Após cinco meses de tratamento, uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) adulta de quase 200 quilos foi devolvida ao mar nesta quarta-feira (20), em uma operação que mobilizou mais de 20 pessoas no litoral do Espírito Santo.
O animal havia sido resgatado debilitado na praia de Capuba, na Serra, na Grande Vitória. Ele passou por reabilitação em Vila Velha antes de retornar ao oceano em uma soltura realizada em alto-mar. O resgate aconteceu logo no início do ano, quando foi encontrado encalhado e desorientado na faixa de areia.
A operação foi conduzida pelo Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinho (IPRAM), em parceria com outras instituições que participam do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP).
Segundo o médico veterinário Luiz Felipe Mayorga, diretor do IPRAM, o animal chegou ao centro de reabilitação em bom estado corporal, o que chamou a atenção da equipe.
“Ela estava bem gordinha, sem sinais de emagrecimento prolongado. Isso indica que foi um problema agudo, algo que comprometeu a saúde dela rapidamente”, explicou.
Durante o tratamento, a tartaruga passou por exames de sangue, radiografias e ultrassonografia. Os veterinários identificaram lesões musculares causadas por esforço repetitivo, além de escoriações na cabeça e nas nadadeiras.
A principal suspeita é que tenha ficado preso em algum artefato de pesca e conseguido escapar depois de sofrer grande exaustão física. “Juntando todas as evidências, acreditamos que ela foi capturada acidentalmente por algum equipamento de pesca. Isso pode ter provocado lesões musculares, exaustão profunda e até doença descompressiva, causada por mudança brusca de profundidade”, afirmou Mayorga.
Após cinco meses de cuidados, a tartaruga foi considerada apta para voltar à natureza. A soltura aconteceu em alto-mar, a cerca de 15 milhas da costa da Baía de Vitória, a bordo da embarcação Mar de Abrolhos, com apoio do Instituto Canal/Amigos da Jubarte.
De acordo com o veterinário, a decisão de realizar a devolução longe da praia teve como objetivo reduzir o risco de uma nova interação com redes de pesca. “É um animal adulto e oceânico, que vive em águas profundas. Soltar diretamente no mar aumenta as chances de ela retornar ao habitat adequado com mais segurança”, disse.
O IPRAM reforça que animais marinhos encalhados, vivos ou mortos, devem ser comunicados imediatamente às equipes de monitoramento. No Espírito Santo, o contato do instituto é o (27) 99865-6975, com atendimento 24 horas. Também é possível acionar o PMP pelo telefone 0800 991 4800, das 8h às 18h.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Petrobras é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo IBAMA e atua no monitoramento de animais marinhos em todo o litoral capixaba.
*Com informações de Juirana Nobres, do G1 ES