso de inteligência artificial (IA) pelos partidos e candidatos.
Uma das principais regras é a imposição ao responsável pela propaganda de informar a utilização de IA no conteúdo. A informação deve constar de modo explícito, destacado e acessível. Isso vale para textos, áudios, vídeos e imagens.
Além disso, estão proibidas publicações e republicações, mesmo que de forma gratuita, bem como de impulsionamento pago de conteúdos produzidos ou alterados por IA no período compreendido entre as 72 horas que antecedem o pleito e as 24 horas depois das eleições. Deepfakes estão proibidas.
Na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente, o senador exibiu um vídeo de menos de um minuto em que a imagem e voz do pai aparecem pedindo o apoio a seu "escolhido".
A peça trazia a informação de que fora gerada por inteligência artificial, contudo, a Federação Brasil da Esperança, da qual o PT do presidente Lula faz parte, entrou com uma representação por propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial contra o PL e o candidato.
O caso será analisado pelo TSE, que decidirá se a campanha de Flávio cometeu alguma irregularidade.
Como denunciar irregularidades?
O aplicativo Pardal, do TSE, pode ser utilizado, a partir de agosto, para que qualquer pessoa possa denunciar anonimamente compra de votos, uso da máquina pública e propagandas irregulares.
Como funcionam as urnas eletrônicas?
Usada no país desde a década de 1990, a urna eletrônica possibilita que o Brasil tenha os resultados das eleições poucas horas depois do fim da votação. É diferente do que acontece em outros países, onde a contagem pode levar dias.
Assim que o eleitor confirma o voto na urna eletrônica, a escolha é registrada no Registro Digital do Voto, uma área da urna que armazena todos os votos de forma aleatória. É como se o eleitor estivesse colocando uma cédula de papel em uma urna de lona antiga ou jogando uma gota de água em um copo: é impossível saber quem colocou cada voto ali.
Somente às 17h, quando as eleições se encerram, a urna faz a contagem eletrônica dos votos registrados durante o dia.
Ao final, a urna imprime os resultados em pelo menos cinco cópias dos chamados boletins de urna.
Um dos boletins é colocado na entrada do local de votação, como, por exemplo, na porta da sala de aula em uma escola.
As outras cópias ficam com a Justiça Eleitoral e são entregues a fiscais dos partidos políticos. O eleitor também pode acessar esses boletins online, em tempo real, no aplicativo Boletim na Mão, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), baixável no celular.
Depois disso, cada urna salva os resultados em um pendrive, que é levado para um ponto seguro de transmissão.
A partir daí, os dados são enviados pela rede privada do TSE para supercomputadores em Brasília, que somam os resultados de mais de 500 mil urnas eletrônicas.
Qual horário da votação?
As eleições serão realizadas em todo o país, das 8h às 17h (horário de Brasília), desde que não haja eleitores na fila da seção eleitoral.
Caso ainda existam pessoas aguardando às 17h, serão distribuídas senhas (começando pelo último da fila) para garantir que todos os presentes possam votar.
Quem pode votar?
No Brasil, o voto é obrigatório a partir dos 18 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos. Quem está com o título cancelado, não poderá votar.
Ainda posso tirar ou transferir o título de eleitor?
Não. O prazo final para tirar ou regularizar o título de eleitor, alterar dados ou transferir local de votação foi 6 de maio de 2026. O serviço para tirar ou regularizar o título eleitoral será reaberto em todos os cartórios eleitorais após o 2º turno das Eleições 2026.
Posso votar se estiver em outra cidade?
Quem estiver viajando no dia da eleição pode pedir a transferência temporária para votar em outra cidade. O prazo para solicitar vai até o dia 20 de agosto de 2026.
Se o eleitor estiver dentro do próprio Estado, poderá votar para todos os cargos. Se estiver em outro Estado, só poderá votar para presidente.
Eleitores com título registrado da Zona Eleitoral do Exterior, em trânsito no Brasil no dia da eleição, também podem solicitar o voto em trânsito e votar para presidente em qualquer capital ou município com mais de 100.000 eleitores.
O que levar no dia da votação?
Para votar, é preciso apresentar um documento oficial com foto (identidade, passaporte, carteira de trabalho, e-Título com foto etc.). O celular é proibido na cabine de votação e deve ser deixado em local indicado pelos mesários.
Se o título estiver regular, é possível votar mesmo sem ter biometria coletada.
O TSE também recomenda que o eleitor leve uma colinha eleitoral para não perder tempo na hora de votar e nem se esquecer do número dos candidatos.
Posso usar camisas de candidatos?
No dia da eleição, é permitido usar broches, adesivos, bandeiras e camisetas de candidatos, de forma individual e silenciosa. Boca de urna e aglomerações com roupas padronizadas são proibidas!
Qual a diferença entre voto branco e nulo?
Não há diferença entre voto branco e voto nulo para a contagem dos votos, ambos são excluídos da totalização dos resultados.
O eleitor vota em branco quando pressiona a tela branca da urna eletrônica e confirma. Já o voto nulo ocorre quando há erro de digitação. Se o eleitor digitar um número que não corresponda a partido ou candidato, o voto é anulado.
Prisões são proibidas no período eleitoral?
Nenhum eleitor pode ser preso entre 29 de setembro e 6 de outubro de 2026, exceto se for pego em flagrante delito ou tiver condenação por crime inafiançável.
Ônibus e metrô são de graça no dia da eleição?
Todas as cidades que possuem transportes coletivos devem oferecê-los de forma gratuita no dia da votação, com a mesma frequência de um dia útil.
É proibido que candidatos ou partidos ofereçam transporte ou refeições para os eleitores em troca de votos.
Não vou consegui votar. O que fazer?
No dia da eleição é possível justificar a ausência pelo aplicativo e-Título ou indo pessoalmente a uma Mesa Receptora de Justificativa.
Depois da eleição, o eleitor tem até 3 de dezembro de 2026 (se não votou no 1º turno) e 8 de janeiro de 2027 (se não votou no 2º turno) para justificar. É possível fazer isso pela internet, pelo aplicativo e-Título ou no cartório eleitoral.
Para quem estiver no exterior, o prazo é de 30 dias contados a partir do retorno ao Brasil.
Quem não justificar receberá uma multa de R$ 3,51 por turno perdido. Se não pagar multa, a pessoa fica impedida de tirar passaporte, concorrer em concursos públicos e se matricular em universidades públicas.