Exemplo de coral no litoral brasileiroCrédito: Projeto Coral Vivo
Caso de médico do ES em estado grave em Cancún é raríssimo, diz especialista
ATUALIZAÇÃO:Na noite desta segunda-feira (02), a família do médico Francisco Mazzini, que estava internado desde a última quarta-feira (26), em um hospital em Cancún, no México, informou que o médico teve falência múltipla de órgãos e morreu.
Mazzini foi passar o carnaval em Cancún, com a esposa, a pediatra Rachel Acha Mazzini. De acordo com ela, eles estavam nadando quando o médico esbarrou em uma pedra onde havia um coral e cortou superficialmente o braço, no último sábado (22). Como o ferimento era leve, o casal continuou a viagem normalmente. Contudo, dias depois, Mazzini começou a apresentar sintomas de infecção.
De acordo com Mies, normalmente para chegar a este ponto, o corte deve ser bastante profundo. É preciso entender bem como tudo aconteceu. No meio aquático tem muita bactéria em rochas, areia, peixes e nos corais, mas em cortes superficiais não costumam acontecer muitos problemas, comentou.
"Existem corais no Brasil inteiro. Se situações assim fossem comuns, muitos surfistas seriam vítimas de bactérias. E não é isso que vemos"
Miguel Mies - Oceanógrafo, coordenador de Pesquisas do Projeto Coral Vivo, e pesquisador do Instituto Oceanográfico da USP
De acordo com o infectologista Lauro Ferreira Pinto, existem alguns microorganismos que as pessoas podem adquirir ao entrar em contato com corais. Claro que se existe uma doença de base, o risco pode ser ainda maior, mas pode acontecer com qualquer um, disse. Segundo o filho do médico, Enzo Acha Mazzini, Francisco é diabético.
Também infectologista, Crispim Cerutti Junior avalia que vários fatores devem ter contribuído para que a infecção ficasse mais grave. É um evento fortuito. São múltiplos fatores que fazem com que a situação chegue a esse ponto, pondera Crispim.
ESTADO DE SAÚDE É GRAVE
Médico Francisco Jorge Mazzini, que contraiu bactéria no MéxicoCrédito: Reprodução/Redes Sociais
Segundo Enzo Acha Mazzini, filho do cirurgião, o estado do pai ainda é considerado grave. Ele contraiu uma bactéria após cortar o braço num coral, e segue tomando antibióticos e fazendo hemodiálise, além de medicamentos que mantêm a pressão sanguínea sob controle. Contudo, para o filho, que também é médico, a situação do pai é difícil de ser revertida.
Ele está lá aguentando até hoje. Cheguei a pensar de que ele poderia ter ido a óbito, pela gravidade do quadro, mas ele se mantém vivo ainda, não sei como. Ele era diabético, já teve algumas infecções, mas nada nesse grau de gravidade, afirma.
FAMÍLIA PEDE AJUDA PARA TRATAMENTO
Na sexta-feira (28), o filho mais novo do casal, Rafael Acha Mazzini, foi para o México acompanhar a situação do pai. A família calcula que as despesas médicas já chegam a cerca de R$ 250 mil. Preocupados em manter o tratamento, eles pedem a ajuda de amigos e familiares.
"Desde que ele foi internado, eu já tive que fazer dois depósitos em quantias muito altas. Eles estão prestes a me pedir um terceiro depósito, mas ninguém tem esse dinheiro assim na mão, sem vender nada. Estamos contando com a ajuda da classe médica do Espírito Santo e da família, e peço que quem puder, que contribua com qualquer quantia. Peço também orações para meu marido, porque sabemos que o estado é crítico", pediu Rachel, esposa do médico. Mazzini trabalha como cirurgião em hospitais públicos e particulares da Grande Vitória.
Contas para contribuição com as despesas do médico Francisco Mazzini