A Justiça concedeu liberdade, mediante pagamento de fiança, ao médico Marcio Antonio Leite Lima, de 57 anos, preso após apontar uma arma de fogo para o rosto de um vendedor de uma distribuidora de bebidas, em Vila Velha, na tarde do último sábado (31).
O médico passou por audiência de custódia na segunda-feira (2). Na decisão, a juíza Monica da Silva Martins substituiu a prisão por medidas cautelares e estabeleceu fiança de R$ 15 mil.
O caso aconteceu no estabelecimento La Casa de Cerveja, na Avenida Hugo Musso, na Praia da Costa. A confusão começou, segundo relato da vítima à repórter Taciane Vasconcelos, da TV Gazeta, após ele se negar a vender uma caixinha de relógio para o suspeito, que queria usar o item como embalagem de um presente para a esposa.
Entre as determinações judiciais estão a proibição de sair da Grande Vitória sem autorização da Justiça, de frequentar bares, boates e estabelecimentos semelhantes e de ir ao local onde ocorreu o caso.
Ele também está proibido de manter qualquer tipo de contato com a vítima e deverá respeitar uma distância mínima de 500 metros do vendedor.
O descumprimento de qualquer uma das medidas poderá resultar na decretação da prisão preventiva.
A Secretaria da Justiça (Sejus) informou que o médico recebeu alvará de soltura ainda na segunda-feira e deixou o sistema prisional.
A reportagem também tenta localizar a defesa de Marcio Antonio e o espaço segue aberto para manifestações.
Segundo apuração da TV Gazeta, Marcio Antonio teria chegado no local, por volta de meio-dia, com um amigo. Antes da discussão, de acordo com o funcionário do estabelecimento, o médico teria tomado algumas doses de uísque. Por não ter tido sua oferta aceita, sacou a arma como forma de conseguir o objeto, contou a vítima à reportagem.
Depois de acenos de populares, a Guarda Municipal, que patrulhava a região, afirma ter visto o médico com a arma de fogo voltada para o trabalhador. Levado para a Delegacia Regional da cidade, o suspeito foi autuado por ameaça e por porte ilegal de arma de fogo.
À Polícia Civil, os agentes municipais disseram que o suspeito apresentava sinais de embriaguez, como forte cheiro de álcool e fala arrastada, além de andar cambaleando.
A susposta ameaça contra o funcionário também foi vista pelo dono da distribuidora a distância, por meio de uma câmera de videomonitoramento, instalada em cima do balcão. Diante do perigo, o proprietário também acionou a polícia.
Segundo o Boletim Unificado, Marcio Antonio guardou uma Tauros, calibre 38, no bolso, ao ser abordado pelos guardas. Ele teria se identificado como médico do Exército Brasileiro e, junto ao suspeito, as autoridades encontraram ainda cinco cartuchos e outras seis munições, todos estes intactos.
Os guardas solicitaram ao médico a identidade funcional e o registro da arma. Em contato com o Exército, foram informados que o documento entregue como sendo do revólver pertence a outro equipamento e que a carteira de identificação prescreveu desde 2003. O órgão das Forças Armadas ainda esclareceu que o homem não faz mais parte do quadro militar.
O profissional da saúde, como mostra as redes sociais dele, trabalha na iniciativa privada, não fazendo parte do funcionalismo estadual.