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Acidente em Cariacica

Torre-d'água: A dor de quem perdeu tudo em meio ao desemprego e à fome

Quase dois meses após o desabamento de duas caixas-d'água no Residencial São Roque, em Cariacica, moradores ainda não recuperaram móveis perdidos; construtora diz que tenta negociação

Publicado em 01 de Março de 2021 às 11:49

Caroline Freitas

Publicado em 

01 mar 2021 às 11:49
Ela morava em um dos apartamentos do Residencial São Roque, em Padre Gabriel, Cariacica, atingidos pela caixa-d’água que tombou no condomínio no final de dezembro.  Perdeu geladeira, cama, colchão, entre outros bens
Jadislaine Wervisk, 29 anos, morava em um dos apartamentos atingidos por caixa-d'água no Residencial São Roque e ainda aguarda que ressarcimento pela perda de móveis Crédito: Carlos Alberto Silva
Quase dois meses após o desabamento de torres-d'água no Residencial São Roque, em Cariacica, moradores ainda lidam com os vestígios da tragédia. De volta ao lar, muitos ainda não conseguiram retomar a rotina, e sofrem com a perda de bens ainda não restituídos.
É o caso da estudante do curso técnico de enfermagem Jadislaine Wervisk, de 29 anos, atualmente desempregada. Ela conta que seu apartamento foi um dos atingidos pela estrutura, e que perdeu diversos pertences, inclusive cama e colchão. 
“Perdi quase tudo dentro de casa: roupas, cama, colchão, geladeira, tanquinho. Desde que fecharam a conta do hotel que estava sendo pago pela construtora e voltamos para casa, estamos dormindo no chão, bebendo água quente. O fogão eu não perdi porque, na realidade, era um cooktop. Mas não adiantou muita coisa. Não tenho o que cozinhar.”
Perdeu geladeira, cama, colchão, entre outros bens, e ainda aguarda que a construtora tome as providências para ressarci-la. A casa está praticamente vazia.
Jadislaine Wervisk mostra local em que o filho dorme atualmente Crédito: Carlos Alberto Silva
Ela explica que fazia bicos como manicure antes de se mudar para o condomínio do Minha Casa Minha Vida, entregue em meados de dezembro. Jadislaine estava começando a buscar clientes na região quando o acidente ocorreu, apenas duas semanas depois da mudança, precisou sair de casa.
“Fiquei sem trabalho. Agora estamos sobrevivendo com o Bolsa Família que é de R$ 100 e poucos (sic). Não dá. Tenho outras contas. Não consigo nem pagar pela alimentação, estou vivendo de ajuda, e, para completar, fiquei sem minhas coisas de casa, que é uma dor de cabeça a mais”, conta.
Ela explica que acionou a Cobra Engenharia, construtora responsável pelo condomínio, buscando a reparação, mas destaca que embora a empresa tenha feito uma proposta, não foi suficiente para arcar com os prejuízos. Diante disso, judicializou o caso. “Foi o jeito que encontrei para tentar conseguir meus bens de volta. Mas a Justiça demora, e sabe lá quando isso vai se resolver”, lamenta.
O caso de Jadislaine não é isolado. Segundo a própria construtora, no total, 11 famílias queixaram-se de prejuízos em função do desabamento dos castelos-d’água, no dia 30 de dezembro.
Uma delas é a da promotora de vendas Ana Carolina de Souza, 24. Ela conta que, por causa da água que invadiu o apartamento, perdeu colchão e guarda-roupa que mofaram. A geladeira também foi perdida; o equipamento, que estava cheio de alimentos, ficou fechado durante o período em que o edifício permaneceu sem energia elétrica, para a realização de reparos, a comida toda estragou. 
“Deu bicho. Tanto bicho que ainda não terminei de tirar.” Ana Carolina relata ainda que, durante o período em que ficou fora de casa, teve alguns pertences roubados.
“Me roubaram alimentos, perfumes e outras coisas. Quanto a isso, a construtora ofereceu um valor X, e eu aceitei, mas não pagaram. Pela geladeira, ofereceram R$ 1.400, mas era uma geladeira nova, boa - eu havia casado há pouco tempo -, e não achei nenhuma por esse preço que tivesse as mesmas funções, então recusei. Pelas outras coisas que perdi, não ofereceram nada. Estou tentando negociar, mas se demorar muito, também vou acabar procurando a Justiça.”

O QUE DIZ A CONSTRUTORA

Questionada sobre a situação, a Cobra Engenharia informou que uma seguradora visitou os apartamentos a fim de realizar um levantamento dos itens danificados. Após receber o relatório, os moradores de 12 apartamentos foram chamados para um diálogo, e elencaram outros problemas, que precisaram ser verificados novamente, antes de uma negociação.
A empresa esclareceu, por meio de assessoria, que, das 12 famílias atendidas, cinco já fecharam acordo para a restituição dos prejuízos. Uma desistiu pois considerou que seu dano não foi real.
Quatro famílias não concordaram com os termos do acordo e ainda estão em negociação, principalmente por alegar a perda de valores maiores que o oferecido. A construtora aguarda a apresentação de documentação que comprove o prejuízo total para tentar um novo acordo.
Duas pessoas não concordaram com os termos e resolveram judicializar a questão. Nestes casos, a construtora explica, novas negociações não poderão ser realizadas até que a Justiça decida.

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