Uma cena sobre abuso sexual exibida em uma série de televisão levou uma criança a revelar à mãe que era vítima de violência sexual havia anos, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. Segundo a Polícia Civil, o menino assistia ao programa com a mãe quando contou que uma pessoa próxima à família praticava com ele atos semelhantes aos mostrados na televisão.
Ao ouvir o relato do filho, a mãe procurou a polícia e denunciou o caso. A investigação foi concluída e encaminhada à Justiça, que condenou o homem, em maio deste ano, a 24 anos, quatro meses e 15 dias de prisão.
A identidade do condenado, da vítima e de outros envolvidos, assim como o bairro onde os abusos ocorreram, não será divulgada para preservar a criança e evitar que ela seja identificada.
Segundo a Polícia Civil, após a condenação, o homem, de 62 anos, fugiu para Teixeira de Freitas, na Bahia, mas foi encontrado pela Polícia Civil baiana na terça-feira (29). A informação foi divulgada pela PCES em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (1º).
A titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso (DPCAI) de Colatina, a delegada Jaciely Favoretté, destacou a importância de ouvir as crianças e estar atento a mudanças de comportamento ou relatos que possam indicar violência sexual.
"Qualquer ato sexual ou libidinoso, ainda que não tenha penetração, praticado contra menor de 14 anos é considerado estupro de vulnerável. Muitas vezes, as crianças não sabem o que é um ato sexual, mas conseguem relatar fatos: “Ah, o tio fica olhando quando eu vou tomar um banho”, por exemplo”, explicou a delegada.
Segundo Jaciely, a criança apresentou sinais antes de o caso ser descoberto. "A mãe disse que percebia que, às vezes, o filho se encontrava um pouco assado e reclamava de dor para evacuar. A gente tem que prestar sempre muita atenção, porque um sinal que parece uma bobeira pode indicar outra situação”, reforçou.
Maioria dos casos envolve pessoas próximas, diz delegada
A delegada também alertou que muitos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes envolvem familiares ou pessoas próximas, que se aproveitam da relação de confiança com a vítima.
“Infelizmente, a grande maioria dos casos acontece por pessoas próximas: pais, avós, tios, filhos, irmãos, padrasto e vizinhos. Eles se utilizam dessa confiança da criança, que pode acreditar que aquilo é um carinho. Dependendo da idade, a criança ainda não consegue diferenciar o que é um carinho de um abuso”, frisou.
Segundo Jaciely, identificar e denunciar rapidamente uma situação de violência também pode contribuir para a obtenção de provas durante a investigação.
"No caso de Colatina, não conseguimos coletar provas periciais pelo lapso de tempo entre a mãe descobrir e denunciar. Então, é extremamente importante a gente prestar atenção aos sinais e agir rapidamente”, disse.