Preso em flagrante após balear um empresário de 52 anos no início da noite de quarta-feira (13), no Centro de Vitória, o policial penal Júlio César Fiorotti, de 53 anos, já respondeu a outro processo administrativo. Por conta do caso mais recente, a Corregedoria da Polícia Penal abriu uma investigação para apurar a conduta do agente, que estava de folga no momento da confusão. O procedimento tem prazo de até 60 dias para ser concluído.
Esta é a segunda vez que Júlio César responde a um processo administrativo. Em 2016, de acordo com a Polícia Penal, ele efetuou disparos durante um evento enquanto estava fora do horário de serviço. Na ocasião, o agente foi considerado inocente.
“Ao final do processo, ele pode chegar a penalidades que vão de advertência até demissão e também, se for explicado e ver que não há irregularidade, ele pode ser arquivado”, explicou o Corregedor da Polícia Penal, Bruno Brandão.
Isso não é comportamento esperado de um policial penal. Não é ensinado na nossa academia de polícia. Por isso a corregedoria vai atuar para entender os fatos e esclarecer
Bruno Brandão Corregedor da Polícia Penal
A briga envolvendo Júlio César e o empresário começou enquanto os dois comiam um churrasquinho. O policial estava de folga no momento da discussão.
Segundo relato do empresário na Delegacia Regional de Vitória, ele é sócio de uma empresa do Rio de Janeiro e estava no Espírito Santo a trabalho. O homem contou que saiu para jantar com funcionários quando o desentendimento teve início.
Segundo relato de testemunhas, depois da briga, o policial, que estaria alcoolizado, teria deixado o local por um momento. Ao retornar, reiniciou a discussão e, durante a confusão, atirou na vítima.
Em entrevista à repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, o tenente Elvis, da Polícia Militar, explicou que as versões sobre o que ocorreu são contraditórias.
"A vítima fala que o policial penal chegou desacatando ele, estranhando a forma de olhar, e iniciou uma abordagem, e entraram em vias de fato. A vítima alega que tentou pegar a arma do policial e houve um disparo, possivelmente até acidental. Houve uma mobilização, os populares tomaram a arma do policial e iniciaram um linchamento em via pública."
A vítima e o policial ferido foram socorridos para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), antigo São Lucas.
Em entrevista à TV Gazeta, o empresário atingido pelos estilhaços deu uma nova versão: disse que, ao chegar ao churrasquinho, onde costuma comer com os colegas após o expediente, o policial estava passando e se irritou com um dos funcionários da vítima, perguntando por qual motivo ele o encarava. O rapaz disse apenas que estava olhando a rua e o chefe tentou intervir, dizendo que não queriam problemas.
"Ele saiu e foi em direção à casa dele. A gente foi pegar o outro churrasquinho e o dono falou: "Vai embora, porque ele foi em casa pegar uma arma e ele está acostumado a fazer isso. Vai embora, não precisa nem pagar. Quando você voltar para fazer outro lanche, acerta comigo. E assim fizemos".
O empresário relatou que ele e quatro funcionários estavam retornando ao hotel em que estavam hospedados quando foram surpreendidos pelo policial, que puxou uma pistola e a encostou na barriga dele, dizendo que agora acertaria a questão.
"Ele puxou meu braço para trás. Quando puxou, a pistola disparou. Como o rapaz disse que ele já tinha feito aquilo, e me pareceu que ele atirou no chão... eu nem tinha visto que me machuquei todo... Eu tentei desarmá-lo. Quando eu tentei, ele me jogou no chão, botou as pernas nas minhas costas e puxou meu braço para trás. Nisso, ele tirou a pistola da minha mão e saiu correndo. Eu não vi mais nada", disse.
De acordo com informações preliminares da Polícia Penal, o caso ainda está sendo investigado pela Polícia Civil; entretanto, o disparo, que atingiu a mão da vítima, teria ocorrido de maneira acidental, durante luta corporal entre os homens. Ainda segundo a corporação, nenhum deles apresenta risco de vida.
A Polícia Penal informou que, por meio de sua Corregedoria, já iniciou a apuração dos fatos e acompanha o caso, prestando apoio ao policial envolvido, assim como atendimento ao empresário.
"A instituição também se coloca à disposição da Polícia Civil do Espírito Santo, responsável pela condução das investigações no âmbito legal", disse.
A corporação reforçou que não compactua com qualquer tipo de agressão ou ato de violência, e que pauta sua atuação pela legalidade, responsabilidade e respeito à sociedade.
Segundo a Polícia Civil, Júlio César Fiorotti foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio e encaminhado para o sistema prisional.