O ex-marido de Juliana Paulo Pinto, grávida de quatro meses encontrada morta e queimada em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, afirmou à Polícia Civil que matou a vítima por causa de desentendimentos e problemas judiciais entre os dois. Diego Marques Alves, de 31 anos, e a atual companheira dele, Geovana Maria Vieira, de 24, foram presos em flagrante por ocultação de cadáver.
Segundo o delegado Felipe Vivas, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro, Juliana e Diego estavam separados desde o início do ano. Em maio, ela conseguiu uma medida protetiva contra o ex-marido. Familiares também relataram à polícia que a relação era marcada por conflitos e que havia histórico de agressões por parte dele. Em julho, foi solicitado ainda um pedido de medida protetiva de urgência em favor do filho do casal.
É um crime repugnante, é um crime que até mesmo numa equipe experiente, como é a da DHPP, causou repulsa e indignação. Por mais que ele tentasse justificar qualquer coisa, esse crime não tem justificativa. No entanto, ele alega que foi em razão das constantes contendas que ele possuía com a vítima
Felipe Vivas Delegado titular da DHPP
Juliana estava desaparecida desde segunda-feira (12) e foi encontrada morta na tarde de quarta-feira (14), na localidade de Monte Líbano, em uma área rural do município. A investigação aponta que o corpo foi desmembrado na casa do suspeito e queimado em um local ermo, já utilizado em outros crimes de ocultação de cadáver. No local, foram encontrados uma sandália da vítima e galões de combustível.
Geovana afirmou à polícia que tinha provas de que não participou do crime e mencionou uma fotografia relacionada a uma conversa com uma amiga, feita por volta das 3h. A Polícia Civil, no entanto, suspeita que ela estivesse acordada e tenha participado da ação posterior para ocultar o corpo.
Os dois foram autuados em flagrante por ocultação de cadáver. A Polícia Civil solicitou a prisão temporária de ambos enquanto investiga o caso como suspeita de homicídio qualificado, com possível enquadramento como feminicídio, e aborto sem consentimento.
A audiência de custódia de Diego e Geovana está marcada para sexta-feira (16), às 10h, segundo o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). A reportagem tenta contato com a defesa do casal, e deixa este espaço aberto para manifestações.