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Feminicídio

Obra no piso fez polícia desconfiar de marido de mulher morta no ES

"Isso nos acendeu um alerta. A todo momento ele se mostrava sempre muito calmo, muito frio, tranquilo, com o desaparecimento dela", disse delegado à TV Gazeta

Publicado em 26 de Julho de 2026 às 18:25

Redação de A Gazeta

Publicado em 

26 jul 2026 às 18:25

Obra em casa, com instalação de piso em cerâmica, durante o desaparecimento da esposa. Essas informações levaram a Polícia Civil do Sul do Espírito Santo a desconfiar de Mário Almeida Pinto, de 46 anos, que confessou ter matado e enterrado, dentro de casa, Monique Oliveira Fernandes, 33 anos.


A Polícia Civil voltou a conversar com Mário, durante as investigações, depois de receberem a informação de que ele estava fazendo uma obra dentro casa, mesmo com a esposa desaparecida há 20 dias. A informação foi repassada pelo delegado titular da Delegacia de Polícia (DP) de São José do Calçado, Messias Sirtuli, em entrevista à TV Gazeta.


"Isso nos acendeu um alerta. A todo momento ele se mostrava sempre muito calmo, muito frio, tranquilo, com o desaparecimento dela. Foi aí que chamamos ele para conversar", completou o delegado.

Mulher desaparecida é enterrada dentro de casa em São José do Calçado
Mulher desaparecida é enterrada dentro de casa em São José do Calçado Polícia Civil

Mário dizia, antes, que Monique havia viajado para Rio das Ostras (RJ), mas ele não conseguiu sustentar essa versão, segundo a polícia. Nesta sexta-feira (24), Mário voltou a procurar a polícia, desta vez acompanhado de um advogado, e confessou que assassinou a esposa Monique dentro de casa.


"Depois de atentar com a vida de Monique, ele cavou um buraco dentro do quarto do casal e enterrou o corpo dela. Reconstruiu o contrapiso e, além disso, ele assentou cerâmicas no lugar. Precisamos de apoio porque, de fato, ele tinha feito um túmulo bem-feito para Monique", contou à TV GAZETA o delegado Messias Sirtuli


Após a confissão, equipes da Polícia Civil seguiram até a residência, no Centro do município, acompanhadas pelo suspeito. No imóvel, ele indicou o local exato onde Monique estava enterrada.

A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia e contou com o apoio de servidores da Prefeitura de São José do Calçado na remoção do piso e na escavação do ambiente. A Polícia Militar também esteve no local para dar apoio à ocorrência.


Após os trabalhos periciais, o corpo foi encaminhado para a Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim, onde passaria por exame necroscópico.


Segundo o delegado Messias Sirtuli, Mário alegou que houve uma discussão sobre a saída de Monique de casa e o casal entrou em luta corporal. Conforme o relato, a vítima teria tentado atacá-lo com uma faca, momento em que ele a golpeou na cabeça duas vezes com um banco de madeira.

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"Ele disse em depoimento que o casal brigou. Que Monique teria partido para cima dele com uma faca e, para se defender, pegou um banco de madeira e golpeou a cabeça dela. Ela se levantou, teria partido para cima dele de novo, e nesse momento ele deu outro golpe na cabeça dela. Ela caiu desacordada e morta, segundo ele", disse o delegado à TV Gazeta.


Mário Almeida Pinto foi encaminhado à Delegacia Regional de Alegre, onde foi autuado em flagrante por ocultação de cadáver. Ele já foi encaminhado ao sistema prisional. De acordo com o delegado, embora ele tenha confessado o feminicídio, a prisão em flagrante pelo homicídio não era possível porque o crime teria ocorrido dias antes da apresentação espontânea do investigado. Já a ocultação de cadáver é considerada um crime permanente, previsto no Código de Processo Penal, o que permitiu a autuação em flagrante.

"Fiz de tudo para evitar essa tragédia", diz mãe da vítima

Em entrevista à repórter Mariana Venturoli, da TV Gazeta Sul, a mãe contou que o relacionamento do casal era marcado por desentendimentos e que havia aconselhado a filha a deixar o companheiro.


"A situação começou quando minha filha descobriu mensagens de outra mulher no celular dele. Disse para a Monique vir embora para a minha casa, em Tombos. Fiz de tudo para evitar essa tragédia", afirmou.

Silvania disse que passou a desconfiar quando a filha deixou de responder às mensagens e decidiu procurar a polícia. "Ele é um assassino. Se gostasse mesmo dela, não teria feito isso. Um homem que tira a vida de alguém não ama, não tem coração e não merece liberdade. Quero que a Justiça de Deus seja feita e que ele pague por tudo o que fez", declarou.


Monique deixa dois filhos, um menino e uma menina, de um relacionamento anterior.


A Prefeitura de São José do Calçado divulgou nota lamentando o crime e prestou solidariedade à família da vítima.


Com informações de g1/ES

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