Um advogado foragido da Justiça do Espírito Santo foi preso no Peru, suspeito de liderar uma organização criminosa envolvida em furtos e roubos contra empresários no Norte do Estado.
Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), Joel Ferreira da Silva Júnior, de 56 anos, foi localizado a partir de uma informação recebida pelo Disque-Denúncia (181). Os dados foram encaminhados ao Laboratório de Inteligência Cibernética da Sesp, que realizou a checagem e a investigação.
Joel foi preso no dia 12 de agosto em uma ação conjunta com autoridades locais e a Interpol, representada no Brasil pela Polícia Federal (PF). Ele aguarda o procedimento de extradição para o Espírito Santo.
Segundo o subsecretário de Inteligência da Sesp, Paulo Expedicto Amaral, Joel foi condenado em 2018 pelos crimes que tinham como alvo grandes empresários do Norte capixaba. Ele é apontado como líder e mentor da organização criminosa, que era formada por 11 integrantes. De acordo com a Sesp, ele era o último integrante do grupo que ainda não havia sido preso.
Quando atuava no Brasil, Joel era advogado e tinha registros na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Espírito Santo e da Bahia.
O gerente do Disque-Denúncia (181), Leandro Barbosa, afirmou que o advogado foi para o Peru em 2018, ano em que foi condenado. Segundo ele, Joel utilizava documentos falsos e trabalhava como comerciante no país.
"Ele vivia uma vida tranquila no Peru e não esperava ser surpreendido. Lá, ele era uma outra pessoa, um outro personagem. Trabalhava com comércio e não possuía nem resquícios de vínculo com o Brasil", contou.
Ainda segundo a Sesp, Joel utilizava conhecimentos sobre processos de investigação, adquiridos durante a atuação como advogado, para cometer os crimes. As autoridades, no entanto, não divulgaram detalhes sobre a forma de atuação da organização criminosa, o número de vítimas ou o valor dos prejuízos porque o processo está sob segredo de Justiça.
A OAB do Espírito Santo foi procurada, mas não se manifestou até o início da noite desta quinta-feira (20). A reportagem tenta localizar a defesa de Joel. O espaço segue aberto para manifestação.
Durante a coletiva de imprensa, o subsecretário de Inteligência da Sesp citou outros dois casos de prisões internacionais em que informações recebidas pelo Disque-Denúncia (181) foram fundamentais.
Segundo ele, uma das capturas ocorreu nos Estados Unidos e envolveu um traficante. A outra foi realizada em Portugal e teve como alvo um homem procurado por estupro.
"Pedimos à população utilize o Disque-Denúncia 181 porque essa informação será checada, processada, e, sendo confirmada, agimos para que os criminosos) possam ser capturados em qualquer local do mundo", finalizou Paulo Expedicto Amaral.