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Após discussão

Acusado de matar professor de capoeira em Itaúnas vai a júri popular

Juiz de Conceição da Barra negou pedido de legítima defesa. Cuarassy Medeiros Del Nery foi morto a tiros em dezembro de 2020, após discussão com o músico Tiago Passos Viana
Viviane Maciel

Publicado em 

03 fev 2022 às 17:14

Publicado em 03 de Fevereiro de 2022 às 17:14

A vítima, Cuarassy Medeiros Del Nery, foi alvejada e morreu na hora
A vítima, Cuarassy Medeiros Del Nery, foi alvejada e morreu na hora Crédito: Reprodução | Facebook
O músico Tiago Passos Viana, acusado de matar a tiros o professor de capoeira Cuarassy Medeiros Del Nery, de 39 anos, em Itaúnas, Conceição da Barra, no Norte do Estado, vai a júri popular. O crime aconteceu em dezembro de 2020, após um desentendimento entre os dois. A decisão sobre o julgamento foi publicada nesta terça-feira (1º) pelo juiz Leandro Cunha Bernardes da Silveira, da comarca do município.
"Verifico provas suficientes nos autos para levar o acusado ao Tribunal do Júri, considerando os depoimentos prestados, laudo pericial, mídia anexada e o próprio interrogatório do réu", afirmou o juiz na decisão, que também mantém a prisão preventiva do acusado, que está em presídio desde fevereiro de 2021. Tiago será julgado por homicídio por motivo fútil (Art 121, parágrafo 2º, inciso II do Código Penal).
Segundo as investigações, vítima e acusado discutiram em frente a uma pousada da vila. Em depoimento, Tiago afirmou que atirou contra o professor de capoeira para se defender, mas a tese de legítima defesa não foi aceita pelo juiz. Veja trecho da decisão:
“Quanto à tese de legítima defesa não restou amplamente comprovado nos autos, por não preencher integralmente os requisitos do art. 25 do CP, isto porque foram desferidos ao menos três disparos de arma de fogo contra a vítima, caindo por terra a tese de uso “moderado” dos meios.”
O músico Tiago Passos Viana chega na delegacia de São Mateus
O músico Tiago Passos Viana chegando à Delegacia de São Mateus, na época do crime Crédito: Reprodução
A decisão pelo júri popular ainda cabe recurso e, caso não haja, defesa e acusação têm até cinco dias para apresentarem os documentos e testemunhas.
A reportagem de A Gazeta tenta contato com a defesa para comentar a decisão e, assim que houver posicionamento, este texto será atualizado.
SOBRE O CRIME
O crime aconteceu no dia 18 de dezembro de 2020. Imagens que foram divulgadas por A Gazeta na época do fato mostram o momento dos disparos. É possível ver acusado e vítima discutindo do lado de fora da pousada, na porta de um bar. A discussão durou menos de dois minutos.
Durante todo o tempo, o autor dos disparos chama a vítima pelo nome e Cuarassy, segurando um copo na mão, diz: "Sai de perto de mim". Duas mulheres tentam separar a confusão e afastar os dois. Eles correm para dentro da pousada, de onde se ouve três disparos. Não é possível ver o que acontece. O professor de capoeira morreu no local.
Cuarassy era morador de Vitória, mas estava na casa de parentes na Vila de Itaúnas. De acordo com os parentes dele, ele passava os meses de férias em Itaúnas fazendo trabalhos extras para complementar a renda, em barraquinha de drinks e com a venda de refeições para turistas.
Segundo um tio da vítima, que pediu para não ser identificado, o professor de capoeira era uma pessoa muito querida na comunidade. "Os nativos gostam muito dele e da nossa família. Ele era muito tranquilo, nada justifica tirar a vida de alguém tão jovem", desabafou. Cuarassy tinha dois filhos.

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