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Novos negócios

De transporte a saúde: as empresas que mais abriram no ES na pandemia

Foram criadas 13.994 empresas no Estado em 2020. Se destacou a abertura de transportadoras e a criação de CNPJs por médicos para prestar serviço em clínicas e hospitais

Publicado em 28 de Janeiro de 2021 às 02:00

Luiza Marcondes

Publicado em 

28 jan 2021 às 02:00
Caminhão de entregas logística
Caminhão de entregas: setor de logística foi o que mais registrou abertura de empresas Crédito: Pixabay
A pandemia do novo coronavírus alterou o perfil das empresas abertas no Espírito Santo em 2020. Diferente dos anos anteriores, o transporte de carga por rodovias foi a atividade empresarial que liderou a abertura de novos negócios. A crise sanitária também fez crescer a criação de empresas relacionadas à saúde. Isso é o que mostra um levantamento da Junta Comercial do Espírito Santo (Juces) feito a pedido de A Gazeta.
Em todo 2020, foram abertas 13.994 empresas no Estado. Apesar crise econômica e das restrições sanitárias impostas para conter o avanço de casos de Covid-19, o Espírito Santo terminou o ano com saldo positivo: 4.256 negócios criados mais do que os fechados no mesmo período.
O perfil das novas empresas abertas demonstra que, se por um lado a pandemia impôs restrições, por outro ela também criou demandas. Para o presidente da Junta Comercial, Carlos Rafael, houve crescimento de setores que já seriam tendências de negócio em um futuro próximo. Como exemplo, ele cita a expansão do setor logístico para distribuir os produtos vendidos pela internet.
A visão do presidente é compartilhada pelo economista e membro do Conselho Regional de Economia Ricardo Paixão. “No início da pandemia, quando foram adotadas medidas mais restritivas, a gente percebeu um desempenho melhor de setores dinâmicos e que respondem mais rápido às demandas de mercado”, explicou.
A exemplo disso, a criação de CNPJs por médicos para prestação de serviço ocupa o 3º lugar em número de aberturas. Foram, ao todo, 356 registros. Para o presidente da Junta, esse número é reflexo exclusivo da pandemia.
"Médicos se formalizaram para prestar serviço terceirizado para hospitais e clínicas populares, que oferecem consultas mais baratas e tiveram grande procura neste ano. Essa nunca foi uma atividade considerada significativa na abertura de novas empresas. Antes a gente via a abertura de uma clínica e não da formalização do profissional como prestador de serviço"
Carlos Rafael - Presidente da Junta Comercial do ES
O crescimento da formalização de profissionais como empresa, no entanto, não atingiu só os médicos. De acordo com o presidente da Junta, as mudanças na legislações trabalhista e previdenciária atreladas ao aumento da procura por serviços específicos durante a pandemia aceleraram o fenômeno conhecido como "pejotização", em que empresários estabelecem vínculos com prestadores de serviço e não mais com trabalhadores celetistas.
“Os trabalhadores informais têm se formalizado como prestadores de serviço. O vínculo formal de trabalho, com carteira assinada, tem diminuído com a modernização das regras trabalhistas. O empreendedor informal agora abre uma empresa e se torna um CNPJ. Ele faz isso porque sabe que dessa forma terá benefícios no futuro, como a contribuição para a aposentadoria. O que a gente pode entender é que as relações são transformadas, mas o negócio não deixa de existir”, explicou o presidente.
Nesse sentido, levantamento ainda lista outras atividades individuais que tiveram destaque em 2020, como a prestação de serviços de escritório e apoio administrativo (349), engenharia (258), consultoria de negócios (188) e profissionais de condicionamento físico (174) Um exemplo desse último são os professores de ginástica funcional que, com a atividade de academias restritas, ganharam espaço orientando treinamentos ao ar livre.

