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Publicado em 5 de julho de 2023 às 11:24
Apesar de ainda haver negociações envolvendo a proposta que unifica duas PECs de reforma tributária que tramitaram pelo Congresso nos últimos anos, há ambiente político para que o texto seja votado nesta semana. A avaliação foi feita pelo governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), em entrevista à jornalista Mírian Leitão, da CBN Brasil. >
Estados do Nordeste, bem como a maioria dos Estados do Sul e do Sudeste já estariam decididos a apoiar a proposta, que mexe com a economia brasileira como um todo, e afeta não apenas contas públicas, como o bolso dos consumidores. >
O principal crítico da proposta, até então, seria o governador Ronaldo Caiado, de Goiás, que defende, sobretudo, que a reforma atinja somente os impostos federais, deixando o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), administrado pelo poder estadual, e o Imposto sobre Serviços (ISS), municipal, de fora.>
Até mesmo Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, que tem questionado várias das propostas, teria alguma margem para negociação.>
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Ao jornal Estado de S. Paulo, porém, Casagrande (PSB), afirmou ser contra a proposta feita por Tarcísio, de criar uma câmara de compensação para dividir a arrecadação do novo imposto criado com a reforma tributária.>
A principal divergência, segundo o chefe do Executivo capixaba, seria devido ao risco de que os Estados onde há muitas empresas exportadoras acabem tendo que devolver o crédito acumulado pelas companhias ao longo da cadeia produtiva.>
“Daria ônus aos Estados para quitar esses créditos, porque ficaria tudo para eles quitarem”, declarou Casagrande. “O passivo que eu teria que arcar com as empresas exportadoras desequilibraria minhas contas”.>
Não foi a única ressalva feita. Em meio a reunião com a bancada capixaba e encontro com governadores em Brasília, na terça-feira (4), Casagrande destacou que o Espírito Santo achou “um caminho nessa selva tributária nesses últimos anos”, e conseguiu sobreviver, organizando as contas e criando boas relações. Ainda assim, pontuou que embora nunca tenha havido um ambiente tão propício à votação da reforma como há agora, há risco de perda de atividade econômica.>
“Nosso maior problema é perda de atividade econômica. Porque você pode manter receita, mas você pode perder emprego, pode perder a capacidade de atrair (negócios).”>
O governador defende ainda que a reforma sem compensação é ruim para o Espírito Santo e alerta que, se ela entrasse em vigência agora, o Estado perderia mais de 20% da receita. Por isso, defende uma transição federativa longa. Atualmente, o texto prevê um período de 50 anos.>
“A transição federativa de 50 anos é boa, mas, quanto mais longa a transição, melhor para o Estado, melhor para os municípios”.>
Casagrande também defendeu mais participação do Estado no Fundo de Desenvolvimento Regional que será criado com a reforma, para garantir investimentos. “É fundamental que o critério de distribuição do Fundo de Desenvolvimento Regional seja um critério que leve em conta fatores que não seja a população, porque assim nós nos prejudicamos por sermos um Estado pequeno. Então, que seja um PIB per capita invertido ou qualquer outro critério que dê ao Espírito Santo a garantia de receber um volume a mais recursos com o desenvolvimento regional, porque os Estados populosos já vão ganhar com a cobrança no destino.”>
As discussões continuam, e devem se estender até o momento da votação, mas, até agora, não há indicativos de que o texto não será votado antes do recesso parlamentar.>
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