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Entrevista

“Cada dia melhor”, diz paciente de Linhares curado da Covid-19

O psicólogo Paulo Alberto Ferri, 34 anos, diz que não foi nada bom ficar esse tempo todo sozinho: 'Mas só de ter a consciência limpa de que fiz tudo para proteger a comunidade, me mantendo em casa, deixa uma sensação de paz'

Publicado em 31 de Março de 2020 às 13:45

Redação de A Gazeta

Publicado em 

31 mar 2020 às 13:45
31/03/20 - Linhares - “Eu sentia que estava cada dia melhor”, comemora paciente de Linhares curado da covid-19
O psicólogo Paulo Ferri, de 34 anos, precisou ficar 14 dias em isolamento social após ser diagnosticado com o novo coronavírus Crédito: Arquivo Pessoal
“Fiz o teste hoje e deu negativo. Lógico, estou curado. Obrigado por todo apoio recebido. Fez minha vida ter sentido”. Foi assim que o psicólogo Paulo Alberto Ferri, de 34 anos, anunciou, nesta segunda-feira (30), nas redes sociais que está curado. Ele foi o segundo caso confirmado de coronavírus em Linhares, Região Norte do Espírito Santo.
Foram 14 dias de isolamento social, além do acompanhamento médico para evitar que a doença se agravasse. Segundo o psicólogo, ele esteve no início de março no Rio de Janeiro e, quando retornou, já apresentou os sintomas da Covid-19.
Em entrevista à reportagem, o psicólogo contou detalhes de como foi o período de isolamento. O afastamento social é a principal orientação para evitar que o vírus se espalhe e contamine outras pessoas. Segundo ele, toda a rotina precisou ser modificada, mas os pacientes continuaram sendo atendidos e as reuniões com os amigos foram mantidas com a ajuda da tecnologia.
De acordo com o boletim da Prefeitura de Linhares, divulgado nesta segunda-feira (30), em todo o município, 4 casos foram confirmados e outros 95 são considerados suspeitos e estão sendo investigados pelas autoridades de Saúde. Além de Paulo, outros dois pacientes também já receberam alta e estão curados da Covid-19 no município.

Como foi receber o diagnóstico da Covid-19?

A recepção do diagnóstico é um momento dramático, ainda mais sendo o segundo caso do meu município. Recebi por telefone e logo notificaram meu caso no jornal. Como eu havia alertado os meus vizinhos que eu estava sob investigação, logo associaram a informação do jornal a mim, e recebi inúmeras mensagens imediatamente após a notícia na TV.

O que mais deixou você preocupado?

O que mais me preocupou foi a possibilidade de evoluir mal, os sintomas progredirem e eu ficar impossibilitado de ir ao hospital. Moro sozinho, fiquei com muito receio de passar muito mal.

Como foi esse período de isolamento e tratamento da doença?

Fiquei em isolamento os 14 dias indicados. Moro sozinho, tomei os remédios para os sintomas enquanto os sentia. Tentei me manter em atividade, li, vi filmes e séries, atendi meus pacientes via videochamadas e fiz videochamadas com meus amigos.

Qual foi a sensação ao receber a informação de que já estava curado?

Fiquei muito aliviado com o reteste que fizeram nesta segunda-feira (30). Saber que não ofereço mais risco de contaminar outras pessoas me deixa muito em paz. Minha maior preocupação é com os outros. Eu sentia que eu estava cada dia melhor.

Qual a importância de manter o isolamento social?

O isolamento é chato de se passar. Não foi nada bom ficar esse tempo todo sozinho. Mas só de ter a consciência limpa de que fiz tudo para proteger a comunidade, me mantendo em casa, deixa uma sensação de paz e dever cumprido. Acredito que o isolamento é a única possibilidade de tentarmos amenizar todos os danos que essa doença pode provocar.

O que espera a partir de agora?

Espero que isso tudo passe! Para que possamos voltar nossa vida normalmente. Me manterei em quarentena o máximo que eu puder, e torço que as pessoas façam o isolamento também.

Se pudesse dar um conselho para os capixabas, qual seria?

Meu conselho é o seguinte: mantenha-se em quarentena. Isso sinaliza a responsabilidade social que devemos ter. Temos que dar a devida importância para essa doença, mas que se desesperar também não ajuda em nada.

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