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Estudo inédito

Três pessoas morrem afogadas por semana no ES

Estudo do IJSN mostra que homens são quase 8 em cada 10 vítimas e que lagos, lagoas e represas concentram a maioria dos casos

Publicado em 24 de Julho de 2026 às 14:46

Redação de A Gazeta

Publicado em 

24 jul 2026 às 14:46
Não é na praia que a maioria dos afogamentos acontecem no ES Divulgação

Três pessoas morreram afogadas, em média, por semana no Espírito Santo ao longo de 2025. Ao todo, foram registradas 141 mortes no Estado no ano passado. Em 2026, o ritmo segue elevado: até julho, já são 76 vítimas, o equivalente a uma vítima a cada dois dias e meio.


Os dados fazem parte de um estudo inédito divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), na semana do Dia Mundial da Prevenção de Afogamento. Ao todo, foram registradas 141 mortes por afogamento em 2025.


Apesar da redução em relação a 2024, quando foram registradas 155 mortes, o número ainda é 36 casos superior ao observado em 2018, primeiro ano da série histórica, que contabilizou 105 óbitos. O maior número de mortes foi registrado em 2023, com 165 casos.


As informações utilizadas na pesquisa são do Painel de Afogamentos da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

Homens são oito em cada dez vítimas

Os homens representam 86,8% das vítimas fatais registradas entre 2023 e 2025, enquanto as mulheres correspondem a 11,9%. De acordo com o estudo, eles têm 7,2 vezes mais chances de morrer por afogamento do que as mulheres.


Entre as faixas etárias, os jovens de 15 a 24 anos concentram a maior proporção dos casos, com 17,4%. O levantamento também chama a atenção para as crianças de até 4 anos, que representam 7,4% das mortes - .percentual superior ao registrado entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, que representam 6,3% das mortes.


O diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Antônio Rocha, destacou a ocorrência de casos envolvendo crianças dentro de casa e a importância do cuidado dos responsáveis. "A gente observa pelos números que crianças de zero a quatro anos representam um percentual expressivo dessas mortes e que as mortes dessas crianças ocorrem, em grande parte, nos domicílios. Então, a questão da prevenção, da precaução e do cuidado dos pais salta aos olhos", afirmou.

Água doce concentra a maioria dos registros

Lagos, lagoas e represas concentraram 33,6% das mortes por afogamento entre 2023 e 2025. Os cursos d’água responderam por 30,2% dos casos, seguidos pelo mar, com 20,2%. Outros locais reuniram 12,2% dos registros e as piscinas, 3,9%.


Segundo a major Gabriela, do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, ambientes de água doce podem transmitir uma falsa sensação de segurança, principalmente para pessoas que não sabem nadar. "A maioria das mortes por afogamento acontece em locais de água doce: lagoas, cachoeiras, piscinas, açudes e cursos d’água. Isso acontece porque esses locais trazem uma falsa sensação de segurança", explicou.


A major alertou que esses ambientes podem apresentar mudanças bruscas de profundidade, pedras, galhos, redes e outros materiais no fundo. A orientação é evitar a exposição ao risco. "Água no umbigo, sinal de perigo", reforçou.

Linhares lidera número de mortes

Entre 2018 e julho de 2026, Linhares registrou 91 mortes por afogamento, o maior número do Espírito Santo. Desse total, 63,7% dos casos ocorreram em lagos, lagoas e represas.


Guarapari ocupa a segunda posição, com 70 mortes. No município, 78,6% dos casos aconteceram no mar. Vitória e Serra tiveram 67 registros cada, seguidas por Vila Velha, com 62, e São Mateus, com 55.

Casos aumentam nas férias e fins de semana

As mortes por afogamento apresentam maior concentração entre dezembro e março, durante o verão, e também em julho, período de férias escolares.


Os fins de semana concentraram 38,2% das mortes registradas entre 2023 e 2025. Os domingos responderam por 19,3% dos casos, enquanto os sábados somaram 18,9%.

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