Atualização
11/07/2023 - 7:19
O Ministério Público do Espírito (MPES) divulgou, nesta terça-feira (11), que obteve a condenação de Wagner dos Santos Sepulcro a 16 anos e 4 meses de prisão e de Elieudo da Costa Ferreira a 21 anos, 3 meses e 20 dias de prisão. Eles foram condenados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e cumprirão as penas em regime inicialmente fechado. Segundo o MPES, Elieudo também foi condenado por porte ilegal de arma de fogo.
O julgamento de Wagner dos Santos Sepulcro e Elieudo da Costa Ferreira, suspeitos de arrancarem os olhos e depois matarem Cleiton Mendes de Souza, em novembro de 2019, em Jardim Carapina, Serra, já tem data marcada. Os réus serão submetidos a um júri popular, na próxima terça-feira (04), pelos crimes de homicídio triplamente qualificado.
A previsão é que o julgamento ocorra no Fórum Criminal Desembargador João Manoel de Carvalho, também no município, a partir das 13 horas.
A reportagem procura a defesa dos acusados para comentarem sobre o assunto. O espaço segue aberto para as partes.
Relembre o caso
Dois comerciantes foram presos acusados de assassinar o auxiliar de almoxarifado Cleiton Mendes de Souza, à época com 29 anos, em Jardim Carapina, na Serra. De acordo com a polícia, os acusados arrancaram os olhos da vítima ainda vivo e depois deram dois tiros na cabeça dela.
Os presos são o comerciante Elieudo da Costa Ferreira, o Paraíba, e o dono de um forró Wagner dos Santos Sepulcro. Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Serra, a vítima estava no forró de Wagner com amigos, por volta das 3 horas.
Suspeitos de arrancarem olhos de jovem e matá-lo vão a júri popular no ES
Um dos amigos de Cleiton se envolveu em uma confusão dentro do forró, momento em que a vítima interveio na briga, assim como o filho de Wagner. Nesse momento, Cleiton deu um tapa no braço no rapaz.
"Os dois já tinham um problema anterior, pois um ano antes, durante o velório do pai de Cleiton, esse rapaz passou em frente ao local e comentou que 'tinha um presunto' sendo velado. Cleiton discutiu com o filho de Wagner e pediu respeito pelo pai, que havia morrido de pneumonia", descreveu Rodrigo Sandi Mori, delegado titular da DHPP Serra.
Cleiton insistiu em querer brigar com o filho de Wagner. Os amigos dele apartaram a confusão e o levaram embora do local. Cleiton não desistiu, pois, 20 minutos depois ele voltou de bicicleta ao forró, sozinho e embriagado, querendo entrar para brigar com o desafeto.
"Foi aí que Wagner, o dono do forró, e o Elieudo amarram a vítima nos pés e nas mãos, o jogaram na carroceria do carro de Elieudo e o levaram até o lixão às margens da Rodovia do Contorno. No local arrancaram os olhos da vítima ainda em vida e deram dois disparos na cabeça", detalhou o delegado.
O corpo só foi encontrado por volta das 9 horas do mesmo dia, quando a Polícia Civil soube do crime e deu início às investigações. Um mês depois do crime, a DHPP Serra deteve o Elieudo na frente da casa dele e Wagner, dormindo nos fundos do forró, ambos em Jardim Carapina.
Na casa da namorada de Elieudo, em Balneário de Carapebus, a polícia apreendeu uma pistola Glock, calibre .40, estrangeira e mais 42 munições. "É uma arma que tem o que há de mais moderno em armamento na atualidade, foi fabricada na Áustria, tem carregador normal e outro alongado para 30 munições e ainda seletor de rajada. Elieudo a comprou por R$ 13 mil", descreve Sandi Mori.
"A vítima era um trabalhador, não era usuário de drogas, não tinha envolvimento com crimes. Foi um assassinato que poderia ter sido evitado se os comerciantes tivessem chamado a polícia para resolver qualquer situação, levado Cleiton embora para casa. Ao contrário, os dois acusados preferiram amarrar a vítima, torturá-la e executá-la", enfatizou o delegado.