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Tremor em Piúma

Espírito Santo já teve mais de 40 terremotos em 250 anos

Abalos sísmicos no Estado são catalogados por laboratório da Ufes; maior deles aconteceu em 1955

Publicado em 21 de Junho de 2026 às 19:29

Tiago Alencar

Publicado em 

21 jun 2026 às 19:29

O tremor de terra registrado Píuma no sábado (20) entra para a lista de mais de 40 terremotos catalogados no Espírito Santo em pouco mais de 250 anos. O levantamento é do Laboratório de Neotectônica e Sismológico (Lanesi) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que compila detalhes sobre dia, local, epicentro e magnitude de cada um dos sismos ocorridos no Estado. O primeiro registro é de 1767


A maioria das ocorrências é de baixa intensidade, mas em 1955 um grande abalo sísmico, de 6,1 de magnitude, assustou os moradores de Vitória, Vila Velha, Cariacica, Guarapari e Colatina. Casas vibraram e vidros quebraram, naquele que é considerado o quarto maior tremor do Brasil (leia mais abaixo). O mais intenso já documentado no país aconteceu um mês antes, em janeiro de 1955, no Mato Grosso, com magnitude estimada em 6,2.


O terremoto mais recente, no Litoral Sul do Espírito Santo, foi registrado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da Uiniversidade de São Paulo (USP). O abalo sísmico ocorreu às 14h12, teve magnitude 2,13 e foi localizado na região de Piúma. Não há registro de danos, feridos ou ocorrências relacionadas ao evento. 

Tremor de terra de 2.1 foi registrado em Piúma
Tremor de terra de 2.1 foi registrado em Piúma RSBR/ Divulgação

De acordo com a doutora em Geologia e coordenadora do Lanesi Luiza Bricalli, mesmo tremores de baixa intensidade podem ser sentidos por moradores, principalmente quando acontecem em pouca profundidade, mas não costumam oferecer risco significativo à população. Ainda assim, os eventos ajudam os cientistas a entender o comportamento das estruturas geológicas existentes na região.


"Mesmo em áreas tectonicamente estáveis, existem estruturas geológicas antigas que podem acumular tensões e eventualmente liberar energia na forma de sismos", explica a especialista.


A geóloga afirma que o tremor registrado próximo a Piúma pode estar relacionado à movimentação de alguma falha geológica local ou regional. Ela também destaca que, apesar de o Brasil estar no interior da Placa Sul-Americana, distante das áreas mais ativas do planeta, a placa sofre esforços que podem provocar a reativação de estruturas antigas.


O último tremor de terra registrado no Espírito Santo havia ocorrido em julho de 2021, em Pancas, com magnitude 1.4. Em 2020, moradores da Grande Vitória relataram ter sentido um tremor que teve epicentro na região de Maruípe, na Capital. Naquele mesmo ano, outros registros também ocorreram em Ecoporanga, no Norte do Estado, e em áreas do litoral capixaba monitoradas por sismógrafos.

Em 1955, o maior tremor do ES 

As ocorrências de abalos sísmicos o Espírito Santo não se resumem a pequenos tremores. Há 71 anos, em 28 de fevereiro de 1955, os capixabas sentiram aquele que é considerado o maior terremoto relacionado ao Estado.


O abalo teve magnitude 6.1 e ocorreu no Oceano Atlântico, a cerca de 300 quilômetros da costa do Espírito Santo. Mesmo distante do continente, a força do terremoto foi suficiente para ser percebida em Vitória e em outras cidades capixabas. O jornal A Gazeta do dia 1º de março de 1955 detalhou como foi o momento de tensão vivido pelos capixabas. Veja imagem abaixo:

Reportagem de A Gazeta registrou terremoto que assustou os capixabas na década de 1950 Reprodução/Acervo A Gazeta

O repórter José Luiz Holzmeister descreveu que era por volta das 22h do dia 28 de fevereiro quando os telefones da redação começaram a tocar. Os leitores relatavam o tremor de terra. Representantes de associações de moradores foram pessoalmente até a sede da Rede Gazeta detalhar sobre o abalo. As ruas se enchiam de gente tentando entender o que tinha acontecido e o porquê janelas, portas e paredes estavam balançando.


Relatos publicados na época descrevem momentos de apreensão entre os moradores. Casas chegaram a vibrar, objetos se movimentaram e vidros de janelas quebraram em alguns imóveis. 


Muitas pessoas saíram às ruas assustadas com o tremor, que durou tempo suficiente para chamar a atenção da população.


Naquela noite, a reportagem do jornal A Gazeta percorreu todos os bairros da Capital, depois seguiu para Cariacica e Vila Velha, e em todos os lugares havia relatos de moradores sobre o tremor. Algumas testemunhas disseram ter visto, no horizonte, uma espécie de bola de fogo, alaranjada, para os lados do mar. 

"Estava no gabinete quando notei que lápis, réguas e todos os apetrechos de desenhos dançavam sobre a cartolina. Portas e janelas tremiam como bambus ao vento", disse o então vereador Raulino Gonçalves à reportagem. 

Por que esses tremores acontecem?

Segundo Luiza Bricalli, o Espírito Santo está em uma área considerada de baixa atividade sísmica, mas isso não significa ausência de terremotos.


A explicação está nas antigas falhas geológicas existentes no interior da crosta terrestre. Essas estruturas podem acumular tensão ao longo do tempo e, quando ocorre uma liberação dessa energia, provocar pequenos tremores.


A pesquisadora ressalta que o padrão observado no Estado é de eventos de baixa magnitude, como o registrado próximo a Piúma, que geralmente não causam danos. O monitoramento desses episódios, porém, é importante para ampliar o conhecimento sobre a atividade geológica da região.

Errata

21/06/2026

A primeira versão desta matéria trazia, de maneira equivocada, que o primeiro terremoto catalogado no Espírito Santo pelo Laboratório de Neotectônica e Sismológico da Ufes havia ocorrido em 1721. No entanto, o ano correto do registro é 1767. Título e texto foram corrigidos. 

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