FAZER O PRODUTO CHEGAR 

O grande destaque da criação de novas empresas no estado em 2020 foi o de transporte rodoviário de cargas. Foram 367 no total. A atividade passou, por exemplo, a criação de lojas de roupa e de lanchonetes, que tradicionalmente se alternavam entre o primeiro e o segundo lugar.
Isso aconteceu, segundo o economista Ricardo Paixão, como reflexo do momento que a sociedade ainda passa. Com o confinamento, os hábitos de consumo mudaram e as pessoas passaram a realizar atividades dentro de casa. Para que não saíssem, alguém teria que ficar encarregado de levar os produtos dos estabelecimentos até os clientes.
"Tivemos mudanças de comportamento e mudanças no consumo. Sem poder consumir de forma presencial, muitas empresas transformaram o modelo de negócio e passaram a atender pedidos on-line e fazer entregas por delivery. Consumidores que tinham medo de fazer esse tipo de compra perderam o receio. Isso confirma a tendência de crescimento do mercado on-line e trouxe uma mudança também para os empresários. Quem não atuava com venda na internet, passou a atuar. Os que não fizeram, sofreram muito mais o impacto do período”, analisou o economista.
De acordo com dados do Movimento Confie &Compre divulgados em janeiro deste ano, o varejo digital apresentou um crescimento de 56,8% entre janeiro e agosto de 2020, em comparação ao mesmo período de 2019. Em valor de venda, houve um salto de R$ 63,4 bilhões para 105,6 bilhões nos seis primeiros meses de 2020. A pesquisa ainda aponta que 135 mil lojas no Brasil aderiram ao e-commerce no período. Em 2019, a média era de 10 mil novas empresas por mês.
Além de atender as vendas pela internet, o superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Espírito Santo (Transcares), Mario Natali, explica que o Espírito Santo tem uma boa estrutura para o desenvolvimento do setor por causa da localização geográfica do Estado, infraestrutura rodoviária, portuária e aeroportuária que dão suporte aos setores de serviço, industrial e agropecuário.
“Muitas empresas são atraídas para cá para a prospecção de seus negócios porque, além da localização geográfica que fica a cerca de mil quilômetros do nordeste, sul e centro-oeste, temos portos, malha viária relativamente boa, e quando indústrias se instalam aqui, normalmente convidam que uma empresa de transporte se instale junto”, disse Natali. Ele complementa explicando que os baixos registros de roubo de carga também trazem segurança para o empresário que decide abrir uma empresa no setor.
A fundadora da marca Vénere, Monara Schiavo,
Monara Schiavo formalizou sua primeira empresa em janeiro de 2020 Crédito: Divulgação/ Vénere

VESTUÁRIO EM SEGUNDO LUGAR

Atrás apenas do transporte de cargas, as lojas de roupa foram o segundo tipo de atividade que mais registraram abertura de novos negócios no Estado. De acordo com a análise do presidente da Junta, essa atividade ocupa sempre o primeiro ou segundo lugar em abertura de empresas e geralmente está empatada com as lanchonetes, que neste ano não tiveram bom desempenho, ficando na 9ª posição.
Isso acontece, segundo o presidente, porque essas empresas são consideradas atividades “de entrada”, geralmente abertas por quem está começando a empreender. “Essas são atividades que as pessoas, ao pensarem em ter um negócio formal, começam por aí”, disse Carlos Rafael.
Monara Schiavo, de 26 anos, formalizou sua primeira empresa em janeiro de 2020. Formada em Direito, ela se especializou em gestão de empresas e passou os últimos três anos concebendo e se preparando para o lançamento de sua marca de roupas, a Vénere. Mas, no meio do caminho tinha uma pandemia. Prevista para ser lançada em maio, a loja online foi aberta ao público definitivamente em dezembro.
“Eu estava totalmente dedicada ao lançamento da marca, prestes a tirar tudo do papel. Quando a pandemia veio, estava me organizando para comprar tecido, preparar a coleção, fazer contato com os fornecedores, mas não consegui. Muita coisa parou de funcionar e tive que mudar todo o meu planejamento”, contou Monara.
Esperando que a situação melhorasse, a fundadora da marca viu os meses passarem sem que o vírus fosse embora. Percebendo o crescimento das vendas on-line, ela decidiu abrir a loja apesar da pandemia. Para isso, ela ainda esbarrou na dificuldade de conseguir o material para a produção das peças.
“O lançamento acabou acontecendo em dezembro não muito por escolha, mas porque a indústria têxtil ficou com muitas coisas em falta. Eu tinha colocado o mês como minha data limite para aproveitar que é um período em que as pessoas tendem a consumir mais. A princípio, a Vénere já seria on-line em função dos custos, mas vi como uma oportunidade já que as pessoas passaram a consumir mais por esse meio. Para mim não era uma questão de se eu abriria ou não, mas quando”, declarou.

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