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Guerra do tráfico

Homem morto em ataque de facção em Viana era inocente, diz polícia

Marlon Costa Francisco, de 30 anos, foi baleado em frente de casa durante disputa entre facções criminosas; três suspeitos foram presos

Publicado em 28 de Outubro de 2026 às 20:36

Caroline Freitas

Publicado em 

28 out 2026 às 20:36
Marlon Costa Francisco, de 30 anos, foi assassinado a tiros na calçada de casa, em Viana PCES/Divulgação

Marlon Costa Francisco, de 30 anos, morto a tiros durante um ataque no bairro Arlindo Villaschi, em Viana, não tinha envolvimento com o tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil. As investigações apontaram que o crime, ocorrido em 29 de março, foi motivado pela disputa territorial entre organizações criminosas rivais pelo controle do tráfico na região. 


De acordo com a corporação, ficou constatado que Marlon era inocente e estava apenas no lugar errado, na hora errada. A vítima estava sentada em frente à própria residência quando foi atingida pelos disparos.


Segundo o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Júnior, testemunhas relataram que dois homens em uma motocicleta vermelha foram os responsáveis pelo ataque. 


"Afirmaram que o bairro Arlindo Villaschi, comandado pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV), estava em guerra com o bairro São Francisco, em Cariacica, dominado pelo TCP (Terceiro Comando Puro) e teriam sido integrantes do TCP que teriam praticado esse homicídio", explicou o delegado.

Dois dos investigados por atirar em Marlon Costa Francisco estavam em uma moto PCES/Divulgação

Conforme a DHPP, Marlon não integrava nenhuma facção criminosa nem comercializava drogas. De acordo com a investigação, os ataques entre os grupos rivais não tinham necessariamente uma vítima previamente definida e também atingiam moradores sem envolvimento com a criminalidade.


"Os traficantes do PCV também iam ao bairro São Francisco, promoviam ataques, também baleando pessoas totalmente inocentes. E, como retaliação, os traficantes de lá iam ao bairro Arlindo Villaschi matar pessoas", afirmou Cleudes Júnior.

O delegado explicou que, inicialmente, os criminosos pretendiam atingir pessoas envolvidas com a venda de drogas na região, por considerá-las aliadas ao PCV. Entretanto, Marlon acabou sendo baleado enquanto estava em frente à própria casa.

"Nas proximidades do local onde Marlon morava, funcionava uma boca de fumo. Tinha um menor de idade na pista vendendo drogas, só que esse menor conseguiu sair e o Marlon, que estava naquele local (sentado em frente de casa), acabou levando esses disparos", relatou.
Três investigados identificados

Durante as investigações, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) auxiliou na identificação da motocicleta utlizada no crime. A Polícia Civil apontou Brendonn Gonçalves da Silva, conhecido como "Breninho", de 23 anos, como o responsável pelos disparos. Já Carlos Henrique Martins Amaral Mendes, chamado de "Kiko" e "Zarolho", de 37 anos, foi identificado como o condutor da motocicleta.


O veículo utilizado no ataque foi abandonado e localizado pela Guarda Municipal de Viana em 1º de abril. A investigação também apontou que, nos dois dias seguintes ao homicídio, os suspeitos retornaram ao bairro Arlindo Villaschi e efetuaram disparos para o alto com o objetivo de intimidar moradores.


A Polícia Civil identificou ainda Abraão Soares de Souza, conhecido como "Professor", de 26 anos, como o suposto mandante do crime. Segundo a corporação, ele é apontado como chefe do tráfico de drogas no bairro São Francisco, em Cariacica.

Brendonn Gonçalves da Silva, Carlos Henrique Martins Amaral Mendes e Abraão Soares de Souza foram presos pela morte de Marlon PCES/Divulgação

Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária dos três investigados.


Brendonn, apontado como autor dos disparos, já havia sido preso pela Polícia Militar, cerca de uma semana após o homicídio, em uma ocorrência na qual foram apreendidas armas, municções e drogas. Abraão foi preso em Guarulhos, em São Paulo, onde deu início ao cumprimento do mandado. 


Carlos Henrique era o único dos três que ainda estava foragido, mas também foi localizado pela Polícia Militar e preso. "Então só faltava o Carlos Henrique, que continuava foragido. A Polícia Militar teve êxito em encontrá-lo e deu cumprimento ao mandado de prisão", afirmou o delegado.

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