Marlon Costa Francisco, de 30 anos, morto a tiros durante um ataque no bairro Arlindo Villaschi, em Viana, não tinha envolvimento com o tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil. As investigações apontaram que o crime, ocorrido em 29 de março, foi motivado pela disputa territorial entre organizações criminosas rivais pelo controle do tráfico na região.
De acordo com a corporação, ficou constatado que Marlon era inocente e estava apenas no lugar errado, na hora errada. A vítima estava sentada em frente à própria residência quando foi atingida pelos disparos.
Segundo o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Júnior, testemunhas relataram que dois homens em uma motocicleta vermelha foram os responsáveis pelo ataque.
"Afirmaram que o bairro Arlindo Villaschi, comandado pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV), estava em guerra com o bairro São Francisco, em Cariacica, dominado pelo TCP (Terceiro Comando Puro) e teriam sido integrantes do TCP que teriam praticado esse homicídio", explicou o delegado.
Conforme a DHPP, Marlon não integrava nenhuma facção criminosa nem comercializava drogas. De acordo com a investigação, os ataques entre os grupos rivais não tinham necessariamente uma vítima previamente definida e também atingiam moradores sem envolvimento com a criminalidade.
Durante as investigações, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) auxiliou na identificação da motocicleta utlizada no crime. A Polícia Civil apontou Brendonn Gonçalves da Silva, conhecido como "Breninho", de 23 anos, como o responsável pelos disparos. Já Carlos Henrique Martins Amaral Mendes, chamado de "Kiko" e "Zarolho", de 37 anos, foi identificado como o condutor da motocicleta.
O veículo utilizado no ataque foi abandonado e localizado pela Guarda Municipal de Viana em 1º de abril. A investigação também apontou que, nos dois dias seguintes ao homicídio, os suspeitos retornaram ao bairro Arlindo Villaschi e efetuaram disparos para o alto com o objetivo de intimidar moradores.
A Polícia Civil identificou ainda Abraão Soares de Souza, conhecido como "Professor", de 26 anos, como o suposto mandante do crime. Segundo a corporação, ele é apontado como chefe do tráfico de drogas no bairro São Francisco, em Cariacica.
Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária dos três investigados.
Brendonn, apontado como autor dos disparos, já havia sido preso pela Polícia Militar, cerca de uma semana após o homicídio, em uma ocorrência na qual foram apreendidas armas, municções e drogas. Abraão foi preso em Guarulhos, em São Paulo, onde deu início ao cumprimento do mandado.
Carlos Henrique era o único dos três que ainda estava foragido, mas também foi localizado pela Polícia Militar e preso. "Então só faltava o Carlos Henrique, que continuava foragido. A Polícia Militar teve êxito em encontrá-lo e deu cumprimento ao mandado de prisão", afirmou o delegado.