Três anos após tragédia: o luto que não cessa em Domingos Martins
Três anos após o acidente na BR 101, em Mimoso do Sul, que matou 11 pessoas nove delas eram integrantes do grupo de dança Bergfreunde, de Domingos Martins familiares das vítimas e sobreviventes lutam para amenizar a dor da ausência daqueles que se foram.
Mães, pais, irmãos e amigos das vítimas precisam de remédio, acompanhamento psicológico e muito apoio dos colegas para lidar com os traumas que surgiram após a tragédia que aconteceu em 10 de setembro de 2017.
Em Domingos Martins, é impossível conhecer alguém que não tinha contato com as pessoas que estavam no micro-ônibus que pegou fogo após se envolver em uma colisão com duas carretas o motorista e o dono de um dos caminhões são apontados pelo Ministério Público do Espírito Santo como os responsáveis pela batida considerada um dos maiores acidentes da história do Estado. Eles serão levados a júri popular, mas o julgamento ainda segue sem previsão de ser marcado. O sofrimento aumenta devido a essa ausência de uma data para que os réus sejam julgados.
A cozinheira Lenilda Wetter perdeu a filha Karini Santana Wetter, de 16 anos, na tragédia. Até hoje, Lenilda é dependente de remédios para conseguir se manter de pé e seguir com a rotina. Minha filha com uma vontade de viver tão grande, cheia de planos, de sonhos e perdeu por causa de uma pessoa ignorante no trânsito. Esse vazio, o lugar dela em minha casa, o lugar dela comigo não vai ser preenchido nunca", diz Lenilda, chorando ao se lembrar do acidente.
Quem também luta para superar os traumas é o ajudante de pedreiro Erinaldo Sebastião, pai de Luis Fabiano, de 10 anos, que morreu na tragédia junto à mãe, que é ex-mulher do servente.
Para mim não está fácil não. Perder um filho não é moleza não. Praticamente eu choro todos os dias, mas não quero esquecer também não. Quero chorar todos os dias. Só quem perde alguém do fundo do coração, sabe o que é, desabafa.
Entre os sobreviventes, ficou a missão de seguir com a vida, carregando o legado do grupo de dança. Atual coordenador do grupo cultural, William José Mayer de Souza, de 20 anos, que também estava no micro-ônibus, diz que foi dolorido retomar ensaios e apresentações sem os amigos que morreram.
"Vou te falar que nunca foi e nunca vai ser a mesma coisa. Ninguém substitui ninguém, nunca vai ser a mesma coisa. A gente segue em frente para levar o legado"
A inspetora de qualidade de sistema Natália Herbst, de 36 anos, que estava no micro-ônibus, é uma das vítimas que sofrem com a falta de respostas. Além de ver amigos morrerem no acidente, ela, assim como outras vítimas, ainda teve um prejuízo financeiro com a perda de notebook e celular e até hoje não conseguiu nenhum ressarcimento através da Justiça.
Acabei largando minha vida pessoal de lado, descuidei da alimentação e cheguei a pesar 109 kg. Passei por problemas de saúde, conta Natália, que fez uma cirurgia bariátrica e já perdeu 15 kg após o procedimento.
Nesta quinta-feira (10), moradores da cidade farão uma carreata para homenagear os integrantes do grupo de dança Bergfreunde que morreram no acidente. A organização do evento pede que moradores e comerciantes coloquem na fachada de seus imóveis faixas pretas em sinal de luto do dia 10 ao dia 22, data de reconhecimento oficial da última vítima do desastre.