A greve dos funcionários dos Correios em todo o país completou seu quarto dia nesta quarta-feira (16) e não tem previsão de encerramento, segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect). Apesar de liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinar a manutenção de 80% do efetivo nas atividades em cada unidade durante a paralisação, representantes sindicais admitem que o prazo de entrega de encomendas destinadas ao Espírito Santo pode sofrer atrasos.
Conforme o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Espírito Santo (Sintect-ES) informou, por meio de nota, a maior adesão à greve, no Estado, está concentrada na Região Metropolitana da Grande Vitória, mas o movimento também vem ganhando força e se expandindo para outras cidades.
“Municípios como São Mateus e Venda Nova do Imigrante já aderiram ao movimento, indicando uma tendência de ampliação da mobilização para outras regiões do Espírito Santo”, diz a nota.
O sindicato ainda ressalta que, como a paralisação tem alcance nacional, as operações e a distribuição de correspondências e encomendas pelos Correios em todo o país deve ser afetada.
Para minimizar os impactos, os Correios afirmam ter adotado um plano de continuidade de Negócios”. Entre as ações estão o remanejamento de equipes, a adoção de medidas logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país e o reforço das atividades operacionais. Além disso, a empresa declara que a rede de agências permanece aberta ao público.
Na sexta-feira (11), em outra medida para reduzir os impactos da greve, a direção dos Correios entrou com pedido de dissídio coletivo para que o TST declarasse o movimento abusivo e determinasse a continuidade dos serviços, com urgência.
Após análise, o tribunal determinou, em decisão liminar no último sábado (12), a manutenção de 80% do efetivo nas atividades em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a greve. A decisão contempla trabalhadores das unidades de atendimento, transporte, tratamento, distribuição e áreas administrativas ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal.
“Por parte do sindicato, sempre orientamos pelo cumprimento das determinações judiciais. No entanto, não temos como acompanhar diretamente o cumprimento em cada unidade. Com base nas informações repassadas pela própria empresa, compreendemos que a decisão do TST está sendo cumprida”, afirma o Sintect-ES.
A paralisação foi iniciada na última sexta-feira (11), após proposta apresentada pelos Correios ser rejeitada pelos trabalhadores, durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A categoria reivindica a preservação de direitos e garantias relacionadas ao plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes.
De acordo com o Sintect-ES, além da retirada do plano de saúde dos trabalhadores, a proposta de reestruturação dos Correios também poderá gerar demissão em massa, o que levou à paralisação da categoria contra essa ameaça.
“Os Correios também pretendem retirar direitos históricos da categoria e criar mecanismos que permitam à empresa reduzir ou até se isentar de sua responsabilidade com o plano de saúde dos trabalhadores, mesmo diante dos altos valores já pagos pelos empregados em mensalidades e coparticipação”, afirma o sindicato.
A estatal pontua que respeita o direito de greve dos trabalhadores, porém ressalta que a paralisação ocorre em um momento sensível. No primeiro semestre deste ano, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões. A companhia admite que está diante de uma situação econômico-financeira desafiadora, mas afirma manter o foco na redução de despesas, no aumento da eficiência, na modernização da operação e na geração de novas receitas.
Com o impasse nas negociações, o dissídio coletivo será julgado pelo TST na próxima segunda-feira (21), às 13h30, durante a seção especializada.
Em casos específicos, os Correios informam que os clientes podem entrar em contato pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou buscar atendimento pelos canais digitais da empresa.