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Combate à criminalidade

Polícia mira facção de Cariacica que expandiu tráfico para o interior do ES

Investigação aponta atuação do Terceiro Comando Puro (TCP) em Itaguaçu; 19 pessoas já foram presas

Publicado em 13 de Maio de 2026 às 16:29

Nayra Loureiro

Publicado em 

13 mai 2026 às 16:29
Operação Bad Host aconteceu nos municípios de Itaguaçu e Cariacica na madrugada de terça-feira (12)
Operação Bad Host aconteceu nos municípios de Itaguaçu e Cariacica na madrugada de terça-feira (12) Divulgação | Polícia Civil

Uma megaoperação da Polícia Civil deflagrada na madrugada de terça-feira (12) teve como alvo integrantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP), investigados por expandir o tráfico de drogas de Cariacica para o município de Itaguaçu, na Região Serrana do Espírito Santo.


Batizada de Operação Bad Host, a ação cumpriu mandados nas duas cidades e terminou, até o momento, com 19 presos. Ao todo, a Justiça expediu 27 mandados de prisão e nove de busca e apreensão.


Os investigados são suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e homicídios.


Material apreendido durante a operação em Itaguaçu
Material apreendido durante a operação em Itaguaçu Divulgação | Polícia Civil

Investigação começou em 2024

De acordo com o titular da Delegacia de Itaguaçu, delegado Renan Alves dos Santos, a presença da facção começou a ser identificada a partir de meados de 2024. Segundo ele, após a prisão de criminosos que atuavam no município, traficantes locais fizeram uma aliança com integrantes de Cariacica para manter o comércio ilegal de drogas na cidade. 


“Esses indivíduos não tinham vínculo nenhum com a cidade, vínculo lícito, ou seja, não trabalhava, não estudava, não tinham parentes, nada disso. Alugavam uma casa e se estabeleciam lá”, explicou.


A investigação ganhou força após um homicídio registrado em setembro de 2024, no bairro Florencio Herzog, conhecido como Barro Preto. Ao longo das apurações, a polícia identificou que a facção tentava monopolizar o tráfico em Itaguaçu e retaliava quem se recusava a integrar o grupo.


Segundo a investigação, Itaguaçu também passou a ser usada como uma espécie de refúgio por criminosos que estavam na mira da polícia na Grande Vitória. Com o avanço das apurações no interior, parte dos investigados passou a retornar para Cariacica.

Traficante foi morto após recusar facção

Um dos casos apontados pela investigação é o assassinato de Giovanni Martins, conhecido como “Terrível”, morto em maio deste ano no centro de Itaguaçu. Segundo o delegado Renan Alves, Giovanni atuava no tráfico de drogas e teria se recusado a aderir ao grupo criminoso. 


“Ele foi avisado que seria retaliado. O homicídio dele se deu no centro da cidade, ao lado de um posto extremamente movimentado. Ele estava fazendo um churrasco nesse estabelecimento, tinha vários amigos junto, muita gente circulando, câmeras, e, mesmo assim, esse indivíduo, ao avistar ele, foi em casa, colocou uma jaqueta, um capuz por cima, colocou um boné abaixado e achou que não seria identificado”, relatou.


Apesar do esforço para não ser reconhecido, o suspeito foi identificado a partir de análise de câmeras de videomonitoramento.

Líder foi preso na Bahia

(esquerda) Jefferson Caldeira, o líder da organização criminosa; (direita) Cristian do Nascimento Batista, o responsável pelos homicídios durante a expansão da organização criminosa
(esquerda) Jefferson Caldeira, o líder da organização criminosa; (direita) Cristian do Nascimento Batista, o responsável pelos homicídios durante a expansão da organização criminosa Divulgação | Polícia Civil

A investigação também identificou Jefferson Caldeira como uma das lideranças da facção na rota entre Cariacica e Itaguaçu. Ele foi preso em fevereiro deste ano em Eunápolis, na Bahia, após fugir do Espírito Santo durante o avanço das investigações. “Ele é a liderança desse grupo criminoso desde Cariacica a Itaguaçu”, disse o delegado Renan Alves.


Outro alvo apontado como integrante do grupo é Christian, investigado por homicídios em Itaguaçu e Cariacica, além de roubo. 

Outros alvos da operação

Entre os investigados também está uma mulher trans, identificada atualmente como Pedro Ivo, que antes usava o nome Jennifer. Segundo a polícia, ela tinha uma função considerada subalterna no grupo, atuando na venda de drogas no varejo em Itaguaçu. “Ela tinha atribuição de venda a varejo das drogas. Se estabeleceu em Itaguaçu durante um tempo, mas atualmente já tinha saído e voltado para a Região Metropolitana”, explicou Renan Alves.


A operação também prendeu, em Cariacica, a esposa de um dos apontados como integrantes da cúpula do grupo. Segundo o delegado, o marido dela conseguiu fugir ao perceber a chegada da polícia. “Essa prisão mostra um movimento inverso. Esses indivíduos saindo de Itaguaçu e vindo se estabelecer aqui”, afirmou.


O delegado-geral Jordano Bruno afirmou que a operação representa uma resposta direta ao avanço de facções criminosas no interior do Estado. “Facção criminosa não vai ter domínio, impotência alguma de território nosso. Quando a polícia chega, esses criminosos não vão ficar ali, eles vão ser presos, eles vão ser responsabilizados criminalmente”, declarou.

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